O K.O. de Pabllo Vittar

Eu não gosto de Pabllo Vittar. Mas, talvez, os motivos que me fazem não querer apreciar sua obra, sejam diferentes dos da grande maioria de cristãos que conheço e convivo diariamente.

 

Não digo que não gosto do cantor por sua homossexualidade e nem tampouco por sua fama repentina e avassaladora. É mais uma questão de qualidade artística e de conteúdo mesmo, basta fazer uma análise simples de qualquer apresentação que este venha fazer e verá que originalidade e bom senso estão a quilômetros de distância de onde este camarada se faz presente.

 

Porém hoje, gostaria de atentar para um fato, trazendo para o centro desta conversa esta galera que está no holofote do main stream nacional e que tem feito bastante jovem ir até o chão e cantar bem alto e sem qualquer timidez os “hinos” que embalam o mercado e fazem dos seus compositores verdadeiros “gênios” de vendagem.

 

Estamos mesmo “tonteados”.

 

O que me parece é que temos levado golpe atrás de golpe na cara e nosso senso de ridículo tem ficado inebriado. E nem falo como cristão, mas como ser humano. Além de não tomarmos a iniciativa de produzir algo com conteúdo significativo em direção oposta, nós ainda consumimos este pastiche, sob a desculpa de ser engraçado ou qualquer coisa do gênero.

 

A religião matou nossa espontaneidade.

 

Falando agora como quem vê da parte de dentro, a religião cristã criou um monstro jovem e frio que não consegue apreciar a boa arte, da música e da “dança”, por exemplo, dentro de suas paredes. O que vemos são aquelas cópias mal feitas do que já é feio daqueles ministérios de dança com as mesmas repetições e mais repetições do “gospel” que padronizou o jeito de se fazer música. Daí, debaixo dos olhares do “clero” das instituições religiosas a postura é sempre sacra, reprimida, standard, mas longe deles, vale “soltar a franga”.

 

A síndrome do “poodle” que late, mas não morde…

 

Daí nas nossas rodas em nossas “tribos” a gente denuncia, critica, fala mal daquilo que está estampado nos principais portais da internet, acha um absurdo os temas propostos pelas novelas e afins, fica bravo com a exposição de crianças à promiscuidade sexual e depois, ao fim do papo, voltamos para as nossas casas satisfeitos e continuamos a vida como se tivéssemos cumprido nosso papel diante do cenário que está montado no palco.

 

Lembro-me de ouvir em uma das aulas do curso da faculdade de publicidade e propaganda que cursei, que um cliente satisfeito com um determinado produto ou serviço divulga sua satisfação para uma ou até duas pessoas em média, já os descontentes e insatisfeitos replicam sua insatisfação para cerca de dez pessoas, ou seja, cinco vezes mais. E isso não soa tão estranho assim se importarmos estes dados para nossa realidade pessoal, podemos constatar que somos experts em elencar e levantar os pontos negativos de outros, mas quase nunca estamos dispostos a ir adiante e mostrar qual o jeito certo de se fazer a coisa certa. É sempre mais fácil “cornetar” (como dizem os fãs de futebol).

 

Não concordo com a maneira e o significado que o Pabllo Vittar dá para o amor entre duas pessoas apaixonadas, é raso, deturpado, demonstra um pensamento de maré, mas enquanto a lacuna a respeito do que significa o verdadeiro amor erótico não for preenchida, vamos continuar achando que o termo “erótico” só tem a ver com pornografia.

 

O que proponho aqui não tem ligação com moralismo. Mas eu não posso responder ao que entendo estar equivocado com outras ferramentas que não passem pela minha própria vida. Muito além de destilar veneno, tantas vezes com discursos até preconceituosos e intelectualmente desonestos, que tal viver? Que tal se dispor para ser aquele que preenche de sentido as relações que estão desgastadas por conta de influência deste pensamento hedonista que tem banhado nossa sociedade.

 

 

E se formos ativos e não apenas reativos? E se influenciarmos ao invés de ter apenas que desmistificar?

 

Não basta identificar um buraco no meio de uma parede velha e espalhar por todo canto que “naquela parede existe um buraco”, é importante que estejamos dispostos a levantar nossos glúteos da poltrona, sujar as mãos de cimento e preencher a falta com um tijolo bom, feito com o barro certo, na fé de que assim a parede não caia.

 

A palavra de ordem é “descruzar os braços” e não deixar que nosso maior exemplo de justiça seja o Batman, nem que nosso maior ícone de virtude seja a Globo, ou que tampouco seja Pablo Vittar que nos ensine sobre educação sexual.

 

É o evangelho de Jesus que preenche estas “lacunas”, mas este supera a religião, ele ganha os contornos da vida. Então que sejamos nós, aquelas “cartas vivas” que serão lidas a fim de que o Filho seja glorificado, deixando que o nosso viver grite mais alto do que o nosso protesto de voz ativa.

 

Que Deus nos pegue no caminho.

 

Nele.