Maria!

maria

Era madrugada de domingo e ela acabara de chegar ao cenário que, a primeira vista, se apresentava desconcertante. Maria emudeceu. Diante do sepulcro aberto e vazio as dúvidas a atormentavam, seu coração palpitava e seus olhos encheram-se de lágrimas. Seu Mestre havia sido levado, pensava ela.

É curioso notar que ao longo de três anos caminhando lado a lado com Jesus, ouvindo-o dizer inúmeras vezes que três dias após sua morte Ele ressuscitaria para cumprir o plano pré-determinado por Seu Pai, em nenhum instante Maria pensou nesta hipótese. A ideia de ressurreição para o judeu do século I era tão ou mais absurda do que é para nós, hoje, no século XXI. Fato é que nenhum daqueles que durante três anos andaram e ouviram Jesus de Nazaré estavam de campana em frente ao sepulcro em que Ele fora sepultado aguardando sua ressurreição naquele maravilhoso e histórico domingo na cidade de Jerusalém.

Lá estava Maria, perdida, atônita! Completamente dominada pela circunstância. Ela havia esquecido-se das palavras de seu Mestre. Esqueceu-se de crer. De repente, eis que surge a pergunta: Mulher, por que choras? Era Ele. O Cristo Ressurreto que escolhera revelar-se glorificado naquele exato momento pela primeira vez e a uma mulher, bendita mulher. Mas não foi suficiente. Mesmo diante do Rei dos reis, ressurreto e glorificado, ela não pôde ver. Confundiu-o com um jardineiro qualquer e aflita perguntou: onde puseram meu Senhor? Estava cega, havia perdido completamente o fundamento no qual tinha construído toda sua vida.

Eis-nos aí. Perfeitamente descritos na figura de Maria. Desconcertados. Desesperados. Perdidos frente aos cenários tenebrosos que a vida nos apresenta inúmeras vezes, sem que compreendamos absolutamente nada. O desespero bate a porta, as lágrimas nos molham a face. Ali estamos nós, encharcados de incredulidade, afundados em nossa corrupção, esquecidos das palavras do Mestre, esquecidos de Suas promessas e de Seus planos de paz para nós. Contemplamos o sepulcro vazio e simplesmente deixamos de trazer a memória que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Eis-nos em Maria, completamente incapazes de perceber o Senhor. Ressurreto. Glorificado. De frente para nós! Miseráveis homens que somos! Contudo, pela graça, onde abundou a corrupção, a cegueira e a desesperança, superabundou o amor, a misericórdia e a esperança.

jesus e maria

O diálogo continua, e Jesus protagoniza uma das cenas mais lindas de todo o evangelho. Com o coração transbordando de misericórdia e compaixão por aquela mulher drasticamente abalada e sensibilizada por uma dor jamais imaginada, Ele diz: “Maria!” Imediatamente ela se vira e O reconhece! “Raboni” (que quer dizer Mestre), ela diz! Que cena eletrizante! Ao som da voz do Senhor da vida, o coração daquela brava mulher havia sido restaurado, sua esperança retornado e suas lágrimas de tristeza, completamente enxugadas! Madalena estava curada! Ela estava ouvindo novamente. Ela estava vendo novamente. Ela estava crendo novamente.

É possível que, hoje, muitos de nós estejamos em pânico, desesperados e impressionados diante de tantas aflições e dificuldades no mundo. Estamos surdos para a voz do Senhor, cegos para Sua glória e totalmente incrédulos de que apesar de tudo, Sua fidelidade ainda permanece intacta. Em meio ao desespero das circunstâncias da vida, é preciso que lembremo-nos que Cristo ainda nos chama pelo nome. Por mais medíocres, infiéis e desobedientes que venhamos a ser, a voz do Mestre rompe nosso pecado e restaura nossa identidade, trazendo-nos de volta todo equilíbrio, sentido e significado para a vida.

É certo que Jesus nos conhece pelo nome. Foi Ele mesmo quem nos criou. É nEle que vivemos, nos movemos e existimos. É especialidade dEle remover de nós as escamas que não nos deixam percebê-lO. É especialidade dEle solucionar o que não tem solução. Para Ele, o que há de mais belo no mundo é dar vida a quem está morto e trazer luz onde há escuridão. Pode ser que você esteja morto. Pode ser que você esteja dando passos desesperados e desgovernados em meio a completa escuridão. Pode ser que você esteja passando pela situação mais grave de toda história da sua vida. Ainda assim, a palavra do Senhor pra você hoje é: Maria!

Que Deus nos alcance!