A esperança de quem foi amado

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo sua abundante misericórdia, gerou-nos de novo para uma viva esperança” 1 Pedro 1.3

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Se a igreja está viva e forte até hoje é porque ainda existe esperança. Depois que Jesus veio até nós, fomos todos justificados. Ou seja, já não restam culpas para o velho homem, e muito menos desculpas para o Novo viver à sua própria maneira.

Não há dúvidas de que a vida nova nos foi possível por meio dos méritos do sofrimento da Cruz. Pela fé não somente no Filho, mas na sua obra, nos foi dado de presente da reconciliação. Sendo assim, já nos é possível andar em caminhos de paz. Isso não tem nada a ver com aquela paz que a “miss mundo” anuncia, nem tampouco com uma ausência de conflitos, mas sim com o fruto da plena reconciliação entre Criador e criatura.

Jesus sabia que foi enviado em missão de paz

A maior vítima da violência não respondeu com a mesma moeda.  Ele reuniu o que estava dividido, acabou com o isolamento do homem e inaugurou uma nova humanidade. É justamente porque a graça de Deus nos é disponível que podemos conhecer o seu caráter e andar firmemente pelos caminhos de fé.

Demos de cara com a uma nova esperança quando vimos também a glória de Deus ser exposta por Jesus na Cruz. Ao contemplar a vitória do Filho sobre o pecado e a morte, vimos também nossa inclusão nesta obra. Deus crucificou a todos com ele, mas também os regenerou para a Nova vida. Fomos nomeados por Ele mesmo o seu objeto de seu amor na Terra, e ele assim designou, nos fazendo a sua imagem.

Diante disso, as tragédias, infelicidades e situações que geram infortúnios já não tem efeitos eternos sobre nossas vidas. Agora, as desgraças que ocorrem não dão a última palavra a nosso respeito. É claro, sofremos os danos da perda, da morte e da fragilidade porque somos feito de humanidades essenciais, mas a nova criatura, que experimentou a tão grande obra no Calvário, prossegue na expectativa de que tudo aqui é transitório, mas sempre avançando para a proclamação do Evangelho. A pregação é a chave da algema.

No entanto, essa informação deveria nos paralisar e nos fazer esperar a vida vindoura? Claro que não! Os homens verão a glória de Deus porque toda boa obra aponta a realidade do cuidado de Deus para com sua criatura. A vida de Deus em nossa vida deverá reproduzir luz, afim de que, diante dos homens, as boas obras sejam vivenciadas, e assim, eles possam saber que experimentar dessa realidade só pode acontecer com o patrocínio do poder divinal.

A esperança não engessa a nova criatura, mas produz nela a perseverança

. Embora, possa parecer que estamos falando da mesma coisa, mas não devemos confundir perseverança com teimosia. A primeira, tem o seu guia sustentado por Deus, enquanto a segunda está depositada a uma obsessão.

O modelo de perseverança bíblico aponta para a experimentação de realidades sem fazer delas a sua última conclusão. O perseverante, essencialmente, tem uma expectação que o empurra para um caminho já revelado. O que é isso senão confiança em um caráter?

O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo para que saibamos o motivo pelo qual o seguimos. Não devemos amar a Deus somente como resposta a seu amor primeiro, mas porque provamos da dimensão do seu amor. Deus se revela e prova no seu amor para conosco. Só um amor pleno pode morrer por pecadores. Só um amor verdadeira nos resgata da ira. Somente um amor completo enxerga em seu inimigo a possibilidade da reconciliação, e não só isso, mas promove a salvação pela sua própria vida. Morre porque ama, e ama, porque é amor.

Por causa desse amor alcançamos esperança. Deus usou o método de inserir no homem pecador suas grandiosas doses de misericórdia e resolveu transformar trevas em luz porque só se relaciona no âmbito da claridade. Afinal de contas, mesmo com a ofensa de um único homem, fazendo todos morrerem, deus não negligenciou a sua Graça, mas convocou a todos a abandonar suas vidas e a viver a de Cristo. Deus responde um ato único de condenação com um ato de justiça sobre todos os homens.

Em todos que experimentaram realmente o amor de Deus permanece a esperança de que não são mais escravos do pecado, mas tiveram suas amarras arrancadas para viver a liberdade de um redimido afim de que tudo quanto faça, seja produto do que o Senhor lhe fez antes. Somente um ser que foi amado, torna-se um ser amante. Somente um ser que saboreou a Deus pode apresentar tão grande banquete. Que o Senhor seja a única esperança para a vida que se inicia agora para a que se concretiza no porvir.  Podemos sim gritar como o salmista: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.”