Aonde fomos parar?

Aonde foi parar a nossa docilidade no olhar? Nossa despretenciosa roda ao redor de coisa alguma com apenas um violão no colo e dezenas de sonhos na cabeça? Nossa predisposição de estar junto com quem mais dizemos amar pra fazer qualquer coisa ou até mesmo nada? Nosso choro apaixonado quando nos demos conta de que nosso esforço tinha ido por água abaixo?

Aonde foi parar nossa vivacidade? Nossa vontade de fazer a diferença? Nosso impulso de ser reconhecido por algo que realizamos? Nosso olhar romântico e utópico que nos empurrava pra frente? E nosso orgulho de sermos agentes de algo muito maior do que podemos imaginar?

Aonde foi parar a nossa intensidade? Por que deixamos de ser inteiros e nos contentamos apenas em sermos metade? Por que paramos no meio do caminho? Por que começamos e não vamos adiante? Aonde foram parar os nossos planos rabiscados naquele caderno antigo?

Aonde terminaram as nossas composições? Nossas noites em claro procurando a melhor poesia? Nossa dúvida mediante ao que todos diziam ser óbvio? Aonde está a nossa inquietação?

Aonde foi parar nossa oração? Será que foi vencida pelo cansaço de uma vida vivida na força do braço? Ou na descrença de que existe algo transcendente? Será que a nossa razão anulou a nossa fé? Será que achamos que podemos sozinhos?

Aonde foi parar nossa dependência? Está escondida atrás do nosso dinheiro? Da nossa graduação? Do nosso intercâmbio no exterior? Da nossa família? Do nosso trabalho? Ou do nosso descaso? Quando foi que nós deixamos de nos importar com outro? Em que esquina da vida ficamos tão egoístas?

Aonde foi parar o nosso amor? Nosso clamor no meio do dia por aqueles que talvez nem conhecêssemos, mas que nos tocaram por suas impossibilidades? Quando foi que deixamos de ser simples e começamos a ser enjoados? Quando foi que ficamos chatos?

Aonde foi parar nossa juventude? Foi vencida pela desculpa da idade? Ou pelo conforto de uma vida acomodada? E nosso serviço? Esgotou-se por não recebermos o que tanto desejávamos? Por que não comprometo-mo-nos mais? Será que estamos cansados de viver uma religião? E por que não temos força pra vencer esse marasmo todo?

Por que ainda vivemos? Por que morreremos? Qual o sentido da nossa vida? Ou quantos sentidos seremos capazes de dar a ela? Aonde nós fomos parar? E onde deveremos retornar? Será que não são muitas perguntas a serem respondidas? Por que nós desistimos de nós? E…

Por que Ele não desistiu de nós?

Talvez seja tempo de olhar no retrovisor, resgatar o impulso e recomeçar a trilha que não é simples e nem fácil, mas que recheia de sentido todos passos daqui para a eternidade.

Que Cristo nos pegue no meio do caminho.

NEle.