Em tempos de guerra, quem faz paz é a revolução

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Não é comum hoje em nossas comunidades de fé ver gente que ama a igreja. E não é mesmo. De uns tempos para cá, cerca de uns cinco anos, ou mais talvez, a  moda é difamar, criticar e acabar com tudo. Não desejar transformação na comunidade, não chorar pelos que choram e muito menos se alegrar com quem se alegra.

Por outro lado, se torna cada vez mais comum a gente perceber gente que ama a si mesmo. Pessoas que amam a sua reputação, amam o seu chamado, amam até mesmo o seu ministério. Gente despreocupada com compromissos firmados em sua vida e rompem as relações como se elas nunca tivessem sido sustentadas pelo sacrifício de Jesus na cruz.

Gente que no fundo, não se vê parte do problema, muito menos da solução dos conflitos da comunidade. Se trata de quem só tem o prazer garantido em enxergar os defeitos, e apontar pseudo-soluções de quem nunca caminhou com ninguém, mas reclamou de todo mundo.

Eu cansei dos cansados

Mas, sabe, eu cansei bastante de gente assim. Cansei dos de sempre. Os irmãos que sabem tudo, mas na prática, não fazem nada?! Os irmãos que se cansam das falhas da igreja, mas não tem coragem de serví-la, somente covardia para abandoná-la.

Usam do seguinte raciocínio: se está tão ruim assim, devo sair. Não se prontificam a servir e fazer de realidades carentes de pessoas envolvidas, um lugar melhor e habitável para todos os corações. Mas tornam dos ambientes que só recebem reclamação, um local inóspito ao invés de ceder apoio, oração, serviço e amor. Se prontificam a manter-se na criticidade paralisada ao invés do serviço comprometido.

Assim, você não está ajudando a comunidade, mas prestando um desserviço ao Reino e ao dono da Igreja. Não trabalhando com nada, mostrando-se se de fato o que é, literalmente: um menino na fé, mantendo-se imaturo no seu comodismo travestido de pseudo-intelectualidade!

O Reino de Deus é um reino onde Cristo é rei e a igreja é Sua noiva, sua rainha. Cristo voltará para buscar uma noiva, comunidade, gente junta em vínculo de amor e serviço a Deus e ao próximo na terra. Aliás, o serviço ao próximo é a característica principal da noiva de Cristo na Terra.

Se você não se enquadra nesse time, provavelmente precisa de arrependimento, perdão e inserção na comunidade local. A comunidade certamente tem espaço pra você.

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E de quem Cristo está à procura?

Dos amáveis. É… Gente que sabe da podridão de si mesmo, dos relacionamentos e principalmente da instituição; reconhece a presença dos interesses políticos, das maquinações estritamente administrativas e financeiras em várias das decisões tomadas pelas lideranças institucionais; e que reconhecem os orgulhosos que desempenham o papel de liderança, que notam com sensibilidade a arrogância de uns frente aos irmãos de fé e a indiferença de outros frente ao preço pago na cruz de Cristo pela vida dos nossos queridos.

Contudo, esses simplesmente não querem viver acusando a cada erro e falha cometida. Eles escolhem amar os desprezíveis, pois como desprezíveis que são, reconhecem o amor de Cristo por si mesmos, e não sabem reagir de outra maneira a não ser amar.

Não sabem lidar com as mágoas enfrentadas, a não ser perdoar. Não querem ganhar as discussões, mas compartilhar a vida, e perceber que o outro pode estar enxergando aspectos do mesmo problema que eu não vejo.

Os amáveis não são covardes por se aquietarem, mas são corajosos, e desejam ser responsáveis. Sim, eles se aquietam para que aprendendo com os bons exemplos, e sofrendo junto com os erros, possam em algum momento serem notados como gente preparada por Deus para orientar o povo pelo qual Cristo derramou seu sangue.

Os amáveis são as pessoas que sofrem, esperam e crêem, e farão diferença gigantesca na comunidade, pois percebem que são responsáveis pelos problemas que enxergam, responsáveis pela sua resolução.

Temo ser simples, e ser confundido com simplista. Temo ser resumido, e ser compreendido como alguém sem profundidade ou conteúdo. Na verdade temo esse monte de coisas juntas, que pra mim, seriam inadmissíveis. E outras tantas, pra tantos irmãos, algo tão mais grave, simplesmente, não atribuo valor nenhum.

Subversão é amar o desprezível, mesmo que esse esteja em uma posição que não seja esperado que ele erre

Só não vejo razão para a subversão dos subversivos que esperam compreensão e misericórdia, mas não compreendem e nem perdoam. Desejam ser ouvidos, mas não ouvem. Aconselham mas não são aconselháveis. É essa galera “independente” que forma uma opinião representativa de gente que busca fundamento para suas fugas de caráter denunciadas pela comunidade local. Gente que no fundo, sabe dos abismos da alma, mas não desejam observar e tratar a nenhum deles através das pontes dos relacionamentos saudáveis proporcionados por Jesus de Nazaré.

Quero ouvir gente doce, que inspira vida, que valoriza o Reino. Gente que se alegra num abraço, celebra a vida, que em tudo enxerga comunidade, amor, lucidez. Mesmo que num deserto, valoriza os pequenos oásis de refresco, e chama a todos para compartilharem juntos daquele que é cabeça, Jesus de Nazaré.

Cansei de acidez que me gera questões intermináveis. Prefiro o amor, que me reconcilia com o indesejável, mesmo que fosse indesejável, e causador de prejuízos para mim. Quero trocar a intelectualidade pela simplicidade. Uma exclui bastante gente da mesa por sua incapacidade, outra faz todos se sentirem a vontade, confiados no sacrifício daquele que satisfaz a perfeição exigida por Deus. E nos faz perceber que o Reino agrega à todos que venham considerar a Cristo tudo.

Não é o grito de quem grita com indignação hoje que me incomoda. É o silêncio de quem sofre a anos em serviço amoroso, verdadeiro e dedicado.

A comunidade local, chamada de institucional, pode não ser a melhor representação da comunidade de Jesus de Nazaré. Mas o milagre não é reconhecido pela sua facilidade em acontecer, mas justamente pela improbabilidade de ser ocorrido.

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Prefiro acreditar no milagre, que no fundo, só o Espírito pode realizar em nós: o de viver comunidade. E nenhum lugar é mais propício para tal milagre que as nossas instituições históricas, tão criticadas e abandonadas hoje. Oro para que isso ocorra dentro das nossas denominações. Em nome de Jesus.

E aí, vamos juntos pro estouro?

Em amor e pelo amor.