E se Deus perguntasse: o que dizem de nós?

“E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou?” (Marcos 8.27)

Como as pessoas nos veem enquanto cristãos? Perfeitos, alienados, indiferentes, exemplo de vida, hipócritas, ladrões, amorosos, fanáticos, santos, santarrões, preconceituosos, normais, loucos?

Esses dias eu estava assistindo um vídeo, onde diversas pessoas eram entrevistadas na rua acerca do que pensavam sobres os Cristãos, Jesus e Igreja. Não posso dizer que fiquei chocada com as mais diversas respostas, infelizmente eu já desconfiava da maioria delas, mas confesso que ouvir assim de fora o que as pessoas pensam acerca dos cristãos e da igreja me deixou um tanto preocupada, talvez triste, acho que fiquei arrasada mesmo em ter por concreto aquilo o que eu apenas imaginava. Já quanto a Jesus, era admirado e respeitado pela grande maioria das respostas.

O meu questionamento, que não é de hoje, é porque as pessoas simpatizam tanto com Cristo, sua história, ideologia, seus ensinamentos, seu amor, mas rejeitam seus seguidores?

Onde temos de fato errado nos passos de sermos semelhantes a esse Cristo que pregamos? Não nos rejeitam por causa de nossa fé, não é porque somos semelhantes a Ele que estamos sendo rejeitados, é justamente o contrário, somos acusados de agirmos como se fossemos melhores que o resto do mundo, de sermos egoístas, de vivemos num gueto, de termos uma linguagem muito particular e esquisita e a verdade é que a maioria das acusações são verdadeiras.

Somos vistos como indiferentes à política, à economia do país, às necessidades dos outros e do meio ambiente. Enfim, indiferentes à maioria das coisas que não compõem de forma direta nosso “mundo”. Somos vistos como aqueles que pregam o amor, mas que não o vivem de fato.

Somos aqueles que pregamos a Cristo, seus princípios e valores, mas não o vivemos em nós.

Somos taxados de hipócritas por apontar o pecado da humanidade, mas não admitir o nosso próprio erro.

Temos dificuldade em levar um convidado à igreja no domingo ou a nosso pequeno grupo, mas o engraçado é que multidões seguiam Cristo para ouvi-lo, Suas palavras levavam as pessoas a sonharem com uma outra realidade mais justa, levava as pessoas a ter esperança e ideais mais elevados, Suas palavras transmitiam amor.

As pessoas ouviam a Cristo, mas resistem em nos ouvir.

Suas palavras eram apreciadas e as pessoas ficavam satisfeitas em ouvir, mas Ele não era um bajulador, que dizia coisas bonitas apenas para ser aceito, Ele dizia a verdade e era duro quando necessário, confrontava o pecado e mesmo assim Suas palavras não geravam ressentimentos, mas reflexão, conduzia às pessoas a mudança de vida e não a resignação.
Será que nossas palavras tem produzido efeito semelhante?

Algumas pessoas dizem que não se sentem a vontade perto de cristãos, e sabe por quê? Porque acreditam que vão ter suas falhas apontadas uma a uma e serão condenadas por pessoas que se julgam mais santas e melhores do que elas. Será que elas tem razão?

Alguns não se sentem bem com cristãos porque, de acordo com eles, estes não costumam ser pessoas sociáveis, que não sabem se divertir e que não gostam de participar de eventos que não estão ligados ao seu universo particular.
Mas ainda assim as pessoas se aproximavam de Jesus e o convidavam para festas, Ele tinha amigos que não se resumiam a seus discípulos ou as pessoas que pensavam exatamente como Ele.

Quantos de nós se parecem com Cristo? Quanto de nossas ações condizem com nossas palavras? Será que não estamos brincando veladamente de faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço? Isso é perigoso, pois faria de nós hipócritas. Será que é por isso que as pessoas admiram Cristo, mas nem tanto os cristãos?

Quantas vezes será que temos usado a desculpa de falar a verdade para apontar o dedo na cara dos outros e condená-los. Somos precipitados para acusar e tardios para demonstrar compaixão e ainda chamamos isso de senso de justiça. Não é por menos que as pessoas nos rejeitam. E assim, aos poucos fechamos as portas para que conheçam o verdadeiro evangelho.
Se hoje encontramos dificuldades para falar livremente sobre nossa fé sem que nos taxem de chatos, inconvenientes, insistentes e falsos, é possível que outro “pequeno Cristo” tenha imprimido antes de nós, uma imagem equivocada do que é ser um verdadeiro seguidor do Mestre amado.

Por favor, não façamos o mesmo.

Acredito que a forma que agimos é bem mais importante do que aquilo que falamos. Nossa eloquência não serve de nada diante de nosso caráter. Nossas ações devem ser bem mais cristãs do que os versículos que citamos, mas que não vivenciamos, isso se quisermos de fato mostrar quem somos.

Quando formos conhecidos por nossos atos de amor ao próximo, as pessoas perceberão Cristo em nós e seremos reconhecidos por Sua vida manifestada na prática e não apenas pelo duvidoso evangelho que pregamos.

A minha intenção com este texto é que façamos uma reflexão. É um chamado a uma auto-análise, para que assim possamos receber a resposta de onde temos errado e porque temos refletido uma imagem sendo discípulos, tão diferente da do nosso Mestre Jesus.

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