Por que sofremos?

Passamos por todos os tipos de dificuldades, mas não somos esmagados; estamos perplexos, mas não nos desesperamos; somos perseguidos, mas não estamos abandonados; nocauteados, mas não destruídos.” (2Coríntios 4.8-9 – versão Bíblia Judaica Completa).

Doenças crônicas, tragédias familiares, desemprego, abandono, calamidades naturais, fome, violência e perseguições. Será que Deus não quer que sejamos felizes?

Penso que esta não seja a pergunta certa a ser feita.

Somos entregues à vida e esta é cheia de percalços, de saliencias e completamente desforme, porém o grande problema de tratarmos a questão do sofrimento é o de querermos colocar na conta de Deus o que na verdade é consequência de uma rebelião infame do proprio homem no Éden.

O homem não foi criado para morrer e tudo o que nos leva nesta direção nos causa estranheza e repúdio.

O que nos esquecemos ou talvez nunca tenhamos pensado a respeito é que, de certa forma, o sofrimento é nosso servo. Parece loucura pensarmos desta forma, mas as escrituras nos mostram claramente que isto é uma realidade bem presente na vida de todos aqueles que respiram.

Clamamos tanto ao Pai pedindo que Ele nos cure, que afaste de nós as adversidades, o choro e não nos damos conta do que está escrito: “De forma similar o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, porque não sabemos como orar como devemos. Mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos muito profundos para serem transmitidos por palavras”. (Romanos 8.26 – versão Bíblia Judaica Completa)

Talvez aquilo que tanto pedimos que Senhor afaste seja exatamente o que precisamos para sermos desconstruídos e para que Cristo seja formado em nós um pouco mais.

Não quero contudo defender a ideia de que devemos parar de clamar ao Pai no meio da dor e da adversidade, até porque creio num Deus que intervém. A questão é o não aceitarmos o silêncio divino, ou acharmos que Deus se esqueceu dos seus. Deus nos ama e sabe o que é melhor pra nós, ainda que tenhamos de sofrer. Ele conhece a nossa necessidade mais do que nós conhecemos. Ele sabe do que precisamos, nós é que não sabemos.

O sofrimento é um cenário inevitável, se não nos deparamos com ele ainda, tenha certeza, é questão de tempo até que bata em nossa porta. Porém ser feliz não é o oposto de sofrer, mas o apesar de.

A felicidade é uma jornada e não um destino” (Compassion)

Portanto quem acusará o povo eleito de Deus? Com certeza Deus não o fará – é quem o faz serem considerados justos! É Deus quem os justifica; quem os punirá? Com certeza não será o Messias Jesus, que morreu e – mais do que isso – encontra-se à destra de Deus e está agora pedindo a nosso favor! Quem nos separará do amor do Messias? Tribulações? Dificuldades? Tempos difíceis? Perseguição? Fome? Pobreza? Perigos? Guerra?; Como esta escrito: ” Por tua causa somos condenados à morte o dia todo, somos considerados ovelhas para o abate”; Não, em todas estas coisas somos supervencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8.33-37 – versão Bíblia Judaica Completa)

Precisamos entender que sermos mais do que vencedores não nos dá o benefício de anularmos as condições que a vida nos impõe, mas perceber que as temos debaixo dos nossos pés e que não são elas ou a falta delas que determinam a nossa felicidade.

Muito além de tentar fugir da chuva que cai sobre a nossa cabeça, precisamos pedir ao Senhor que nos ensine a lidar com ela quando vier e ainda mais, nos encher de uma alegria tal que nos faça dançar mesmo se a garoa virar tempestade.

No amor do Cristo. Mas não sem lutas.