Gays nas novelas nunca foram seu problema

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Vocês sabem do incômodo que eu sinto quanto a religiosidade evangélica brasileira. Nós sabemos que existem evangélicos e evangélicos, e não quero dizer que todos os evangélicos são adeptos, por exemplo, das orientações dos gurus espirituais místicos superpoderosos midiáticos para os boicotes de marcas de perfume, marcas de roupa, etc etc etc.

Sabemos, porém, que infelizmente, é uma pequena parcela apenas que apresentam uma reflexão a respeito das coisas que ouvem, praticam e creem de verdade sobre Jesus de Nazaré e a vivência comunitária.

E para ilustrar bem o que estou dizendo, a última situação que causou infortúnios entre os evangélicos foi a cena da novela “Liberdade, liberdade” da rede globo, onde os personagens Talentino e André tiveram explicitamente uma relação sexual, televisionada a pouco mais de um mês.

Não quero entrar no mérito das considerações bíblicas e teológicas de definição por pecado ou não da relação homossexual, como também não quero sugerir nenhum caminho para uma opinião mais liberal desse assunto que por si só polemiza.

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Quero pensar, dentro das minhas limitações intelectuais, a respeito de como a igreja evangélica, principalmente, gosta da camuflagem da realidade. Quero pensar em como a igreja luta por manter alguns padrões comportamentais que não foram, não são e nunca serão uma forma de aproximar-se ou viver em santidade com Deus.
Seu conceito moral de pecado, na maioria das vezes te impede de viver a vida em abundância que tem o que ver com liberdade, e não preconceito. Seu conceito moral de pecado te impede de enxergar a sua miséria, dando margem assim, exclusivamente para pensar nos erros de conduta dos outros.

O cristianismo, em sua verdadeira expressão, a vida de Cristo, deveria ser: em alegrar em perceber e compadecer dos pecados dos outros, e em ser acusado de estar com gente impura. A separação e divisão entre “puros e impuros”, “santos e pecadores”, “justos e injustos” acusa uma verdadeira superficialidade nos ensinos de Cristo no meio da Igreja brasileira, que sempre nos desafiaram a amar como Ele amou.
Ainda sobre o assunto da novela e o ódio, repúdio e brincadeiras de todo tipo que tem aparecido com frequência nas redes sociais sobre a tal cena, gostaria de pensar que muitas das vezes, nós odiamos aquilo que gostamos, e por não admitirmos gostar, isso aparece para nós em forma de ódio, desgosto, desaprovação, etc.

Gostaria de ver uma comunidade de fé que se ama, independente das atitudes e daquilo que o outro é. Gostaria de ver uma comunidade de fé que não maquia seus pecados, não cria camuflagens e fantasias para os erros que ela mesmo comete em si. Gostaria de ver uma comunidade de fé que considerasse o evangelho para si, não apenas para sua “salvação” mas como a sua única possibilidade de vida.

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Eu gostaria, mas eu sei que isso não vai acontecer. Nós olharemos com diferença para os erros que cometemos, e erros que os outros cometem. E nunca, absolutamente nunca estaremos prontos para dialogar com aquilo que não queremos amar.

Então faz o seguinte. Desliga a TV e viva seu cristianismo clichê, que não ama, mas odeia. Viva uma experiência espiritual rasa com discurso de amor, mas que não sabe o que é compartilhar um choro, doar uma roupa, fazer uma visita, acolher alguém. Viva separando e não unindo a humanidade. Viva uma fé que não dialoga com a realidade e negocia a única coisa que não poderia negociar, o modus operandi de Jesus de Nazaré, que falava, comia, andava, e perambulava no meio de quem quer que fosse.
Não, o nome disso que você está fazendo na internet é preconceito, nada de Jesus. Não, o nome disso que você está fazendo na sua igreja, é segregação e não inclusão.
E só pra esclarecer, eu nem concordo com a questão homossexual, mas sou disposto o suficiente para a caminhada com quem for afim de que Cristo apareça e nos ensine nessa relação.

Que Deus nos abençoe.

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