Estou voltando para a Cruz

Eu estava indo. Sei lá para onde, mas eu estava indo. A multidão estava me atraindo. A ganância estava me carregando. O medo estava me coagindo.

Já acreditei que orar por mais tempo me deixava mais perto de Deus, mas descobri que a quantidade não é o que importa, e que relacionamento não é intensidade, é verdade. Eu já acreditei que se eu não levasse o dízimo na igreja, alguma coisa ruim ia acontecer e eu ia comprometer meu salário ou que ficaria doente tendo que gastá-lo todo com isso.

Já acreditei que sentir Deus é estar arrepiado, chorar, gritar e fazer performances durante o louvor, mas acordei para a realidade de que isso é só um teatro para aparecer. Que senti-lo é diferente de frenesis.Eu já, pateticamente, fiz “atos proféticos” como se o evangelho fosse uma mágica para acontecer, mas descobri que atos humanizados em prol do outro é melhor que essa bombagem simbológica toda.

Eu já acreditei que o meu jejum era uma greve de fome para conquistar coisas da parte de Deus, mas percebi que Deus não troca sacrifícios por benefícios. Já acreditei que para ser amado por Deus, eu tinha que surpreendê-lo cumprindo todos os mandamentos a risca e que quando eu vacilava ele estava irado comigo, mas descobri que o problema não é não contar mentira, é ser mentiroso, que não era não ser um assassino, mas é parar de amar.

Já acreditei que entre mim e um estuprador existia uma grande diferença moral, e que Deus não estava nem aí para essa gente, e que me tinha como preferência nos seus planos porque eu estava ambientado com a igreja cumprindo todos os ritos e cerimoniais da religião, mas descobri que sou tão hipócrita quanto, tão estúpido quanto, e que me é necessário a misericórdia Dele atuando em mim.

Eu acreditava que evangelizar era fazer com que todos se tornassem evangélicos e fossem na minha igreja, mas descobri que é possível existir mais de Deus fora da igreja do que dentro dela.Eu já acreditei que o amor de Deus dependia das coisas certas que eu fazia, mas descobri que sua Cruz cobriu todas as minhas transgressões e Nele eu já nasci novamente.

Eu estava indo, sem pensar, sem questionar-me, sem indagar, sem perceber, sem enxergar, sem notar, sem ter coragem de arriscar retornar, mas quem me converteu foi o sangue de Jesus. O sangue do Cordeiro me colocou diante de mim mesmo e me apresentou a verdadeira santidade que só é encontrada em Cristo, para que eu pudesse sair de trás do biombo da religião e me olhar como um miserável que sou e depender de Jesus para ser, amar e existir.

Voltando para a Cruz

Eu estava indo. Mas to voltando. Voltando para a Cruz. Lugar de onde não deveríamos ter saído. Lugar de desconforto, mas de verdade. Lugar de escárnio, mas de amor. Lugar de rejeitados pela religião, mas ao lado do Rei dos Reis.

A todos que ainda estão indo… Espero um dia vê-los aqui, desfrutando do colo do Pai de amor sem medo de se enxergar, sem medo de se sentir, sem medo de se esconder. Espero vocês aqui na luz, onde ninguém precisa se esconder atrás de religião nenhuma. Bem aqui, onde só está você e o Pai. Bem aqui, onde você pode ser você, e Ele ser  Ele. Bem aqui, na cruz de Cristo eu e ele nos encontramos e aqui quero permanecer.


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