Em favor do reino, dentro e fora do templo

Acredito que grande parte das pessoas já deve ter imaginado que sua passagem na terra tenha um significado maior que apenas cumprir seus dias de vida. Algum tipo de relevância em sua existência a fim de contribuir para que o mundo se torne um lugar melhor de se viver, ou talvez colaborar de alguma forma para o bem dos outros. Alguns chamam isso de missão, outros de ministério outros mais de dom. Mas seja como for, a verdade é que por mais que não façamos nada a respeito, sentimos que temos talentos e peculiaridades que poderiam ser aproveitados não apenas em nosso beneficio próprio.

Nas comunidades chamamos de “ministério”

Nas comunidades cristãs chamamos comumente de ministério, e ministério está voltado para servir as pessoas, não é usado para engrandecimento próprio, como uma promoção social, mas como forma de edificar os que estão em nossa volta. Erroneamente algumas pessoas pensam que só exercem seu dom dentro da igreja, mas não é verdade temos muito para fazer em toda e qualquer parte, trabalhando em favor do reino dentro e fora da igreja.

Algumas pessoas têm um chamado ou ministério mais especifico, e o atende, às vezes abandonam todo o resto porque nada mais faz sentindo se não realizar aquilo que elas acreditam ser sua missão. Veja o exemplo de pessoas que partem rumo a países extremamente pobres para servir na cruz vermelha, ou aqueles que vão para aldeias longínquas para levar medicamentos e vacinas aos habitantes de lá, veja exemplos de missionários que vão a lugares hostis levando as boas novas. Outros ainda vendem tudo que tem em prol de uma causa e de pessoas carentes e dedicam sua vida à caridade. São pessoas especificas e com chamados bem específicos também.

Certamente você vai lembrar-se de vários nomes conhecidos, de pessoas que ganharam prêmio Nobel da paz e outros mais. Porém quero te lembrar que existem muitos e muitos outros que estão no anonimato, que morreram sem ter seu nome conhecido por multidões, principalmente porque ministério e sucesso ou reconhecimento não são sinônimos.

Cumprindo o chamado

Você pode salvar a vida de milhares de pessoas como no caso de Oskar Schindler, ou ajudar muitas outras e ter reconhecimento assim como Madre Teresa, mas pode simplesmente ajudar uma pessoa a mudar o rumo da história da vida dela e mesmo assim saber que está cumprindo sua missão. Você pode compor músicas que levam as pessoas para mais próximo de Deus, como pode alimentar com sopão moradores de rua e mesmo assim está cumprindo seu chamado. Talvez você evangelize multidões ou então aconselhe aquele seu colega que está em constante crise existencial e mesmo assim está fazendo aquilo para o qual foi chamado, pode estar dançando Hip Hop ou ensinando a bíblia a criancinhas e estar cumprindo seu propósito.

Se você puder contribuir para pelo menos tornar a vida de uma pessoa melhor, seja com a sua música, ou com sua pregação, seu cuidado, ou mesmo com um conselho você poderá estar cumprindo seu chamado.

O sucesso no ministério e na realização do seu chamado não é medido pela abrangência de pessoas que você irá alcançar ou no reconhecimento que você terá mas tão somente em você cumprir o seu papel, fazer aquilo que você sabe que pode fazer, contribuir de acordo com suas particularidades. Fazer aquilo que você faz de melhor, realizar aquela paixão que te move e que pode ser usado para o beneficio de outros. Ministério é bem pessoal, tem a ver com seu próprio estilo também. Você pode ter o ministério semelhante ao de alguém e mesmo assim desenvolvê-lo de uma forma totalmente diferente, isso é normal e faz parte da criatividade de nosso Criador, afinal somos todos diferentes, nada mais comum que ter formas diferenciadas de realizar, e isso não te faz melhor ou pior que ninguém.

Ministério tem a ver com autoaceitação também, se aceitar sem a necessidade de se comparar com o outro, é reconhecer suas peculiaridades e usar isso em favor do reino, das pessoas. Ministério é fazer o melhor que você pode dar de si, mesmo que não haja plateia para reconhecer isso. E por falar nisso, não é o aplauso, o reconhecimento ou a fama que deve nos motivar.

Não vão ser as críticas que vão te fazer desistir de seu chamado nem muito menos os aplausos que vão te guiar, mas a convicção de que o que você está fazendo é direcionado pelo amor de Deus por você, que por sua vez impulsiona o seu amor e cuidado com as pessoas. Nossos dons pessoais e nossos talentos não são para nós mesmo, mas para o próximo, e o próximo é aquele que necessita de nós nesse momento.

O cumprimento de seu chamado, através de seu ministério é a expressão de seu amor pelas pessoas, e se não for dessa forma será apenas mais uma função que você assume, vazia de significado.

“Ainda que eu tenha o dom de profecia, saiba todos os mistérios e todo o conhecimento e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá.” (ICo 13.2-3)

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