Tiago Iorc te convida a ser gente de verdade

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A faculdade de teologia me proporcionou a oportunidade de ler bastante coisa boa nesses últimos anos. Tenho prazer nestas leituras, pois na maior parte delas, encontro graça, riqueza, beleza e ternura da parte de Deus, não tenho me sentido ‘obrigado’ a ler para me formar.

Numa destas oportunidades na faculdade, quando li “A Cruz do Rei”, de Timothy Keller, um dos meus autores favoritos, fui imediatamente transportado e imerso no universo da canção “Sol Que Faltava” de Tiago Iorc. Confesso que já pensava em escrever um texto ou uma série aqui no blog sobre a arte de Iorc. Keller foi decisivo nisso e, obviamente Tiago, com seu som magnífico.

O dia em que conheci o som de Tiago Iorc

Conheci o som do Tiago, na última edição do Festival Rock no Vale, realizado todos os anos pelos Jovens da Verdade em Arujá/SP. Fiquei pasmo! O show ao vivo foi muito bom! Performance musical incrível, simpatia, interação com o público, simplicidade, as canções, tudo muito bom! Como diria o próprio Tiago: coisa linda!

Voltei para casa impactado pelo que vi no palco naquela noite. Fui procurar mais sobre ele na internet. Ao som dos primeiros acordes e melodias me identifiquei muito, em especial com seu último trabalho intitulado: Troco Likes.  

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Tiago é honesto, é artista de verdade, não vende seus acordes, não força sua mensagem. Tiago é bom, competente, faz o que ama e isso traz a luz a quem o ouve, admira e vê. Porque a arte por si só é um dom de Deus, e arte para ser boa não precisa de justificativa, precisa de legitimidade, fidelidade, beleza e uma boa causa.

Você é realmente tão feliz e perfeito quanto aparenta ser?

A música “Sol Que Faltava” faz uma pergunta central, absolutamente pertinente para nossa geração pós-moderna, interconectada e multicultural do século XXI: você é realmente tão feliz e perfeito quanto aparenta ser? Vivemos um tempo onde tudo é maquiado, onde as imperfeições são escondidas e as rugas preenchidas por botox ou corrigidas por aquele aplicativo de edição fotográfica preferido. Tiago do alto de sua genialidade pergunta: “onde foi a última vez que você se deixou livre sem se retorcar, sem se instagramear?” Instagramear, que sacada fantástica! Não estamos nós correndo atrás da insanidade de ser o que não fomos criados para ser?

Dia desses num restaurante sentei-me à frente de um jovem casal, me pareciam entediados, cabisbaixos, aparentemente sem muitos assuntos para compartilhar, pelo menos um com o outro, e também, bastante ocupados com seus celulares. De repente, para minha surpresa, os dois decidem tirar uma ‘selfie’ e aquelas feições um tanto quanto desanimadas se transformaram em grandes e largos sorrisos aparentemente repletos de satisfação e alegria. É preciso que, honestamente, façamos sempre uma pergunta a nós mesmos: somos realmente tão felizes e perfeitos como aparentamos ser? Cada foto, cada post, cada aparição pública que fazemos reflete, de fato, aquilo que verdadeiramente somos, ou estamos empenhados em aparentar algo que na realidade não existe? Por que fazemos isso? O que queremos com isso? Curtidas? Comentários? Aprovação? Autoafirmação? Por quê?

Tiago pergunta: “quando foi a última vez que você quis escutar, silenciar?” Impossível não lembrar de outra canção dele que diz: “gente demais, com tempo demais, falando demais, alto demais”. Não estaríamos precisando calar mais, desfrutar mais do silêncio, da solitude, de ouvir mais e falar menos? Quando foi a última vez que você calou e preferiu ouvir o som do silêncio?

Tiago continua provocando: “onde foi a última vez que o instante deixou se fotografar no teu olhar?” A tecnologia dos smartphones trouxe um sem número de facilidades e avanços para a comunicação do homem moderno, mas com ela também vieram muitos exageros e problemas. Hoje é possível testemunhar uma geração de jovens que tem grandes dificuldades de apreciar o momento que vive. Lembram-se do casal no restaurante? Cabisbaixos, sem trocar uma palavra, ocupados com seus celulares, sem curtir um momento sequer do jantar, no entanto, no momento do ‘selfie’: alegria transbordante pra todo mundo ver, curtir e comentar. Curioso não? Minha pergunta novamente é: somos realmente tão felizes e perfeitos quanto aparentamos ser?

