O tipo de coisa que você não acredita, mas dá certo.

A vida é mais complicada e complexa do que a maioria de nós está disposta a realizar. Já que a gente não sabe viver, preferimos sobreviver. Notícias complicadas acontecem frequentemente, e a grande maioria delas poderia ser antevista se nós fizéssemos questão de usar o bom senso, a autocrítica, a falta de autopiedade e tivéssemos sido mais corajosos conosco mesmos e encarado os fatos a partir de nossas limitações.

Quando você se torna um assunto para Jesus

Existe um momento no sermão da montanha de Jesus em que Ele absolutamente não quer falar da relevância de assuntos seculares. A pauta não é social, política, econômica, etc., o que está em pauta nessa hora é você! Em um determinado momento, Jesus introduz o assunto da oração, ensina-nos a benção da vida comunitária no “Pai-nosso” e, logo em seguida, passa a falar de jejum. Talvez, você seja de uma confissão mais pentecostal e sempre tenha ouvido a fórmula do crescimento espiritual: jejum + oração. Talvez, você seja de uma confissão mais tradicional que compreenda o jejum como parte do processo de santificação e utiliza-o como regra de disciplina espiritual.

Hoje, particularmente, gostaria de falar sobre esse assunto tão mal discutido nas nossas realidades eclesiásticas: as disciplinas espirituais. Não é novidade que a gente vive no meio de uma disputa eclesiástica em que parecemos estar no meio de comércio religioso. Enquanto um propõe algo magnífico, mas desqualifica o outro, o outro faz um trabalho que tem por motor principal algo que o outro não tem. Discutimos a importância do ensino em detrimento do poder, mas o poder deve estar acima do ensino. Não percebemos que andamos mancos enquanto menosprezamos os que são tão apaixonados pelo ensino quanto pelo poder de Deus.

As ferramentas para nos aproximarmos de Deus

As disciplinas espirituais são ferramentas e hábitos que as pessoas comumente adquirem para elevar a sua concentração, dedicação e percepção de Deus na realidade em que vivem. As mais conhecidas são: oração, jejum, silêncio e amizades espirituais.

Oração.

A oração, para aqueles que decidem experimentar profundamente as disciplinas espirituais, é um momento em que a concentração ocorre de forma voluntária, e o sujeito se dirige a Deus. Por mover do Espírito Santo, somos levados pela graça a experimentar um profundo senso de si mesmo em relação a algo muito maior e sagrado: o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Comumente, nesses momentos, apresentamo-nos diante Dele pedindo pela sua misericórdia, direção e benção sobre as atividades dos nossos dias, preocupações e pessoas a quem amamos.

Jejum.

O jejum, apesar de várias explicações, na minha modesta opinião, é a negação voluntária de alimentação por um período de tempo. O jejum é utilizado para uma busca mais efetiva nesse período, principalmente por uma compreensão da realidade que se não apresenta normalmente. Períodos de jejum são caracterizados por busca de sensibilidade àquilo que Deus possa estar direcionando e seu povo não esteja percebendo.

Silêncio.

O silêncio é a disciplina menos valorizada nos nossos momentos tão religiosos. Nada mais clássico na nossa histérica sociedade que fazer barulho. O silêncio, a descrição pedida por Jesus na prática das disciplinas espirituais, é exatamente a contramão da religiosidade exagerada que nos envolvemos. O Senhor Jesus é quem nos ensina que o poder espiritual não está naquilo que podemos ou não fazer por nós mesmos, mas confiando que tudo já foi feito na cruz. Aquele que agiu soberanamente na cruz de Cristo cuida de cada um de nós e de cada detalhe da nossa vida, por isso, podemos dizer a nós mesmos: aquiete-se e saiba que o Senhor é Deus (Salmo 46:10).

Amizade espiritual.

A última disciplina espiritual conhecida é a amizade espiritual. Nós a confundimos com tanta coisa que não sabemos bem o que significa. Não entendemos o que é andar junto mais. Gostamos de programações, reuniões programadas em que a sinceridade é substituída por pautas, e o amor é trocado pelo interesse próprio daquele que idealiza o encontro.

As disciplinas espirituais são gritos de Deus na nossa religiosidade surda

As disciplinas espirituais são verdadeiramente gritos de Deus por meio da discrição para dizer para nós o que realmente vale a pena. Ao falar sobre jejum, o Senhor combate aqueles que o fazem de forma pública e, logo em seguida, já nos traz a perspectiva do Reino. O Reino de Deus não é uma realidade palpável, mas que injeta vida, vigor, ânimo, alegria.

