E ser cristão muda alguma coisa?

O termo “cristão” apareceu pela primeira vez na história durante o primeiro século, nos primórdios da igreja primitiva. Essa experiência, de ter uma nova nomeclatura ou classificação, é dada para contar a história dos apóstolos, os discípulos de Jesus durante o começo da vida da Igreja.

Não é novidade que esse apelido atribuído aos discípulos de Jesus hoje em dia não recebe a mesma importância que recebeu na época de sua primeira utilização, aliás, quando comparado aos primeiros cristãos, aqueles que recebem esse nome hoje, ainda mais os ditos “evangélicos”, causam contrariedade ao sentido empregado pela primeira vez.

Cristão era o nome dado àqueles que se apresentavam como pequenos cristos. Ou seja, o cara era tão parecido com Jesus que era indignamente (é claro) chamado de Cristo, ou seja, via-se Cristo por meio daqueles que criam em sua mensagem.

Você sabe o que significa um apelido? Você sabe o porquê eles são dados?

Apelidos dentre outras coisas são para a evidenciação de uma característica clara das pessoas. Imagina o conteúdo dos cristãos do primeiro século para que fossem confundidos ou apresentados como o Cristo em vida aqui na terra. Imagina a vida que esses caras levavam. Imagina o tipo de intimidade e temor de Deus que eram apresentados. A sua cosmovisão, seu jeito de ver e fazer a missão, a compreensão do reino, bem como o amor e o Senhorio de Cristo em todas as vidas que se lhes apresentavam.

Os discípulos, chamados cristãos, eram pessoas que caminhavam com Deus e tinham algumas características que evidenciavam isso. O texto de pentecoste me ajuda muito na localização delas. Atente-se comigo:

Oravam para tomar suas decisões (Atos 1:24);
Entendiam a centralidade de Cristo no meio da manifestação de “poder espiritual” do dia de “pentecoste” (Atos 2:22-24);

Abre parênteses. Aliás, até aqui, nesse momento, pentecoste significa 50 dias passados da páscoa judaica, e não tinha nada que ver com uma manifestação, dons ou revelação espiritual. A partir daqui é que ser “pentecostal” ganhou o sentido própria ou impropriamente devido de “espiritual” ou de “poder de Deus”. Fecha parênteses.

Criam e testemunhavam da ressureição e do Senhorio total de Cristo em meio à manifestação do Espírito Santo (Atos 2:32-36);
Anunciavam o arrependimento e a esperança aos que ainda não conheciam do evangelho (Atos 2:37-41);
Perseveravam no ensino sério, na vida comunitária e vida de oração (Atos 2:42 e 46);
Dessa forma eram impactantes e faziam o Reino de Deus conhecido, caiam na graça do povo (Atos 2:47).

Assim, de acordo com o segundo capítulo de Atos, os discípulos eram apaixonados por Jesus, e isso é sinal de avivamento espiritual. É por ser mais semelhantes com Cristo que o Espírito Santo e o poder de Deus nos visita. Eles queriam mais de Deus, deixando o Deus encarnado viver através da vida deles, queriam que o reino fosse sinalizado, queriam que Deus fosse conhecido através deles.

A preocupação essencial de cada discípulo era deixar-se tomar por Deus em sua ação graciosa para que quem os visse compreendesse quem era o Senhor da vida deles e o que isso implicava em suas rotinas, em sua vida, em todas as áreas.

No pentecostes vemos em primeiro lugar a ação sobrenatural de Deus; seguida de uma aceitação de que isso só é admissível em Cristo; E que a proclamação do senhorio e poder de Jesus sobre tudo é necessária para novas conversões.

Além de tudo isso, eles ainda permaneciam juntos para ensinarem e aprenderem juntos o caminho por onde se deve andar e se aproximar de Deus, mostrando ao povo que o convívio (comunhão) era parte fundamental da vida do cristão. Mostrando a bênção do compartilhar e caminhar juntos em todas as situações.

Graça e paz. Que Deus te abençoe. Em amor.