O prazer pelo novo e a busca por contentamento

Eu tenho pavor a rotina. Não suporto fazer tudo igual todo dia. Ter dias iguais mata um pouco minha criatividade, sabe? Mas ser assim me ajudou a refletir um pouco sobre constância. Pois, se você parar para pensar um minuto, pode concluir rapidamente que o mundo hoje vive um mal chamado “horror à mesma coisa de sempre”. A gente quer o tempo todo ter uma novidade pra contar, algo novo pra usar, uma foto nova pra postar, um conteúdo novo pra opinar. E se a vida da gente tá igual por muito tempo, logo, nossa mente traduz isso como um tipo de fracasso.



O que acontece é que, humanamente falando, todos nós temos necessidades físicas e emocionais que precisam ser satisfeitas para que nós possamos sentir felicidade. E como não podemos fazer um estoque desse sentimento, precisamos estar sempre nos reinventando, pois, essas necessidades devem ser constantemente atendidas de alguma forma. Quando essa renovação não acontece, sentimos uma espécie de vazio. Parece que está faltando alguma coisa e começamos a procurar formas de preencher esse espaço.

A busca pelo novo é algo muito prazeroso e Deus já sabia disso. Ele criou quatro estações, que mesmo sendo repetidas anualmente, nos dá o prazer de viver climas diferentes ao longo de doze meses. Querer viver mudança não é necessariamente ruim. O problema chega quando distorcemos o prazer da mudança e transformamos em uma demanda absoluta. Pois apesar de Deus ter nos dado o prazer no novo, ele também se alegra com a constância.



Lewis diz, em Cartas de um Diabo a seu aprendiz, que essa busca constante pela mudança diminui o prazer ao mesmo tempo que aumenta o desejo. E em muitas vezes, quando conseguimos alcançar nossos tão sonhados desejos, ainda assim não chegamos à felicidade que tanto estávamos esperando. Porque somente fizemos desses desejos nossa meta para a felicidade. Sem propósito, sem direcionamento. E, como bem sabemos, nossa felicidade não deve estar nas circunstâncias, mas na certeza de que a nossa vida está totalmente no controle Daquele que nos criou.

O filósofo Epicuro dizia que para ser feliz seria necessário controlar os nossos medos e desejos, de maneira que o nosso estado de prazer seja estável e equilibrado, com um consequente estado de tranquilidade e de ausência de perturbação. Se isso não é o contentamento que Paulo fala em Filipenses 4:12, eu não sei mais o que é. Pra lembrar: “(…) aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação.”

Epicuro também falava que quando os desejos são exacerbados podem ser fonte de perturbações constantes, dificultando o encontro da felicidade e da serenidade de espírito.  Acho que nosso amigo filósofo estava correto. Fui pesquisar a origem grega da palavra ‘contente’ no texto de Paulo em Filipenses e descobri que quer dizer ‘estar satisfeito’ ou ‘ter o bastante’. Mas temos que concordar que o ser humano por ele mesmo, nunca estará satisfeito. Então chego à conclusão de que precisamos estar satisfeitos não por nós mesmos, mas supridos por Cristo em nós.

As circunstâncias que vivemos não são sempre agradáveis. Mas se a gente faz o exercício de lembrar de que nossa vida precisa estar sempre dentro da vontade de Deus, podemos concluir dessa forma, que quando eu estiver frustrada com o fim de um namoro, com um emprego que não rolou, com uma uma mudança que não deu certo, poderemos ainda assim permanecer plenos. Pois as frustrações que já passamos nos terá trazido para um novo lugar, com a certeza de que mais vale a vida que tenho em Cristo que as coisas deste mundo.



Felicidade é algo inconstante, que dá e passa. Mas a bíblia vai além e nos traz o conceito de contentamento. Ah, meus amigos! E quando entendemos isso de todo o nosso coração, continuamos, sim, a sentir prazer no novo. Mas a permanência também se torna prazerosa. Porque é nela onde conseguimos ser lapidados, amadurecidos e uma chance de, aí sim, viver algo totalmente novo. Como novos homens e mulheres de Deus.

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