Afinal, o que me impede de amar?

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A pergunta a ser feita pelo cristianismo, não é mais o que prova a existência de Deus; o que é pecado; como se relacionar com o mundo; ou qualquer coisa que algum homem ou outro propôs-se a escrever na história da humanidade.

A pergunta que move o cristianismo, e em todos os movimentos dessa confissão religiosa na história, deveria ser: o que realmente me impede de amar?

Jesus de Nazaré não é outra coisa, se não a pessoa encarnada do Deus inconcebível, infindável e infinito. Jesus de Nazaré, não pode ser expressado e manifestado de outra forma na história da humanidade senão através de relacionamentos. Jesus era um cara extremamente interessante, simples e profundo. Suas mãos calejadas do trabalho com o seu pai, o cheiro forte de suor entre outros odores que permaneciam em seu corpo devido o contato direto e frequente com os pobres e maltrapilhos, gente que não tinha muita condição de se importar com beleza, padrões estéticos e até mesmo a higiene, lhe eram característicos.

Ainda, seu método de compreender a relação “humano-sagrado” como algo tendo início não mais pelo ser humano em busca do sagrado (defesa da maioria das práticas religiosas), mas sim o sagrado vindo em busca do humano (a característica diferencial do cristianismo) pelo, no e em amor.

Seu evangelismo, era a coisa mais linda a ser contemplada, mais do que uma grande mensagem a ser pregada num dia específico, um discurso eloquente, com poesia no final, música de fundo no momento do apelo, ou qualquer coisa desse tipo, acontecia na relação, vendo as pessoas as chamava para andar juntos, e o reino de Deus acontecia ali, de forma comunitária, sem preconceitos, mas em busca de provocar naquele que O ouvia a revelação do Espírito de que Ele, Jesus de Nazaré, era o filho de Deus.

 

Afinal, o que me impede de amar?

Não sei bem definir isso, mas gostaria de nesse singelo texto, e talvez, bastante simplório, sugerir algumas raízes da nossa dificuldade de amar, ou obedecer aquilo que mais escancara Jesus de Nazaré aos seres humanos, o amor.

Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros” – João 13:34-35

A lista de versículo poderia continuar, e talvez, com uma compreensão maior, dada por revelação do Espírito, a gente pudesse considerar a Bíblia toda como uma grande carta de amor do nosso Deus ao nosso coração.

O que te impede mesmo?

Agostinho, chamado santo, é o autor da frase: “ame e faze o que quiseres”, e não sou alguém disposto a comentar ou tecer alguma outra observação a respeito de um homem como ele, com tamanha profundidade e conhecimento de Deus.

A frase de Agostinho, mostra, resumidamente, ou se ele vivesse em nossos tempos, em um tweet, o que Jesus quis dizer com o novo mandamento entregue. Engraçado pensar como nos esquivamos do amor. E a primeira razão que encontro para não amarmos é:

Não sabemos amar. Aprendi com o Murillo e Luciano, colunistas aqui do MVC, e particularmente, meus pastores e conselheiros amorosos, que o amor não é um sentimento, e nem tão pouco algo possível ao ser humano. Numa de nossas “rodas de escárnio”, em vários momentos, concebemos que o amor é milagre do Espírito, ou que é o próprio Espírito de Cristo que nos capacita e possibilita o milagre que é amar. Compreendendo que entre seres humanos descendentes de Adão, que somos nós, algo sublime, doador, servo, paciente, bondoso, sem inveja, nem vanglória, e sem orgulho, só é possível quando o Espírito sopra sobre o vale de ossos secos que é o nosso coração e a nossa vida.

Mas é possível pecar por amar demais, não?

Não, o amor não tem medidas, tem sinceridade e confiança, ou tem emocionalismo fraco e com prazo de validade. Quando se ama, ama-se para a eternidade, afim de que o alvo do nosso amor, seja Cristo, expresso na imago Dei presente no corpo do irmão.

Um segundo motivo, talvez, para a nossa falta de amor é: nós não queremos amar. A maioria das coisas que disse aqui não são novidades para vocês. Vocês lêem a bíblia e sabem de tudo isso. Conhecem o texto de 1 Cor 13;  1 Jo 4; entre tantos outros textos que nos falam de amor na palavra de Deus.

Contudo, você vai concordar comigo, que mesmo auxiliado pelo Espírito, a nossa vontade não é perdoar, não é de andar a segunda milha com o nosso irmão, não é nem de considerar esse alguém como nosso irmão. O nosso desejo e grito no peito é por vingança, ciúme, inveja entre outros.

Ainda, a impressão que sempre temos é que algumas pessoas não merecem mais… Não tem mais o que ser feito. Concordo em partes, que as proibições, principalmente, no meio eclesiástico aos jovens e adolescentes da comunidade, não são nenhum pouco desejáveis, e vez por outra, a melhor decisão é deixá-los ir aos seus próprios caminhos lembrando sempre da possibilidade da caminhada juntos nas pegadas de Cristo. Mas afirmar que todos os relacionamentos devem ser abandonados ou confiados somente a expressão particular de qualquer um, denuncia a nós, na verdade, nossa falta de zelo, e muitas vezes, vontade de estar perto.

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Não queremos amar, porque amar é fardo pesado. Não existe ilusão, o amor requer sinceridade, só ama quem conhece a pessoa a ser amada, ou pelo menos se dispõe a conhecê-la. Não ama quem ama pelas metades, ou ama-se dispondo a entregar a vida por alguém, ou ainda não estamos falando de amor, não o amor de Cristo ensinado nos evangelhos.

Poderia enumerar mais alguns motivos, mas pretendo encerrar com esse para que nós não nos delonguemos demais.

E não achamos o amor uma necessidade. Faz tempo, aliás acho que não ouvi um bom sermão sobre amor (a Deus, a vidas e a igreja). Não confiamos em Deus, para derramar em nós, pelo Espírito, em nossos corações, uma íntima compaixão por outras pessoas, um desejo ardente pelo seu nome, e um profundo senso de responsabilidade com a Sua Palavra.

Não oramos por esse tipo de coisa. Não pedimos para o Senhor nos ensinar o amor. Não pedimos um coração que simplesmente obedeça a Deus, entendendo que o amor não é uma possibilidade, mas é a ação transformadora, mais impactante e utiliza pelo Espírito e de maneira mais densa. Aliás, orar é fazer declarações de amor. Confrontado por um profundo senso de responsabilidade e missão em relação a coisas que o Senhor deseja fazer, nós percebemos por sensibilidade ao Espírito e nos comprometemos a colaborar com esse movimento por graça, mesmo que seja em oração. Oração nunca é “só” oração, sua profundidade não pode ser mensurada. Assim, qualquer ação sem oração é ativismo e proselitismo religioso. Qualquer ação sem oração não é em sinalização do Reino de Deus.

Oro para que o Senhor Jesus nos impacte com a necessidade de amor que esse mundo precisa, que as pessoas precisam, que a igreja precisa e que nós carecemos. E que o Espírito seja derramado em nós sobre medida, para glória do Deus Pai que é amor, do filho que é o amor do Pai feito carne, e do Espírito Santo que sempre nos constrange com a grandeza do seu amor.

Que Deus te abençoe. Sempre juntos para o estouro.

Em amor e pelo amor.