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Recordo-me de ter ido ao último show da banda irlandesa U2 aqui no Brasil, no estádio do Morumbi em São Paulo. Para quem acompanha a banda, sabe que a última turnê do grupo bateu absolutamente todos os recordes da história: maior público, maior renda, maior palco, maior tudo! Eu estava presenciando um acontecimento histórico, que jamais teria a oportunidade de vivenciar novamente. Resolvi guardar meu celular no bolso e curtir cada instante do show fotografando-o apenas com meus olhos, exatamente como Tiago pergunta em sua canção.  Não estaríamos nós perdendo a essência dos momentos marcantes de nossas vidas em meio a parafernalha tecnológica que muitas vezes nos circunda? Não poderíamos ao invés de nos ocuparmos tanto em registrar a vida com máquinas, nos ocuparmos mais em registra-la com o coração?

Claro que sabemos que muito do que essa geração que troca likes busca incessantemente é notoriedade. As pessoas precisam ser notadas, elas precisam ser valorizadas, amadas de verdade. Elas estão em busca disso. O ser humano desde sempre procura um amor que supra suas necessidades sem pedir nada em troca. Como diz o Tiago, vivemos em um “mar de tanta indiferença” e isso faz-nos entrar nessa corrida louca por likes, comentários, visibilidade, fama, status, palcos, câmeras e tudo que possa nos evidenciar mais do que os outros.

Jesus diz: É sol que te faltava

O problema é que nada disso supre nossa necessidade. Nada disso preenche o vazio do amor maior que o ser humano tanto procura. Certa feita, Jesus se deparou com um jovem de muitas posses que tinha esse mesmo questionamento, o jovem perguntou: “Bom Mestre, como faço para me salvar? Como faço para preencher esse vazio que me consome e não me deixa ter certeza de que tudo está bem comigo?” Jesus perguntou ao jovem se ele cumpria uma série de normas básicas como honrar pai e mãe, não mentir, não furtar, não trair. Diante disso o jovem se manteve irretocável e afirmou: “Mestre, tenho cumprido tudo isso rigorosamente ao longo de minha vida”. Estamos diante de uma pessoa fantástica aos olhos humanos. Possivelmente esse jovem teria muitas curtidas nas redes sociais, ele era rico, bem sucedido, certamente tinha boa aparência, cumpria toda a lei, ou seja, aparentava ser o que todos querem ser, aparentava ter tudo que todos querem ter. Mas Jesus disse que lhe faltava algo! Curioso é que a canção do Tiago também diz exatamente isso: faltava algo. Era o sol que faltava! Jesus disse ao jovem rico: “vá, venda tudo que você tem, dê aos pobres e me siga”. O jovem saiu dali abatido, pois tinha muitas coisas e seu coração estava apegado a elas. A ele não lhe faltava nada, faltava-lhe apenas tudo. Faltava-lhe o sol no mar de tanta indiferença. Seu coração estava apegado ao seu status. Faltava-lhe render-se ao único que poderia livra-lo daquela sensação de insuficiência e impotência diante das grandes questões da vida, faltava-lhe o Salvador.

Tiago expõe com maestria no refrão de sua canção que neste mar de tanta indiferença em que vivemos o que nos falta é o sol. E é isso mesmo. Estamos à procura do sol que irá nos aquecer e iluminar de forma que jamais venhamos a sentir frio novamente ou nos perder ao longo dos tristes e escuros caminhos que se nos apresentam na vida corriqueiramente. Um sol que suprirá de uma vez por todas nossa carência por visibilidade, notoriedade e um amor verdadeiro.

Notem, pois, o posicionamento de Jesus diante desta necessidade dos homens. Ele reivindica ser este sol, Ele e apenas Ele. Jesus diz ser o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6), não um caminho, uma verdade ou uma vida. Jesus diz também ser a luz do mundo; e que aquele que o segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8.12). Todas estas são declarações fortíssimas, impossíveis de serem ignoradas. C. S. Lewis dizia que diante de Jesus nós temos apenas três alternativas: ou Jesus é, de fato, tudo isso que Ele diz ser, ou Jesus foi um lunático desvairado, ou Jesus foi um tremendo mau caráter e mentiroso! O que Jesus é pra você? Veja o que Ele diz ao jovem rico: “por melhor que você seja, por mais curtidas que você tenha nas redes sociais, por mais impecável que sejam sua aparência e conduta, sem que você renda completamente seu coração a mim, que sou a luz do mundo, você jamais vai encontrar salvação e descanso para a escuridão da sua alma”.

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É certo de que no mar de tanta indiferença é o sol que nos falta! Esse sol jamais nos será indiferente, este sol é o amor com o qual você sempre sonhou, é o abraço no qual você sempre quis se esconder, é o perdão e o acolhimento que você sempre quis receber. Neste mar de tanta indiferença, olhe pra o sol, o sol da justiça que traz no calor e no poder de seus raios, cura, paz, alegria, libertação e amor jamais vistos em toda existência humana!

Obrigado Tiago! Obrigado Jesus!

Que Deus nos alcance!