Às portas da Nova Jerusalém

Já disse outras vezes que adoro o livro de Hebreus. Mais precisamente, adoro a galeria dos heróis da fé no capítulo 11 e a recomendação do autor de nos espelharmos nos seus exemplos no começo do capítulo 12.

Além de lembrar que a fé é a certeza nas coisas que ainda não são como se já fossem, há uma enxurrada de exemplos de homens e mulheres que viveram nesse mundo acreditando no que não era como se já o fosse.

O que dizer do sacrifício superior de Abel (vers. 4), do arrebatamento de Enoque (5), da salvação monumental através de Noé (6), do pai da fé, Abraão, que não só foi pai de toda uma nação, mas também abriu o caminho da imputação (8-10)? O que dizer de Moisés, Raabe, Isaque, Jacó?

Homens e mulheres que não tinham internet, celular, não tinham pastor, nem igreja, nem bíblia pra se apoiarem. Gigantes que se agarraram firmemente à promessa do Deus vivo que tinham recebido diretamente dEle. Que contaram como certo o que só se via de vislumbre!

Realmente toda vez que esse capítulo vem à tona, a mensagem invade nosso coração porque nos lembra da vitória maravilhosa desses grandes irmãos que fincaram seus pés na rocha e confiaram no seu guardador!

Mas gostaria de ressaltar dois versículos pouco falados e que enchem meu coração de grande consolo:

“Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra”. (Hebreus 11.13)

“Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido”. (Hebreus 11.39)

Incrível, não? A gente gosta de cantar que não vamos morrer enquanto não recebermos tudo de melhor que Deus tem pra nós. Mas a bíblia mostra, claramente, os grandes homens que construíram a história do antigo testamento morrendo sem receber a excelência das promessas.

Mas ainda, o segundo versículo aponta pra um grupo diferente de irmãos: os perseguidos. Poucos versículos antes o autor enumera o terrível calvário dos que morreram sem receber o que havia sido prometido: zombaria, açoites, correntes, prisões, apedrejamentos, foram serrados ao meio e mortos a fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados.

Mas estas são as pessoas em que a bíblia diz: “o mundo não é digno delas”.

Qual o sentido de viver assim? Esses morreram em vão?
“Os que assim falam mostram que estão buscando uma pátria”. (Hebreus 11.14)

Estamos caminhando para essa pátria.

Ainda que possamos passar nossas vidas inteiras aqui tendo apenas um vislumbre das promessas que foram feitas, Deus ainda continua fiel acima de tudo e de todos. A plenitude das promessas ainda há de se cumprir! Nenhuma delas, por menor que seja, vai falhar.

Esses irmãos já estão gozando de todas essas promessas. Já vivem na nossa pátria celestial onde, agora sim, a morte foi tragada pela vitória. Estão esperando por nós e nos incentivando a continuar, como eles continuaram, apesar da tragédia e da desgraça.

Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial.

“Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois preparou-lhes uma cidade”. (Hebreus 11.16)

Tire seus olhos dessa terra. Você pode morrer sem receber aquilo que você acha que Deus prometeu. Pode ser que você morra sem sua casa, sem seu marido, sem seu diploma, sem liberdade, e sem reconhecimento.

Mas há uma cidade preparada pra você. E pra mim! Lá sim, seremos plenos de toda a abundância das bênçãos celestiais e tesouros em Cristo Jesus, nosso Senhor!