A Teologia do Teatro Mágico

Continuando pela vida percebendo que a face de Cristo se manifesta em cada canto do nosso dia, inclusive através dos improváveis profetas do avesso que despretensiosamente desenham uma teologia fascinante a respeito da postura do homem diante da existência pela influência de tudo o que está ao seu redor.

Percebendo que “é simples ser feliz”, mas que o “difícil mesmo é ser tão simples” como diz a canção “Nas margens de mim” do Leone é coisa pra gente sensível que de alguma maneira foi levada pelo Espirito a notar que carregar ou não peso sobre os ombros é uma questão de escolha e de percepção. O mais assustador é ter que enxergar que tal revelação, que deveria vir daqueles que conhecem um pouco mais das escrituras com o próprio Jesus dizendo: “Vinde a mim vós que estais cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei; Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve”(Mateus 11.28-30), vem de poetas dotados pela graça comum de “ver” ao invés de apenas “enxergar”.

Gostaria de juntamente com você e a luz das escrituras olhar para uma poesia musicada com bastante significado pra todos aqueles que atendem a primeira vocação de todo o indivíduo que é o de “ser humano”, com a licença de alterar o substantivo “ser” por um verbo de ligação.

Veja que nem todo “ser humano” é de fato humano.

Basta olhar pela janela. Mas isto é papo para outra oportunidade.

Vamos nos render aos cuidados pedagógicos da “trupe” performática e ver se conseguimos experimentar o Cristo na vida ao invés de ficarmos presos numa imagem histórica criada pela religião. Afinal, Jesus abria mão de multidões para estar com indivíduos, abria mão do “sucesso” pra cheirar gente e nós aqui querendo “fazer o chão tremer” pra ver anjos de Deus “subir e descer”. Deus até da recado por anjos, mas se revela mesmo através do santos (separados) (Efésios 3.10).

Ponha os fones de ouvido ou aumente o volume das suas caixas de som e deixe que a música fale por si.

Apoderar-se de si recombinando atos

“Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito; Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz”. (Romanos 8.5-6)

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria…domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”. (Gálatas 5.22-23)


Não sou quem estou aqui, sou um instante, passo

“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”. (Gálatas 2.19-20)

“Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”. (Tiago 4.14)


Cada um, cada qual resgatar o júbilo

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos”. (Filipenses 4.4)

“Tenho grande alegria em fazer a tua vontade, ó meu Deus; a tua lei está no fundo do meu coração”. (Salmos 40.8)


Existir, ser plural, repartir o acúmulo

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor”. (Efésios 4.15-16)

“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. (Mateus 25.35-40)


Apoderar-se de si remediando passos

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”. (Hebreus 12.14-15)


Convergir no olhar, nosso brio e fúria, conceber, conservar, aguerrida entrega

“Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus; pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.(Filipenses 2.4-8)


Nesse nosso desbravar emanemo-nos amor até quando suceder de silenciar

“O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”. (João 15.12-13)


O que nos trouxe até aqui, nada melhor virá

“Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus”. (I Pedro 1.18-21)


Que toda cegueira seja dissipada pelo toque do Cristo no meio da caminhada da vida. E que através do diferente encontremos lampejos de semelhança a ponto de conseguirmos nos enxergar, e sobretudo, encontrar o amor e o sacramento embutido nas relações cotidianas que se iniciam aqui, mas que vão para além dos nossos olhos.

Em amor! Percebendo e sendo percebido!

Foto de Rafael Tavares