Pelo amor de Deus, não seja um cristão passivo

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É interessante como criamos um mundo próprio para viver nossa vida cristã. Gosto de pensar na caminhada do evangelho a comparando com as rodovias. Normalmente, todo cristão já usou o jargão de que deve-se andar na contramão do mundo, no entanto, penso que na verdade, a direção nunca é contrária, mas acabamos criamos uma pista que apesar de ser marginal, leva para o mesmo lugar do mundo. Continuamos seguindo o mundo, mas agora de maneira paralela.

O cristianismo ganhou muito público e notoriedade nos últimos anos, além disso, as igrejas tornaram-se mais parecidas com uma reunião de amigos que se encontram para o lazer de final de semana. Aliás, é bom ressaltar que não vejo problema na igreja ser um local agradável e que possamos nos sentir confortáveis, mas essa consciência de que nos reunimos ali para adorar uma pessoa real e verdadeira de Jesus perdeu-se gradualmente com o tempo.

No tempo da igreja antiga, sempre se preocupou tão exclusivamente com apresentar o evangelho aos perdidos de maneira que os arrebatava das suas antigas realidades, a sua eficiência, e a sua “cristocentricidade” eram suas marcas pontuais. Quando a nossa cultura cristã passou a ser apenas ir a igreja e trazer gente nova para ser membro dela, a coisa começou a ficar perigosa.

No que a igreja se tornou?

Hoje, me parece que a ideia de ser cristão e dialogar com o mundo é bem espalhada pelas nossas bocas pós-modernas, mas ao mesmo tempo, na prática, ainda é uma das ideias pouco vivida e aceita pela igreja de maneira geral.

Talvez seja esse o motivo pelo qual vivemos uma espécie de enclausuramento religioso e tenhamos pouco zelo com a vida eterna do outro. Precisamos resgatar e manter viva a consciência da nossa missão, mas também amadurecer a prática do discipulado.

Onde estão os homens e mulheres que, por amor a Cristo, abandonaram tudo quanto possuíam? Onde está a igreja que entende o seu papel na prática diária das lições de Cristo?

A vida de uma igreja centrada em Cristo deverá se transformar num protesto vivo contra a entrada de ideias que desprezam o sacrifício de Filho, mas ao contrário disso, acabamos relativizando as convicções do evangelho e a Graça que nos foi dada, e até apoiando-se nelas como justificativa para uma vida de qualquer jeito.

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O que a  igreja precisa ser?

Limitar a vida cristã a uma série de ritos e práticas que não representem uma vida em devoção completa é fatal para a dinâmica da fé cristã. Jesus não teve como objetivo transformar pessoas em seres congelados em sua teologia pessoal, nem muito menos promoters de membresia como uma estratégia de marketing de multinível. Isso acabou com a ideia de igreja em nosso tempo.

Foi essa separação que fizemos entre profano e sagrado que nos empurrou para essa divisão esdrúxula de ou tentar viver a máxima realização religiosa e nos contentar com a mínima realização profana. Esquecemo-nos de conceitos básicos como a simples obediência na esfera da vida cristã. Já é clichê dizer que andar com Jesus não é um caminho fácil, mas ainda não entendemos que não é uma impossibilidade constante viver pela fé que se acredita. Ninguém pode amar mais a si mesmo do que o evangelho, nem tampouco, reivindicar para Deus mérito especial por ser obediente, mas não viver um cristianismo passivo não nos fará ser luz e nem sal nesta terra.

Se olharmos para Jesus, e aprendermos a orar: “Seja feita a sua vontade” com a consciência de que obedecer a Deus é melhor simplesmente porque ele é bom, isso nos levará para um outro estágio de vida cristã. Amar o perdido, obedecer a Cristo e viver o discipulado. Isso que nos faz falta.

“Pai, se queres, afasta de mim este cálice; entretanto, não seja feita a minha vontade, mas o que Tu deseja!” Lucas 22:42