Deus, o Pai de filhos mimados

“Suportem as dificuldades, recebendo-as como disciplina; Deus os trata como filhos. Ora, qual o filho que não é disciplinado por seu pai?” (Hebreus 12.7). “Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.”(Salmos 103.13).

​Na bíblia existem algumas analogias para descrever o relacionamento entre Deus e a humanidade, são elas: Pai e filho, noivo e noiva, pastor e ovelha, dentre outras. Essa é uma maneira do homem ter uma pequena compreensão, dentro de sua visão limitada de como Deus se relaciona com ele. Olhando sempre sob a perspectiva de que o amor de Deus não se compara ao amor de um pai, mas o amor do pai que é comparado ao amor de Deus. Deus é perfeito e é o próprio amor, o homem por sua vez é imperfeito e reflete o amor que lhe foi dado.

​Mas há ainda outra analogia mais peculiar de relacionamento entre Deus e os homens, que é o de Super Protetor, (essa eu não encontrei na bíblia, apenas nas minhas observações), esse deus é um pai sempre disposto a atender os caprichos de seus filhos mimados, que exigem, declaram e reivindicam aquilo que entendem que é seu por direito. São os chamados “filhos da promessa” que não aceitam passar por nenhum problema ou humilhação porque se acham melhores que o restante da humanidade e acima das leis naturais que regem o planeta.

São aqueles filhos mimados de Deus que não aprenderam a perdoar porque aguardam ansiosamente pelo dia da vingança de Deus sobre seus inimigos, que não aprendem a ter paciência, pois entendem que o momento da sua vitória é agora, também não aprendem a tomar decisões porque acreditam que Deus lhes desenhará a solução diante de seus olhos. Não aprendem a perder porque são mais que vencedores.

São aqueles filhos de Deus que não aceitam um não e acham que se ainda não deu certo o que tanto queriam é porque não oraram, ou melhor não reivindicaram o suficiente, querem seus desejos atendidos a qualquer custo e pouco importa o que Deus acha a respeito, afinal, “tudo que pedirem em meu nome eu farei”. Que visão mais confusa a respeito de Deus!!!
Seria mesmo Deus um pai super protetor que negaria a seus filhos a oportunidade de crescer em meio às dificuldades da vida e tirando a responsabilidade deles por seus próprios erros? Acho que não.

Deus é um pai sim, não um pai mesquinho que tem prazer em punir seus filhos, mas também não é um pai inconseqüente que satisfaz os desejos mais egoístas dos seus como forma de agradá-los ou protegê-los.

Sei que pode parecer jargão, mas é a mais pura verdade: Deus não remove as dificuldades da sua vida, mas sem dúvida Ele está presente te ajudando a passar por cada uma delas. Enfrentar os problemas que nos sobrevem com a coragem e a certeza de que não estamos sozinhos, nos faz amadurecer enquanto pessoas, a medida da semelhança de Cristo. Isso molda o nosso caráter.

Remover os problemas, como as vezes gostaríamos, nos transformaria em pessoas frágeis com pouca vivencia e até incapazes de compreender as dificuldades dos outros e nos compadecer deles. Pior ainda, poderíamos cair no erro da superioridade, achando-nos mais especiais ou mais queridos que os demais, alegando que a “marca da promessa” garante que nossos desejos sejam atendidos, aí ao invés de nos tornarmos maduros e semelhantes a Cristo, estaríamos nos tornando crianças mimadas e incapazes de sofrer uma rejeição, nos jogando no chão, fazendo birra e berrando até sermos atendidos.

Um pai amoroso sabe exatamente o momento de intervir para proteger seu filho e quando recuar para não superprotegê-lo.

Assim é Deus, e Ele sabe muito bem a diferença entre necessidade e capricho, Ele prometeu suprir nossas necessidades e não nossos mimos.

Mas será que Deus não pode simplesmente afastar a doença, o problema, a crise financeira ou qualquer outra coisa que esteja no meu caminho? Claro que Ele pode, Ele é Deus e faz o que quiser e sei que há momentos em que Ele bem fará isso mesmo, mas em outros, e sei que na grande maioria deles, ao invés de afastar o problema, Ele se aproxima de nós, e não é preciso decretar, exigir ou reivindicar que Deus é conosco, porque Ele não se aproxima pelo poder de nossa palavra, mas pelo amor que tem a você e a mim.

Deus não age do jeito e nem pelos motivos que queremos. Ele é grande demais para se moldar a nossa forma, não segue um padrão de “faça isso que acontecerá aquilo” ou melhor, Ele segue o Seu próprio padrão, mas o que importa realmente é que Ele é Pai e que nos ama em todo tempo, e mesmo não atendendo aos nossos caprichos, não nos desampara.

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