O evangelho de Marcos e o marcos do evangelho

Li a bíblia toda. E sério, isso foi muito bom para mim. Por vários motivos e pelas mais variadas razões. Talvez por acabar de discutir com a minha mãe ou irmão e logo em seguida ser confrontado por um texto que falava de temperança, mansidão e respeito aos mais velhos. Talvez por perceber que muita coisa que a gente faz, não é, ou melhor, não deveria ser tão comum ser realizada assim.

Primeiro, li a bíblia inteira de forma rápida, por entender que li vários livros durante o ano e a bíblia continuava parada, empoeirada, e guardada dentro da mochila, gaveta, cômoda ou em cima da mesa da sala. Percebi que os livros que li, e gosto de ler excessivamente os livros ligados à teologia, não estavam me fazendo crescer na fé, visto que nos padrões de Jesus, o crescer na fé quer dizer diminuir, eu estava me tornando um “monstro sabe tudo”, “um reformolátra”, “um louco por Jesus” que não sabe ser contrariado. Estava virando gente que afastava as pessoas pelas respostas duras e pseudo-conhecimento (chamado pseudo, por não promover o amor).

Resolvi mudar e me readequar.

Alguns de vocês me disseram até que fiquei mais dócil nos textos aqui do MVC, e consequentemente mais relacional. Ganhei amigos por aqui, e creio que a efetividade do evangelho, se dá pelo amor e não pela acidez, embora, às vezes, ela seja necessária, tenho tentado aumentar o amor, o afeto e a empatia nos textos que tenho escrito. E espero ajudá-los cada vez mais.

Mas ao ler a bíblia, me lembro de ter gastado um tempo bom durante o velho testamento. Demorei-me por volta de pouco mais de um mês nessa porção da bíblia. Contudo, estava ávido para chegar aos quatro evangelhos. Estava ávido para ver Jesus e pela recente leitura do velho testamento, compreender as suas ações segundo os padrões morais e éticos da lei e dos profetas, segundo a tradição judaica.

Estava ávido para enxergar Jesus, ter as convicções reafirmadas, ver o nosso salvador sendo ensinado de forma clara e as doutrinas apostólicas sendo clarificadas dentro da minha mente e coração. E obviamente, estava ávido para que o Espírito de Deus, por graça chegasse ao meu coração mostrando-me as minhas falhas, e pelo poder do evangelho, ser transformado em alguém mais parecido com Jesus, vivendo a peregrinação espiritual de uma forma mais leve, com menos inimizades e com mais gente caminhando comigo, compartilhando a vida e vivendo o amor.

No fim de Janeiro cheguei, li os evangelhos e pretendo, iniciando com o evangelho de Marcos, uma conversa pequena, singela e simples com o vocês a respeito desse quarteto do novo testamento, à saber: Mateus, Marcos, Lucas e João. E espero inspirá-lo a ler esses evangelhos a cada texto, e espero inspirar também, você a lê-los constantemente. Espero que o resultado seja positivo e benéfico para sua caminhada com o carpinteiro simples, humilde e pobre.

O Evangelho de Marcos

Começo por Marcos, por entender a possibilidade de vocês conseguirem lê-lo completamente até a próxima postagem que pretendo falar um pouco sobre o evangelho de Mateus.

O que eu gostaria de dizer sobre o evangelho de Marcos é exatamente o que o próprio título desse post fala. O evangelho de Marcos é um evangelho marcado pela evidenciação da natureza divina de Jesus. Alguns comentaristas, dirão que Marcos foi um dos evangelistas que trouxe Jesus como a figura de servo, ou de trabalhador. Não entendo assim, mas entendo o motivo.

O livro de Marcos já inicia-se de cara com um grande resumo de fatos que em outros evangelhos ocuparam 4, 5 capítulos e chegamos ao segundo capítulo do evangelista falando de cerca de até 10 capítulos de outros evangelhos.

Marcos, na minha falha, rasa e modesta concepção, era alguém que estava excessivamente apaixonado por Jesus. Marcos não concebia a ideia de se perder tempo falando de coisas que não estavam em pauta. Marcos é o cara que anuncia e vivia exatamente aquilo que nós deveríamos anunciar: Jesus Cristo é Deus. É o filho de Deus. É o nosso Deus presente aqui.

A preocupação, pelo menos inicial, de qualquer cristão quanto a sua relação com o mundo, não deve ser o convencimento da fé por meio da razão.

Não é se tornar um defensor e comprovador da fé, até porque isso é muito complicado, e se trata de uma obra do Espírito Santo. O cristão deve anunciar sempre a natureza divina do filho de Deus, e crer que o Espírito Santo, em algum momento, se for da vontade de Deus, fará com que as pessoas se convertam.

Se isso não ocorrer, Marcos pelo menos não terá perdido tempo falando de coisas vãs (por exemplo, se foi eu que escolhi Deus, ou se foi Deus quem me escolheu). Mas fala do Jesus entre pessoas, do Jesus com os necessitados da intervenção divina. Jesus não é um cara preocupado com coisas além da sua real possibilidade de ação, Jesus agia onde podia e fazia o que podia. Essa é a preocupação de Marcos, anunciar um Jesus que vivia a integralidade da missão. Pregando o evangelho todo, ao homem todo e para todos os homens.

Esse evangelho mostra que posso fazer mais, por mim mesmo, pela realidade e pela história, me atento ao que interessa e não as peculiaridades insignificantes da minha denominação, da visão da minha comunidade local e dos pregadores que eu curto.

Posso me ater ao real, ao concreto e ser relevante as necessidades reais do mundo e impactar vidas pra glória de Cristo. Marcos me transforma em alguém interessado pela vida, que é real, que é difícil e dura pra maioria das pessoas. E precisam da mensagem de esperança, chamada entre nós de evangelho.

Jesus tem de ser revelado a todos os homens, ser apresentado como Deus, para qualquer pessoa, mas inclusive e essencialmente para as pessoas reais, de problemas reais, por quem ninguém olha.

É pra esses que Jesus veio. É pra esses que Marcos escreve. Todos entendem o que esse evangelista diz.

Que Deus te abençoe. Em amor.