O que há de errado em manter o pensamento religioso tradicional?

religiosidade-2

Não saber me responder, pode ser, aquilo que mais me faz andar. Costumo me perguntar e questionar, muito mais do que afirmar, combater e defender o que acredito. Confesso que isso é um caminho complicado, que me enche de conflitos e incertezas, mas com certeza me ensina também, a caminhar mais como Jesus de Nazaré no chão da vida real.

Longe das afirmações teológicas populares, dos mercantilismos do gospel brasileiro, e bem longe, mas muito longe do proselitismo que a gente travestiu de missões ou de “manifestação do reino de Deus”, estão as pessoas reais. É, aquele tipo de gente que não ora o tanto que deveria e poderia; gente que não lê a Bíblia o tanto quanto poderia e deveria; gente que não levanta a mão na hora do louvor e quando o faz, já não enche o peito de sensação nenhuma e nenhum arrepio mais é gerado no seu coração e nos seus membros do corpo. Gente que chora, não porquê Deus e a Sua Palavra falou com clareza e desnudou o seu coração, mas pelo contrário, porque a sua dor, passou a ser agora, pelo menos na sua percepção, mais angustiante do que a paz de Deus que excede todo o entendimento; que o consolo que Palavra normalmente traz, e que todos os versículos decorados que usamos geralmente nos momentos de aconselhamento nos gabinetes pastorais.
Aliás, gosto muito de gente assim. Não porque sou um daqueles avivalistas que prometem tirar essa dificuldade toda do coração com um toque, uma unção, uma oração, imposição de mãos ou qualquer coisa desse tipo. Gosto muito de gente assim porque me identifico. Oro quando não sinto mais nada. Opto para que a minha fé supere as minhas perguntas. Leio a bíblia com insistência, não para que uma super revelação me ocorra, mas porque eu realmente estou tão desesperado que não enxergo outra forma desse desespero me deixar. E realmente me encho de esperança para que todo o artefato religioso tradicional ensinado ao meu coração dê certo: oração, jejum e leitura da Palavra.

Mas o que há de errado em manter o pensamento religioso tradicional?

Fico profundamente impactado com essa situação, especialmente, porque isso não nos leva a mais nada. As perguntas que as tradições respondem não são as perguntas feitas por nós hoje. Estamos preocupados com que as pessoas entendam e se adaptem às nossas respostas quando na verdade estamos surdos aos seus clamores. E mesmo na leitura bíblica mais rasa, é impossível ler os evangelhos e não perceber que não foi isso que Jesus fez, a mensagem dEle era para ser compreendida, respondendo às perguntas de gente real. Jesus optava por um encontro real, a começar pela sua opção na eternidade de não ficar em usurpação na forma de Deus, mas revela-se maravilhosamente simples, em carne, andando no meio das pessoas que andam assim, sem esperança, a escória da sociedade, os pecadores sem perdão dentro do sistema religioso.

Ned_Flanders
E qual é a nossa única resposta no encontro de pessoas reais?

O encontro em si, quando ocorrer de forma real e verdadeira, sincera e profunda, provocará mudanças bem particulares e significativas. Pois nos despojaremos de querer colocar uma opinião e visão teológica, escatológica, bíblica ou tradicional. E nos comunicaremos pelo viés do coração, ou daquele que fala aos corações: Jesus.
Assim, a nossa única resposta é levar esperança, colocar-se ao lado, renovar as forças, dobrar os joelhos, interceder por quem carece, doar-se a quem precisa, e quem sabe um dia, repetir as palavras do Nazareno:
“O Espírito do Eterno, o Senhor, está sobre mim porque o Eterno me ungiu. Ele me enviou para pregar as boas-novas aos pobres, curar os de coração partido, anunciar liberdade aos cativos e o perdão a todos os prisioneiros. O Eterno me enviou para anunciar o ano de sua graça — a celebração da data em que Deus destruiu nossos inimigos — e consolar todos os que choram; Para cuidar das necessidades de todos os que sofrem em Sião e entregar a eles flores de esperança, em vez de cinzas, Mensagens de alegria, em vez de notícias de calamidade, um coração de louvor, em vez de espírito angustiado. O nome deles será mudado para ‘Carvalhos de Justiça’, plantados pelo Eterno para mostrar sua glória. Eles reconstruirão as velhas ruínas, edificarão uma nova cidade sobre o entulho. Continuarão o trabalho nas cidades arruinadas, reaproveitando o entulho que sobrou. Vocês contratarão pessoas de fora para cuidar dos seus rebanhos e estrangeiros para cultivar as suas terras, Mas vocês serão chamados ‘sacerdotes do Eterno’, serão honrados como ministros do nosso Deus. Vocês irão se banquetear com o produto da generosidade das nações e se orgulhar da glória delas. Porque vocês tiveram dose dupla de aflições e mais que sua porção de desprezo. Por isso, sua herança na terra será dobrada e sua alegria durará para sempre. ‘Eu, o Eterno, gosto de agir de forma justa e odeio o roubo e o crime, por isso, pagarei seus salários integrais e em dia e estabelecerei uma aliança eterna com vocês. Seus descendentes se tornarão conhecidos em todos os lugares. Seus filhos, em países estrangeiros, serão reconhecidos imediatamente como pessoas que eu abençoei. ‘Cantarei de alegria no Eterno, e exultarei com louvor do fundo da minha alma Ele me vestiu com a roupa da salvação e me cobriu com a vestimenta da justiça, como o noivo que põe um smoking ou a noiva que usa uma tiara de diamantes. Porque, assim como a terra se enche de flores silvestres na primavera e como o jardim explode em florescência, O Eterno, o Senhor, faz a justiça florescer totalmente e mostra o louvor a todas as nações” [Isaías 61 – A Mensagem]
Sempre juntos para o estouro.
Em amor e pelo amor.