Não era batalha naval?

Batalha naval? Não, não, batalha espiritual, mesmo.

Que crente gosta de coisa mística não é novidade. Que a gente gosta de inventar uma doutrina complicada, que não faça sentido nenhum e no final das contas ninguém compreenda, também não. Quando fala de diabo então, parece que a bíblia nem foi lida de tanta besteira “gospel” que temos rolando por aí.

A gente não sabe o que é batalha espiritual, aliás, nas escrituras, nenhum texto apresenta as duas palavras juntas: “batalha + espiritual”. Mas já que a gente fala um monte de besteira por aí, vamos ver algumas por aqui também.

“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. (Efésios 6.12)

Aviso aos “reformólatras”! Não pretendo fazer uma exposição grego-original do texto. Tão pouco pretendo me ater à detalhes exegéticos. Quero fazer, conforme o que sempre me propus, brincar com as palavras e se no final das contas fizer algum sentido para você, ficarei feliz, em todo caso oro para que esta reflexão não lhe seja à toa.

Quando a gente fala de diabo, inferno e tudo mais, falamos de derrotados. É quase a mesma coisa de quando brincamos com os “corinthianos”, a piada não tem mais graça, ela é simplesmente natural e ponto (brincadeira pra descontrair).

Mas o que me inspirou a escrever esse texto, foi estar num desses dias atrás em um determinado encontro de uma igreja (sabe dessas que acham que o sucesso ministerial é o número de gente, que o pastor acha que é bonito as ovelhas não pensarem e somente se “enquadrarem” na visão proposta, gente que não tem voz, e acha que está no lugar certo, que acha que está num rebanho, mas na verdade está num curral – não passa de gado a ser contabilizado pelo lobo travestido de “ungidão”). Então, estava num lugar desses.

Daí em determinado momento, falou-se sobre batalha espiritual e quem não “repetisse a oração”, poderia estar endemoninhado, quem se sentisse “estranho, com sono, vontade de bocejar” e não repetisse a tal da oração por completo também poderia estar influenciado por forças malignas.

Perdão, mas eu devia estar “possesso” porque eu ri disso, e não foi pouco.

Então resolvi escrever aqui minhas impressões, porque daí a gente pensa junto, ninguém se sente ofendido, nem recebe como indireta.

Gostaria de pensar algumas coisas a respeito do termo tratado.

Batalha espiritual é toda e qualquer luta que a gente trava para sinalizar o reino de Deus. É quando fazemos alguma coisa em busca do Reino, para que Cristo seja conhecido, o evangelho propagado e algo efetivamente tenta nos impedir.

É também quando a gente pensa num projeto social dentro de um bairro carente, mas a maioria de um conselho local prefere pensar no acampamento, pois gera mais lucros.

Mesmo Deus dando orientação clara para a realização de tal ação, dando graça para sua consolidação, vem a negação, por politicagem, por acúmulo de capital ou por ser algo sem aparente retorno.

Batalha espiritual é quando algo se opõe à vontade de Deus, aos ensinos e princípios de Sua Palavra.

E como batalhamos?

Essa é a minha definição de missão.

Como é que o Deus Trino, Santo, Todo-Poderoso quer que você se envolva e sinalize o Seu Reino aqui na Terra? Como ser resposta ao caos que o mundo se encontra, e como fazer com que o evangelho não se torne somente uma mensagem ao “espírito”, mas seja uma resposta à realidade.

É assim que batalhamos.

Temo que nossa “batalha espiritual” dê “legalidade” ao inimigo, e prezo por um confronto que, na verdade, foi consumado na cruz do calvário.

Temo a batalha que nos faz cativos de comportamentos e não nos leve para a liberdade que Cristo nos libertou.

Temo a batalha que não toma sobre si o sangue do cordeiro, mas as obras da carne. Gente depravada fazendo por si mesmo algo que não traga malefícios para a sua própria pessoa. É incompreensível mesmo.

Temo o embate daqueles que gostam do Deus do antigo testamento, e do Deus apocalíptico, mas não reconhecem a batalha de Jesus, andando cheio de graça e de verdade no meio do povo, entre as ovelhas perdidas da casa de Israel.

Temo a batalha que me isole da realidade, enquanto o Cristo que é Deus está envolvido com os homens, e anseia estar misturado com o máximo de gente possível.

Temo a odisséia que me afasta da leveza, da graça, do amor e da certeza da Santidade daqueles que tem a Cristo, creram no seu nome e por isso receberam poder para serem chamados filhos de Deus.

Então, quando alguém falar para você que está endemonhiado por não repetir uma oração, ria por fora, pois você sabe que isso é um absurdo, mas chore por dentro, clamando a Deus para que esta pessoa saiba quem é Jesus e o que Ele faz nas nossas vidas.

Cristo sempre reinou, sempre reinará e não há nada que nos separe do amor de Deus que nEle está.

Que Deus te abençoe e mostre de que forma “lutar” pelo Reino, em nome e por amor de Jesus. Em amor.