Misericórdia e um cálice de amor

“Não oprimas o estrangeiro, pois sabeis como ele se sente, uma vez que fostes estrangeiros na terra do Egito.” (Êxodo 23:9)

A história do povo de Israel é marcada por 430 anos de escravidão ferrenha sob a mão dos egípcios. Durante todo esse tempo, o povo trabalhava de sol a sol nas construções dos monumentos nas areias quentes do deserto.

Não é algo que se esqueça fácil. As coisas boas da vida, por mais intensas que sejam, parecem voar rápido da memória. Mas situações difíceis parecem perdurar uma eternidade na lembrança. Principalmente a dor e o sofrimento deixam uma impressão profunda.

Mas depois dos quatro séculos, o povo, enfim, é libertado. E não só da noite pro dia, mas num processo que envolveu uma humilhação não só do povo egípcio mas de todos os seus deuses. Isso sem contar com os fartos bens que os israelitas levaram deles.

Foi realmente um resgate que culminou com o milagre de atravessar um mar a pé enxuto para, uma vez na outra margem, ver o mesmo mar matando os inimigos.

Logo depois disso, o Senhor chama Moisés pro monte e lhe dá as leis. Dentro dessas primeiras leis, está o mandamento lá de cima: não oprima o estrangeiro porque você sabe como ele se sente.

O paralelo claro que salta aos meus olhos quando eu leio isso se manifesta na voz do Espírito me dizendo exatamente a mesma coisa: não seja arrogante nem descortês com seus irmãos novos na fé. Você sabe como eles se sentem!

Veja, esses estrangeiros a que Deus se refere não podem ser os povos que os israelitas iam expulsar da terra de Canaã. Estes, Deus mandou dizimar e expulsar sumariamente. Esses estrangeiros eram aqueles que manifestavam a clara intenção de fazer parte do povo. De ser filhos do mesmo Deus. Foi estes que Deus mandou não oprimir.

Bastam alguns anos caminhando com Deus, alguns livros de teologia, alguns cargos na igreja pra gente esquecer nosso começo na fé, não? Quando a gente não sabia discernir a mão direita da esquerda!

É engraçado como somos muito rápidos em apontar os erros dos novos na fé. Quando é nossa vida, louvamos a Deus porque o processo apesar de lento nos trouxe até aqui. Mas não conseguimos respeitar esse trabalhar de Deus na vida dos outros.

Nós esquecemos como eles se sentem!

Da mesma forma como os estrangeiros no meio do povo de Deus careciam da misericórdia dos hebreus, nossos novos irmãos carecem da nossa. Deus aceitava os estrangeiros e também aceita nossos irmãos. Somos todos família de Deus.

Então, na hora de exortar um irmão por algum pecado ou por uma besteira teológica grande, tenha humildade. Lembre que você também “já foi estrangeiro”. Repreenda-o em amor. Ou você esqueceu que você pode falar a língua dos anjos, converter o mundo todo e se entregar pro martírio que, sem amor, não vai valer nada?

Vamos caminhar pro Pai em amor e humildade. Nunca se esqueça de onde você saiu. Nunca se esqueça da paciência que Deus teve com você. Agora vá e estenda essa paciência aos outros.