Deus cochilou?

Muitos defendem, mas não vivem
o evangelho de Jesus Cristo.

É impressionante a nossa capacidade de desconfiar do caráter de Deus e querer resolver tudo na nossa maneira. Por mais que não temos a coragem de assumir, é isso que fazemos em muitas de nossas atitudes. Confiar totalmente em si e nas suas capacidades já é desconfiar de Deus.

Nós cristãos, nos sentimos quase que na obrigação de ter o impulso em tentar defender a reputação de Deus para os ímpios. Todas as vezes que alguém publicamente resolve se posicionar contra os valores da fé cristã, sempre tem alguém convocando todos para intimidá-lo.

Para alguns, parece que Deus cochilou e perdeu as rédeas do mundo. Não só isso como parece que Ele nos encarregou de brigar em seu nome para que o cristianismo não morra neste mundo. Parece que somos mais ativistas do cristianismo do que discípulos de Cristo.

Para os desavisados, já esclareço desde já, que a minha intenção não é transformar a fé cristã em algo sem vida, sem indignação, passional, inocente e inofensiva. Só um oportunista para chegar a essa conclusão.

Concordo que a igreja precisa estar cheia de cristãos maduros, em especial neste tempo em que há muitos novos convertidos sendo adicionados ao grupo de forma volumosa. Creio que o primeiro amor a Cristo é importante e traz para igreja um ímpeto sadio, mas as suas colunas e conteúdos devem ser construídos na maturidade proveniente do amor de Cristo.

Geralmente os “Defensores do evangelho” costumam se sentir generais de Cristo. E com todo o seu conhecimento, resolvem suprimir ao outro com a força da argumentação doutrinária, de modo que o outro seja esmagado. Já presenciei diversas vezes situações como essa e até protagonizei outras, mas notei que o caminho para manifestar a Cristo é outro.

Muitos defendem, mas não vivem o evangelho de Jesus Cristo. Estão mais preocupados em desbancar pontos de vistas contrários aos deles do que em expressar as virtudes do Reino de Deus. As boas novas são abandonadas pela simples notícia que constata a realidade infernal, sem que a tônica da mensagem  seja a gloriosa obra de Cristo. Um cristianismo que embora intitulado cristocêntrico é na verdade “Eumesmocentrico”, e por consequência, “infernocentrico”.

Devemos sim buscar a solidez da igreja por meio da firmeza da fé, preservando-a contra os recursivos ataques de hereges e infiéis, e seguindo na conquista de novas lugares para Cristo, mas o evangelho não quer apenas ataques e defesas, mas precisa ter em mente que Deus sempre é seu próprio escudo. Ninguém defende o Evangelho melhor que o próprio criador e sustentador dele.

Precisamos saber que o evangelho tem que ser perseguido para que seus efeitos sejam reais na maturidade cristã. Não devemos fugir da tormenta da cruz, porque foi exatamente isso que Jesus propôs a quem quisesse o seguir para a vida eterna. Nosso compromisso não é acabar com todas as coisas e pessoas que se coloquem na frente do cristianismo, pois devemos enxergar que aí está a oportunidade de revelaremos a Cristo em nossa vida. Pense bem,  se acaso nós não defendermos o evangelho, o cristianismo vai acabar ou Deus vai perder a batalha pra Satanás?”

Deus não cochilou. Quem defendeu o Evangelho foi Jesus numa cruz que encerrou de uma vez por todas a força de Satanás, e inaugurou em nós a condição de serem feitos filhos de Deus. Com isso, neste tempo não podemos militar com armas deste tempo, mas manifestar o Reino de Deus na forma que possamos apresentar os nossos corpos em “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional.” (Romanos 12:1). A arma de Cristo é o seu amor encarnado e não dito. A arma de Jesus não foi suas palavras, mas foi a coerência entre o que dizia e que Ele era, sabendo sempre que todas as coisas vinham do seu Pai.  Nos defender de que? De quem? Deus não poupou seu Filho, mas enviou para que seu evangelho brilhasse de uma vez por todas.

Que possamos em 2014, cada dia mais ser uma igreja que se oferta ao martírio e sabe da honra que é entregar sua vida por amor de Jesus, não como uma ação de altruísmo ou para tentar imitar a obra de Cristo, mas porque foi atraído pela pelo seu amor e chegou a mesma conclusão que Paulo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” Filipenses 1:21

Murillo Leal é jornalista e escreve também no blog Crerpensando.
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