Homens, falem sobre vocês ou morram!

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Os homens precisam parar de morrer. Não é novidade para ninguém que o mundo tem mais mulheres do que homens, assim como não é novidade para ninguém que os homens morrem muito mais do que as mulheres. Também pudera, as mulheres sempre foram mais inteligentes, espertas e cuidadosas com a sua saúde.

Um exemplo que aconteceu aqui dentro de casa: minha esposa descobriu dois pequenos problemas em sua saúde, um dermatológico e outro hormonal. Ela não titubeou, marcou consultas com especialistas, fez exames, comprou remédios e seguiu tranquila em seu tratamento. Enquanto isso, desde 2011, fiz alguns exames e nunca fui buscar os resultados, talvez por medo ou por causa daquela sensação de que “não tem necessidade”.

Entre 1960 e 2006, a sobremortalidade masculina “cresceu muito”, de acordo com o IBGE, principalmente na faixa dos 20 aos 24 anos de idade: em 1960, a chance de um homem com 20 anos de idade morrer antes de passar para o grupo etário seguinte (25 a 29 anos) era 1,1 vez maior do que a de uma mulher do mesmo grupo etário. Em 2006, a chance masculina aumentou para 4,1 vezes.

Poucas igrejas tocam no assunto dessa “epidemia” de morte masculina. A maior parte das doenças contraídas pelos homens é de natureza psicossomática, ou seja, problemas psicológicos (da psique), que, não tratados corretamente, passam a refletir no corpo (soma). Trazendo para o popular: uma boa parcela dos homens que estão morrendo são acometidos por esse fato porque não conseguem falar de si, dos seus problemas, das suas angústias. E isso acontece por um fato simples: os homens ‘precisam’ passar a imagem de super-heróis, pois foram ensinados de que “homem não chora” e que “devem honrar o que tem entre as pernas”.

Não faz muito tempo que vi uma entrevista com uma psicóloga da Unifesp dizendo que esse ato de guardar para si os sentimentos e reprimir dor pode, sim, causar sintomas de doenças físicas, como úlcera, hipertensão, alergias, asma, estresse e, a longo prazo, câncer.

A síndrome de super-heróis que acometem os meninos parece não ter outro tratamento a não ser a conversa. Quantas mães, namoradas e esposas sofrem por ainda não terem conseguido ‘decifrar’ aquele cara que todos os dias chega em casa e fica em silêncio, com a cabeça longe e o coração vazio.

Os caras que não são da igreja distraem-se com recursos tóxicos. Os meninos da igreja distraem-se com pornografia, glutonaria ou, até mesmo, enchendo a rotina com programações religiosas. Os caras que não são da igreja dão um ponto final ao sofrimento cometendo suicídio. Os meninos da igreja jamais dão um ponto final, mas convivem boa parte de sua vida escondendo uma depressão ou outros problemas mentais atrás de uma máscara de pessoa bem-sucedida, que nunca chora e está sempre feliz, cheiroso e bem-arrumado.

No fundo, no fundo, todos esses homens sofrem com a solidão, não pelo fato de estarem sozinhos, mas por não terem com quem conversar. Já falei aqui e volto a repetir: o suicídio real demonstra uma solidão sem fim; no entanto, a solidão é uma espécie de suicídio da alma.

Aos meus queridos leitores que não expressam a dor, não choram e vivem com o constante medo de fracassar, preciso dizer que Deus nos ama sem cobrar desempenho. Sim, mesmo quando não alcançamos êxito, continuamos alvo do amor furioso do Pai. Ao contrário da grande maioria das pessoas, Deus não desiste dos malsucedidos.

Sempre que escrevemos textos sobre esses assuntos aqui no MVC, nossas caixas de e-mails lotam de pessoas querendo desabafar conosco. São sempre bem-vindas, mas eu gostaria mesmo de encorajar você a procurar alguém aí perto, a quem você possa abrir o coração, olhar nos olhos, abraçar, orar de mãos dadas etc. Em outras palavras, converse com alguém de carne e osso e não alguém virtual. Sei que é mais fácil digitar do que falar, mas faça o esforço de abrir o seu coração o suficiente para reconhecer pessoas de confiança à sua volta. Escreva para nós em último caso, mas, pelo amor de Deus, não deixe de falar de si e de colocar para fora o que lhe aflige.

E você? Por que ainda não fala sobre si com os outros?