Viver na perspectiva do Reino não significa ser alienado; pelo contrário, deixa você ser quem é, exatamente por se preocupar somente com o que interessa. Acaba com as banalidades dessa vida e traz à tona o Deus de toda Terra chamando a nossa atenção para que a nossa única dedicação seja adorá-lO.

A gente não consegue celebrar pactos de vida, perdoar, esquecer ofensas. Somos ricos em amarguras, em colecionar brigas, intrigas, fofocas, maldades etc. Isso não tem nada a ver com a busca pelo reino, muito menos com as disciplinas espirituais. Por isso, gostaria de compartilhar que:

Preciso colocar em ordem meu mundo interior através das disciplinas espirituais, pois não creio na provisão absoluta de Deus. Milagres nunca sustentaram a fé. Nunca foi assim, não é assim e nunca será assim. Os milagres acontecem e seguem aqueles que não querem e nem vivem em busca deles. Os milagres, geralmente antecedem as reclamações, enquanto as dificuldades antecedem a proximidade daquele que pode todas as coisas. Não é por acaso que passamos por angústias, somos tão desatentos e mal agradecidos que o Senhor não liga de passarmos por dificuldades para nos mantermos vivos na fé, crendo na intervenção divina e nessa busca. Precisamos abrir mão de nós. Não é você quem decide seu futuro, nem mesmo o vestibular. Não é você quem decide com quem vai se casar. Não é você quem decide nada na sua vida. Se há alguma coisa que precisamos entender é que temos um milhão de razões e possibilidades de não termos chegado até aqui, e que se isso aconteceu conosco, o Senhor tem algo para nós que ultrapassa e muito a nossa leve e momentânea tribulação. CS Lewis diz que Deus nos permite o sofrimento para que o encontremos de forma mais verdadeira e madura no final dele. E o apóstolo Paulo arremata a questão afirmando que tem plena convicção que a nossa leve e momentânea tribulação não há de se comparar com a glória que em nós há de ser revelada.

As disciplinas espirituais me ensinam o lugar que Deus ocupa nas minhas decisões.

Segundo, preciso por em ordem meu mundo interior por meio das disciplinas espirituais porque não sei o que é bom pra mim. Quantos caminhos já passamos e notamos que estávamos errados? Quantas dificuldades enfrentadas por nossa própria inexperiência? Quantos erros não provocamos em nós mesmos, e Deus não teve absolutamente nada a ver com isso, pois fomos nós mesmos que tomamos as decisões? As disciplinas espirituais cooperam para uma melhor compreensão de si e para uma melhor averiguação das decisões a serem tomadas. Tome cuidado, muita coisa pode ser evitada por um momento de silêncio, tom de voz correto, perder uma piada, e por aí vai…

A grande questão é que mesmo com todos esses erros que cometemos, o Senhor tem um grito absoluto e eterno: “Eu quero você! Nada vai mudar isso! O Senhor não vai olhar para os erros do passado, o seu momento presente e os tropeços futuros. Ele olha pra você e diz que te quer por inteiro, que pode gerar fé no seu coração e animar a sua peregrinação espiritual com Jesus de Nazaré. Não duvide disso. Você não é o único em constante crise de fé e, por isso, não está sozinho. Chego até a afirmar que Jesus passou por desertos e momentos desesperadores na fé, e Ele é sua companhia mais fiel até o último dia.

Cuide-se! Nem tudo é tão tranquilo como a gente gostaria

Por último, preciso pôr em ordem meu mundo interior por meio das disciplinas espirituais porque elas cuidarão do meu coração. A gente é tão breve, mas tão breve, mas tão breve… Que chega até a ser previsível. Não pensamos em cinco minutos depois, no dia seguinte, na semana seguinte, pensar na vida após a morte então, isso é impossível… Pois é… Jesus sabe disso, por isso, fala da nossa vida aqui. Pense bem em como viver a peregrinação com Jesus de Nazaré e tome cuidado com as ciladas do coração. Às vezes e na maioria delas, você acha que está tão imune que faz besteiras, pensa besteiras, sonha besteiras, age de forma irreconhecível. Não se envergonhe, a vida começa agora.

As disciplinas espirituais são para trazer ao nosso coração a disposição de viver uma vida centrada em Deus, onde não haja espaço pra outra coisa que não seja Ele. Isso parece esdrúxulo, mas é a realidade de uma vida de fé, Deus em primeiro, Deus durante, e Deus na consumação de uma vida com sentido.

Pode não existir amor onde você vive, mas pela compreensão  Bíblica das verdades e disciplinas espirituais, você pode passar a viver na Terra o que acontece no céu. Você pode passar a viver a resposta da oração do “Pai-nosso” que tantas pessoas têm feito!

Que Deus nos abençoe.

Em amor e pelo amor.
Mateus Machado