O Jesus que a igreja não comporta

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. É, me negou o legalismo, a justiça pessoal, a religião, os rituais vazios, as horas de oração que eu achava que “agregava santidade” e me deixou somente com meus vazios de alma, mostrando a minha dependência total e única identidade garantida na abundância da presença dEle, na condição de discípulo, eterno aprendiz.

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. Me negou os milagres, as bênçãos, as experiências sobrenaturais, as sensações de arrepio, o emocionalismo dos apelos e mostrou o milagre que é: um depravado total conseguindo amar alguém, por obra do espírito; um viciado em cultura religiosa abrindo mão das celebrações coletivas para se retirar em seu quarto em oração devocional, pelo prazer da companhia do seu mestre, o Cristo; me tirou do emocionalismo desenfreado que age sem pensar, grita, rodopia nos cultos para analisar e avaliar meus comportamentos e decidir por deixar-se ser transformado por Ele, aos seus padrões.

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. E me ensinou a olhar por aqueles que não tem voz, que precisam de ajuda e não a conseguem, a gritar por essa ajuda, a me dispôr nessa missão e render minha vida à Sua orientação, confrontando os ricos que acumulam e abençoando os pobres que mal tem o que comer. Sempre a exemplo dele, o Cristo que vive em nós.

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. E me ensinou a abrir a minha mesa, a minha casa, a minha carteira àqueles que todos tratam mal como: os travestis, homossexuais, adúlteros, viciados em pornografia, etc. E nunca, em nenhuma hipótese me considerar acima, abaixo ou em qualquer dimensão diferente deles, somos todos carentes do Cristo, nosso Deus.

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. Me mostrou que na verdade é Ele o senhor da igreja, é Ele quem deveria ditar as regras, atitudes e ter a liberdade de ação com seus recursos. Me mostrou que homens podem e certamente não concordarão com a sua abordagem e tratamento com as pessoas e a humanidade, mas foi assim 2000 anos atrás e pregaram-lhe no madeiro. E nós devemos seguir Seu exemplo, não temendo o martírio, seguindo sempre os passos dEle, o Cristo.

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. E agora sou sua morada, não tenho dependência mais do pecado, dos vícios e das mazelas, mas lidarei com cada uma delas aos pés da cruz, clamando o seu sangue, a força do Espírito e a revelação da palavra, para que essa ganhe meu coração e me impeça de dar mais voz a mim mesmo do que ao nosso Deus, revelado em Cristo.

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. E agora eu sei de quem eu dependo, em quem eu tenho condições de agradar o nosso Pai que está nos céus, em quem eu encontro alívio para alma. Onde eu posso trocar o jugo pesado da sociedade, da religião, da instituição pela leveza da graça de Deus. Assim como foram os doze imperfeitos, que mudaram a história da humanidade com um projeto revolucionário de contra cultura, ensinados por Ele, o Cristo.

O Jesus que a igreja não comporta, fez de mim seu templo. E me mostrou que nem mesmo eu comporto esse Jesus. Que eu queria mesmo era agradar a Deus com coisas mais “fáceis”, dar dinheiro, horas de oração, gritos e pulos num acampamento, etc. Esse Jesus que me quer por inteiro é complicado demais, é difícil demais. Tenho de me negar demais para ser o que Ele quer. Tenho que subir a sua cruz com Ele, e nunca mais de lá sair.

Esse Jesus que nem eu, nem a igreja, nem a sociedade comporta, é o nosso Deus. É o carpinteiro de Belém, o vulgo Nazareno. A Ele, e somente a Ele, devemos culto, adoração e glória. Mas por enquanto, podemos continuar com a nossa religião, não estamos prontos pro Cristo reinar ainda sobre nós.

Que Deus nos ajude. Em amor e pelo amor.