Amo mais meu cachorro do que as pessoas

Utilizar as redes sociais nos últimos anos me revelou algo surpreendente: a hipervalorizarão dos animais domésticos, sobretudo, dos cachorros. Bastam pouco mais de dez minutos de navegação para observar diversas imagens e páginas que dedicam total atenção aos bichinhos. É evidente que desde que o homem resolveu domesticar os bichos, é necessário prudência, respeito, atenção e carinho ao animal. No entanto, a decisão de se obter um animal de estimação que traga entretenimento e diversão, deve ser pautada pelo dedicar o tratamento tal como dever ser o tratamento a um bicho e não como alguém da família, em termos de ser tratado como um ser humano.

O grande problema da valorização exagerada dos animais é que quase sempre os bichinhos assumem o papel de alguém na vida das pessoas. Às vezes, a carência da filha que há anos não vê o pai, a madame que foi abandonada pelos filhos, a esposa que há tempos não tem qualquer tipo de relação com o marido, o jovem que não acredita mais nas pessoas… Não obstante, é comum o número de pessoas que declaram preferir os bichos em detrimento dos seres humanos. Então, têm-se um grande problema: pessoas que recorrem aos bichos como forma de suprir a carência deixada por outra pessoa e que por isso, preferem estar, falar, cuidar, respeitar, tratar, e enfim, dedicar muito mais amor aos animais ao invés de fazê-lo às pessoas.

Não é de se admirar tal comportamento. O ser humano acaba sempre escolhendo o caminho fácil. É fácil cuidar de quem vai aceitar o que for dado, a comida, o lugar, a roupa. É mais fácil falar com quem não irá te responder com furor, protegendo-se assim de ouvir uma crítica ou coisa parecida. É extremamente mais fácil amar quem parece te corresponder exatamente da maneira que lhe agrada. Sem dúvida é mais fácil amar os animais do que as pessoas. Mas as pessoas que amam mais aos animais do que a outros seres humanos sequer imaginam que existe a possibilidade de que nem o bicho a suporta e caso falasse, diria: — Ei, eu não te agüento! Pára de me bajular, pára de me chamar de filho! Vá atrás do seu filho e se reconcilie com ele. Ame o seu marido e cuide de mim e não o contrário! O ser humano foi feito para amar outros seres humanos! Nós fomos feitos para sermos dominados e não o contrário! Por favor, pára!

Quem dedica mais amor a um animal do que ao ser humano vive na ilusão de que é correspondido e que o bichinho nunca a decepciona. Infelizmente, quem dedica a vida a um bicho não tem como saber se pode ou não ser melhor, pois não escuta aos outros. O pior de tudo é que a falta de relacionamento com o ser humano o distancia de Deus. Não existe relacionamento na vertical sem relacionamento na horizontal. Cachorro não te orienta, não te corrige, não aconselha, não encoraja, não lê versículos para você.

Amar a Deus passa pelas pessoas. Não há como dizer “eu amo a Deus, mas prefiro meu cachorro às pessoas”. O cristianismo nos leva para algo como “eu amo a Deus e por isso dedico meu amor às pessoas e luto pela justiça social. Os cachorros? Eu gosto deles, dou alimento, carinho, brinco com eles. Mas meu forte mesmo é o ser humano, porque fomos juntos criados à imagem e semelhança de Deus”. Não existe Deus se não for no outro.

Espero que você consiga entender que não escrevi para desencorajar o trabalho dos protetores e nem para influenciar pessoas ao abandono. Pelo contrário, acho que todos os animais devem ser tratados com atenção e carinho. O texto é um incentivo a valorização do ser humano acima de tudo, que é o que Deus fez/faz. Espero que você tente compreender que caso o texto não se aplique a você, você saiba entender que PODE ser que ele sirva para alguém que viva na situação descrita. Nem todas as pessoas têm a sabedoria, inteligência e responsabilidade que você tem para saber distinguir essas coisas. Que continuemos a cuidar dos animais e amar a Deus e as pessoas a nossa volta!