Ele pode estar vindo

“Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres. Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água. E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.”

João 5.2-3,5

38 anos. Do alto dos meus humildes 25 anos, não consigo mensurar esse tempo. O que dá pra se fazer em 38 anos?

A bíblia conta a história deste homem, aleijado, que passava seus dias deitado num lugar repleto de outros doentes. Não sabemos se ele nasceu doente ou qualquer outro detalhe da sua história. A única coisa que sabemos é que durante 38 anos ele permaneceu assim. Deitado, sem poder andar.

Hoje em dia é muito comum vermos as notícias sobre como ainda é difícil a vida das pessoas que tem alguma deficiência motora grave. Ficamos condoídos (e com razão) quando vemos as limitações de acessibilidade para os cadeirantes.

Agora imagine a vida de um aleijado a cerca 2.000 anos atrás. Numa sociedade pautada no trabalho, onde não há previdência nem ajuda do Estado e quem não podia trabalhar por si só vivia de pedir esmolas. E lá estava este homem. Sem poder cuidar de si mesmo, provavelmente sem família, amigos, sem um nome, sem uma história. Deitado, mendigando não só seu sustento mas também dignidade e significância.

“E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?”

João 5.6

É quase surreal essa pergunta de Jesus não? Ao olhar para aquela condição miserável, Jesus pergunta ao homem se ele quer a cura. Estranho. Mas mais incrível ainda é a resposta do homem:

“O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.”

João 5.7

Eis aí o abandono da esperança. Ele não respondeu a pergunta. Jesus perguntou se ele gostaria da cura. Ele respondeu elencando os motivos pelos quais nunca seria curado.

Hoje, pode ser você. Não sei há quanto tempo você está deitado, sem esperança. Há muito tempo acostumado já com sua condição que nem ora mais.

Por vezes nós sabemos explicar exatamente porque nossa condição é impossível de ser solucionada. Não adiantar mais orar por aquele filho que está longe. O câncer já foi longe demais. A dívida só aumenta. Nossa relação é irreparável.

Já faz muitos anos.

Não desanime. Pode ser que você esteja deitado, prostrado na sua miséria acreditando que já que se passaram 38 anos, não há mais saída. Meu irmão, Cristo pode estar vindo hoje em sua direção pra lhe perguntar se você gostaria de ser curado.

Não desista. Persevere! Se o dia chegar em que o mestre vai lhe perguntar se você deseja ser curado, diga com confiança: sim, Senhor! Tem misericórdia de mim.

Pode ser que a resposta seja: tome teu leito e anda. Então, salte!