Entre a Bíblia e a bíblia

“Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”. (Salmos: 119.11)

Não sou do time dos “reformólatras” anônimos. Também não sou do time dos liberais. Não sou do time dos puritanos, nem dos libertinos. Não sei nem se posso ser enquadrado em algum desses grupos contemporâneos “gospel” por aí.

Não sei ler a Bíblia “contra” alguém. Não sei mais ler a Bíblia para provocar, causar contenda e desconforto. Aprendi. A Bíblia não é um livro qualquer. Não, não é mesmo.

Uma das maiores, senão a maior conquista da Reforma Protestante, foi o livre acesso às escrituras onde todos tem o direito usufrui-la sem intermediários.

Contudo, dois probleminhas acontecem decorrente disso:

1. Nós confundimos livre acesso com livre interpretação.

Não nos contentamos em ler a Bíblia e deixar que ela dialogue conosco, queremos é ter nossas próprias interpretações, opiniões e basear nosso modo de vida advindos da nossa leitura particularizada. Todos estamos certos, e a Palavra de Deus é interpretada por um ser humano depravado (caído) e nos lotamos de doutrinas humanas que pouco ou nada tem que ver com Deus e sua revelação. Por aí estão todos estes movimentos emergentes dos nossos dias, presentes também nas redes socais, arrebanhando jovens adeptos que falam muito de experiências pessoais e pouco de Deus; enfatizando muita obrigação e pouca vida em abundância.

2. Nós confundimos uma boa interpretação da Palavra com sermos donos da verdade.

Aqui se encaixam os “reformolátras”, que são fascinados por línguas originais, comentários bíblicos, e os fariseus do tempo de Jesus. São gente que desaprendeu o respeito ao ser humano negando a revelação subjetiva (pessoal) de Deus à cada ser humano. Partem do princípio que o Deus Trino e Santo tem de se apresentar da forma que Ele compreendeu e assimilou. Se de um lado lutam contra as heresias, e falsos profetas, por outro lado promovem a si mesmos como os conhecedores do “bem” e do “mal”. Os corretos acima de tudo.

Não me encontro em nenhum dos dois lados, se no primeiro, o “Espírito Santo” é quem ensinará, no segundo, é esse “Espírito” que nos deu inteligência para estudar e compreender o que o Senhor deseja.

Oro para que a bíblia volte a ser a Bíblia no coração da igreja brasileira.

Espero que os textos sejam direcionados e selecionados pelo Espírito Santo, e estudados com afinco pelos pregadores. Mas que esses se submetam ao Pai dos céus que ainda age no nosso meio e tenham o anseio de que, o Todo-Poderoso fale com seu povo, mas em primeiro lugar ao seu coração e não somente às mentes.

Que nós tenhamos a sabedoria para reconhecermos que por muitas vezes um único versículo falará ao nosso coração, sem segundas opiniões, mas por Graça, o Deus Santo e gracioso orientando seu povo na, e através da Palavra (que defendi outra vez no texto “O Deus que encontro em Cristo“, ser o Filho do carpinteiro).

Que Deus te abençoe.
Em amor e temor.
Graça e paz.