Meu eu morreu

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Como poderia eu ignorar o seu chamado? Como poderia eu seguir as minhas falsas ideias tendo sentido e percebido o seu amor queimar em mim? Como poderia eu não sacrificar os meus desejos para viver os teus que são infinitamente mais altos que qualquer coisa que eu possa imaginar? Viver para Cristo é morrer para si e viver para Deus. Viver para morrer. Morrer para si não é uma tarefa nada simples, e deve ser por isso que tenho visto tanta gente sedenta de Deus, mas cheia de si.

Quando me sinto insegura para abandonar as coisas que mais me prendem ao lado de cá, também me sinto envergonhada. Porque a insegurança, nas bandas de cá, tem raízes incrustadas no orgulho, quando prefiro ser e funcionar conforme as coisas que já “sei” como são, que pensar em funcionar do jeito de Deus. Meu “velho eu” bem sabe disso. Meu velho eu era descabidamente cheio de si. Meu velho eu preferia ter razão, a ter amor. Ter segurança em suas próprias convicções que abrir mão disso e entender novos horizontes e perspectivas. Meu velho eu tinha medo. Mas o meu velho eu morreu, e o meu eu de hoje morre toda manhã.

Uma das coisas que aprendi sobre a vida desde que nasci outra vez, é que tem coisa na gente que não é da gente, assim como tem coisa na gente que é da gente, mas Deus transforma. À partir do momento que decidi viver pra Deus, deixar de lado a dona da razão que vivia em mim foi a tarefa mais difícil. Em casa, com os amigos, com todo mundo. Eu não sabia pedir perdão, quase não conhecia a palavra e lembro-me de achar ridículo quem o fazia. Estufava o peito de orgulho quando vinham atrás de mim, e hoje tenho nojo disso. Não tenho medo de te contar as coisas que eu era, porque elas já passaram. Já se foram (2Cor 5:17). Dizer uma coisa dessas significa dizer que sou uma pessoa completamente perfeita? Jamais. A caminhada com meu Papi é uma evolução constante, e muitas outras coisas precisam morrer todos os dias. E preciso confessar uma coisa: eu amo morrer.

santo

Só de pensar da ideia, meu coração quase pula pra fora de mim.

Amo não fazer o que eu quero, pra fazer o que Deus quer. Amo abandonar um pouco de mim e fazer mais por aquele que precisa, e muita gente não entende isso. Sou impulsionada cada dia mais a assassinar minha natureza ridícula pra viver segundo a natureza de Cristo. As pessoas dizem “sinto paz quando você fala”; “seu abraço tira do meu peito muitas angústias”; “vejo um brilho muito diferente em você”, e isso me faz feliz. Não por que é meu, mas porque vejo o quanto Ele me usa pra tocar vidas. A glória nunca é minha, e por ouvir mais e mais coisas assim sou impulsionada a assassinar mais e mais de mim.

E eu não quero que você veja isso e só ache bonito. Não quero que veja isso e pense que eu só consigo porque “sou especial”. Tome o mesmo exemplo que o meu, que é Cristo, que se fez carne para mostrar que é possível morrer para viver (e também o quanto isso pode transformar verdadeiramente a sua vida).

Roberta Vicente é cristã, estudante de Publicidade e Propaganda e escreve também no seu blog pessoal: www.robertavicente.com 

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