Não somos super-heróis,
graças a Deus

Nós sofremos de um grande mal, pelo menos a grande maioria de nós. O mal de olharmos para os nossos próprios braços e considerá-los fortes o suficiente para garantir o sucesso certeiro diante de um desafio que exige nossas habilidades mais evidentes. É aquela coisa, dizemos: “Nesse quesito eu domino”, “nessa área sou experiente”, “pode computar a vitória porque não tem como dar errado”. E quando lembramos que somos nascidos de Deus, que Ele disse que estaria ao nosso lado e ainda nos deparamos com o apóstolo Paulo dizendo: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13), não há quem nos segure.

Acabamos projetando na imagem que criamos de Deus nossa finita capacidade de lidar com as problemáticas da vida. E o que isso quer dizer?

Nesse último sábado, os que gostam e acompanham o universo do MMA puderam ver a derrota do brasileiro Vitor Belfort diante do seu oponente e detentor do cinturão dos pesos médios do UFC, Chris Weidman. Não quero me ater aos detalhes do embate, até porque no esporte as coisas são assim mesmo, gente ganha e gente perde a todo momento, mas uma coisa me chama bastante atenção e não é uma exclusividade dos atletas em questão, mas creio que faz parte de um pensamento embutido em nossas mentes e corações e que precisa sair de alguma maneira.

Fico muito feliz de ver gente que ama o evangelho professando a sua fé diante do sucesso conquistado, dedicando seu êxito ao Senhor, declarando que só chegou ali por causa do seu Deus. Mas e quando o resultado esperado não chega? E naquele dia que sobram apenas a tristeza e a frustração de reconhecer que não somos quem achávamos que éramos? Por que o discurso muda? Por que o que sobra é apenas um: “Bola pra frente”? Será que Deus só é Deus ou só se manifesta quando “me faz” indestrutível e invencível?

Nós só podemos crer em um Deus que foi capaz de chorar ou então ele seria apenas uma fábula mentirosa e uma lenda distante.

Se o próprio Deus se fez homem e experimentou o que todos nós experimentamos todos os dias, por que insistimos em tentar imitar a Sua divindade?

Creio que o sentimento desses atletas que estão sempre em evidência quando declaram sua fé é sim o de confiar e depender de Deus para o próximo passo, pelo menos espero que seja, mas por que não escancarar isso abertamente a todos e dizer, quem sabe, “ainda que eu esteja completamente frustrado, dedico o que sou ao meu Salvador e sei que Ele está aqui comigo e me ama da mesma maneira”?

Não devemos ir ao Pai atrás de superpoderes, atrás de “costas quentes” que nos garantam total vitória sobre qualquer desafio ou adversidade, precisamos nos lembrar de que Ele se compadeceu das irmãs que tinham acabado de perder o irmão a ponto de chorar com elas.

Talvez seja o que precisamos saber. Ele está aqui chorando o nosso choro e bem ao nosso lado, ainda que achemos que está lá longe na linha de chegada esperando para nos dar a faixa de campeões. É outra pergunta que fica: E se não chegarmos lá? Será que então nunca teremos uma relação real com o doador de toda vida?

O Pai não nos quer apenas se ganharmos ou apenas ser perdermos, Ele simplesmente nos quer. Graças a Deus não somos super-heróis, pois, se fôssemos, certamente nos movimentaríamos, ainda que sem ter a consciência, na certeza de que o nosso deus não era outro que não fosse nós mesmos.

Incluamos o nosso Deus em nossa agenda, nos dias que sobram sorrisos por conta do sol, mas também nas maiores tempestades, quando nosso barquinho vira e precisamos recomeçar o trajeto.

Deus nos faça gratos por simplesmente tê-lO e sermos feitos Seus filhos.

NEle.