Por que parece tão difícil ficar de boa?

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Minha mesa está lotada. Daqui da frente do notebook eu vejo uma pilha de folhas que na verdade são pesquisas que preciso ler e analisar. Ao lado delas estão três livros que insisti em começar a ler e ainda não terminei. Também pudera, embaixo dos livros estão os catálogos e anotações do trabalho que preciso fazer urgentemente para entregar ao cliente.

Minha caixa de e-mails parece imitar minha mesa de trabalho. Ali estão não apenas e-mails do dia, mas também vários e-mails de semana anteriores e, com vergonha digo, e-mails de meses anteriores, marcados como não-lidos, em que o emissor está lá, aguardando minha resposta.

Puxo na memória e fico a pensar qual foi a última vez em que parei tranquilo sem que a minha mente me dissesse que eu tinha alguma coisa pra fazer. Talvez você identifique-se com isso. É horroroso o fato de repetidas vezes responder convites de pessoas queridas com “não tenho tempo” ou “vamos marcar sim” e nunca marcar nada.

Essa loucura em que a maioria de nós vive acaba por desencadear o estresse, que por sua vez, traz na bagagem inúmeras doenças, hábitos e outros atributos prejudiciais a saúde física e emocional. Essa exaustão, em todos os sentidos, ficou conhecida como burnout. Essa doença moderna já pegou personalidades como o papa Bento XVI e a cantora Mariah Carrey.

Uma historiadora inglesa chamada Anna Katharina Schaffner estudou a maneira como médicos e filósofos entenderam os limites da mente humana, do corpo e da energia ao longo da história. Ela descobriu e publicou no livro Exaustion, A History (Exaustão, Uma História, em tradução livre) que esse tipo de fadiga extrema existe desde a Idade Média. No entanto, ela não nega o papel exercido pelos e-mails, redes sociais e pelo stress da vida moderna que faz com que as pessoas exijam demais de si mesmas.

O inferno deve ser bem parecido com o Facebook

Não há como negar que a vida fora da internet é mais leve. Falo isso sendo um profissional que trabalha com internet, escreve para um blog, estuda via web e que passa pelo menos 14 horas do dia conectado. As discussões arminianos x calvinistas, esquerda x direita, machismo x feminismo, Messi x Cristiano Ronaldo e etc, ainda acontecem com muito mais força no Facebook e no Twitter do que nas igrejas, mesas de bar ou espaços públicos. As discussões e a necessidade de “ser alguém” faz a vida cada vez mais pesada.

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Dito isso, a prática de levar a vida mais leve não pode ser jamais confundida com a preguiça, omissão ou covardia. Pelo contrário, as pessoas mais relevantes que conheço passam pouco tempo discutindo na internet ou lendo comentários em portais, e muito mais tempo fazendo algo importante, que impacte a vida de outras pessoas e melhorem a vida da sociedade como um todo.

Viver a vida mais leve, do ponto de vista cristão, significa não carregar todos os pesos que a rotina insiste em colocar sobre os ombros, e em vez disso, optar em carregar tão somente a cruz que Cristo nos manda carregar. Você não precisa ser o intelectual que tenta escrever difícil nas redes sociais e também não há a mínima necessidade de defender com unhas e dentes sua teologia/ideologia/filosofia no Facebook. No fundo, no fundo, ninguém se importa e também não faz a menor diferença. Agora sair da internet para ouvir pessoas e desenvolver soluções que causem impacto positivo, isso sim faz a maior diferença.

Dar o primeiro passo em direção a uma vida mais tranquila e relevante não é fácil. É possível que alguns venham a criticar dizendo “mas você não entra em nenhuma discussão?” ou “ você vai mesmo falar não pra esse pedido de favor?”. Sim, tudo em nome de uma vida mais leve, fugindo do bornout e lutando para não deixar o stress cansar ao extremo, inclusive para as coisas mais importantes da vida.

Estresse é inevitável. Ser estressado é opcional

A medicina diz que o estresse é um estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, levam o organismo a disparar um processo de adaptação caracterizado pelo aumento da secreção de adrenalina, com várias consequências sistêmicas. O estresse não é essencialmente ruim. Tanto é que muitos o subdividem em estresse bom e estresse ruim .

De fato, nessa correria em que vivemos, estaremos lidando com situações estressantes em todo o tempo. Isso ajuda a vida ser a vida, com sucessos, vitórias, mas também frustrações e fracassos.

Os especialistas dizem que para não ser estressado, o exercício físico frequente e bem orientado é o antídoto ideal. Os crentes falam que é a oração. Acredito que os dois estão cobertos de razão, mas que só um ou outro não solucionará nada. Estou nessa empreitada de conciliar as duas coisas, está bem tenso!

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Por que parece tão difícil ficar de boa? Simplesmente pelo fato de ainda pensarmos que se não estivermos ocupados fazendo tudo o que queremos fazer e também tudo aquilo que querem que a gente faça, estamos sendo inúteis. Na verdade, inútil mesmo é quem faz das tripas coração para ser o bonzão, querendo estar acima de todos o tempo todo.

Por fim, queridos leitores, quando estiver muito estressado, feche o navegador, desligue a internet do celular, faça um exercício, em seguida, dedique um tempo pra oração contemplativa.

Tenho certeza que a sensação de pico de estresse irá embora. Se conseguir fazer isso sempre, me ensine!


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