Discipular, santificar e amar.

De um modo geral, discipular para a maioria da Igreja significa levar as pessoas para nossa “igreja” e ensiná-las sobre a doutrina para que sejam mais algumas no meio da multidão de membros. Cremos que fazemos discípulos quando simplesmente ingressamos alguém de outra religião ou sem religião em parte do nosso roll de membresia. Acreditamos que isso é o suficiente para apresentar o Reino de Deus ao mundo.

É por isso que nós vivemos tentando mudar as pessoas que antes amavam o mundo em aprendizes dos nossos trejeitos e costumes. A gente não está preocupado em transformá-las segundo Jesus, promovendo nelas a liberdade de quem foi convertido de dentro para fora. A gente se contenta simplesmente  se falarem, se vestirem, comprarem, comerem, ouvirem e viverem segundo os nossos “padrões de santidade”. E assim, nos satisfazemos em encapar as pessoas com o papel da crentice. Se esse alguém aprender a se comportar como a gente gosta já é suficiente para nós o aceitarmos.

Isso é tão verdade que eventualmente confundimos nosso auditório da igreja com os filhos de Deus habitantes do paraíso. Confundimos nossos grandes templos com o lugar onde Deus mora. Confundimos nossa maneirar de cultuar com a exaltação do nome de Cristo.

A gente pensa que a igreja (prédio) é o lugar mais próximo do céu que existe.

Santidade também é outra coisa que a gente ainda não sabe bem do que se trata. Se formos pensar em linhas gerais, para a maioria de nós, santidade resume-se em “antes eu bebia e agora não bebo mais”, “antes eu era ruim e agora sou bonzinho”. Resume-se em arrancar os piercings e esconder as tatuagens, em deixar de ir a lugares e andar com pessoas para não ser visto pelo pastor, em cumprir com as cartilhas da maioria como um manual para atingir a Deus. Enfim, santidade é para nós simplesmente a abstinência de um comportamento que não fira a nossa ética comunitária. É a simples adequação a padrões de moralidade propostos pelo código de conduta evangélico.

Jesus, na parábola de Lucas 18.9-14, nos conta a história de dois homens, sendo um deles, um grande fariseu incentivador dos costumes da religião, e outro, um publicano vendido aos sistemas opressores e por isso mal visto pela maioria. Nessa história, Cristo nos ensina o que ter o coração em santidade.

O primeiro, estando cumprindo todos os requisitos para ser considerado “santo” e orgulhando-se de ter feito tudo que lhe foi ordenado, encheu seu peito para dizer que estava em dia com seus compromisso religiosos. Enquanto o outro, mesmo não tendo atingido o padrão imposto pela religião e não tendo a aceitação da maioria, enxergou-se como um pecador e reconheceu que lhe era necessária a misericórdia de Deus.

O que é santidade para este dois homens?

Bem, para o primeiro, o padrão de santidade dele é ser o melhor entre todos aqueles que se sujeitavam às regras. Ele acreditava que estava em posição melhor pelo que fazia. Acreditava que era mais bem-visto por Deus pela simples explicação de dar o dízimo com acréscimo, somada à quantidade de vezes que orava e jejuava, além de ser um servo exemplar do ponto de vista do esforço. Para este, a santidade era um lugar que se atingia pelo desempenho.

Já para o outro, não tinha seu relacionamento com Deus baseado na quantidade, nem na intensidade, mas, na verdade, e na sinceridade de como se via diante de Deus. Este sabia que a única régua pela qual ele poderia ser medido, era com a de Cristo, e sabendo que jamais o atingiria, colocou-se diante de Deus clamando por misericórdia. Para este, a santidade não era um local a ser alcançado ou conquistado, mas a iluminação de que somente em Cristo, ele poderia andar por seus caminhos.

Ao enxergarmos nossa condição miserável, temos o ponto de partida para andar com Deus.

Caso contrário, santidade será para nós apenas um caminho a ser trilhado que nos levará para o orgulho próprio. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, e nos conduza no caminho de aprender a cada dia a santidade que nos leva a discipular e amar as pessoas, tornando-as a imagem de Cristo e não da nossa própria e religiosa maneira de enxergar o que está ao redor. Não fazemos discípulos para nós, mas discípulos para Cristo.

Murillo Leal é jornalista , cristão e o pior dos pecadores resgatado por Deus por meio da Sua Graça.
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