Quando a esmola (graça) é grande, o santo (crente) desconfia

Não sei vocês, mas quando eu vejo no supermercado um produto muito barato, quase de graça, observo logo a data de validade e, quase sempre, o mesmo está próximo do vencimento.

Quando aparecem aquelas promoções inacreditáveis, há algo que o faz não se tornar totalmente de graça, por exemplo: quem compra queijo mozarela, geralmente leva presunto, então, se o queijo está barato, o presunto fica um pouco mais caro, e assim acontece com outros produtos, onde o que é barato serve de isca para o outro mais caro.

Receber algo de graça é muito estranho, porque quase sempre há uma troca sendo feita. Se eu ganho um aumento, significa que preciso me doar mais; para eu ganhar um carro na promoção do shopping, preciso comprar os produtos daquele local; para eu ganhar presente de casamento, preciso fazer uma festa e convidar os meus amigos; para eu ganhar fraldas para o meu filho, preciso organizar um evento e usar as fraldas como ingresso; enfim, é muito difícil receber algo inteiramente de graça, por isso que o ditado diz: quando a esmola é grande, o santo desconfia.

Nós, que somos cristãos deveríamos saber que existe algo que foi dado de graça por Deus. Deveríamos saber que Jesus Cristo morreu por cada um de nós e concedeu sua graça de graça para todos nós, devemos portanto crer nEle e recebê-lo como Senhor e Salvador.

Deveríamos saber disso, mas me parece que muitos cristãos ainda não entenderam essa lógica, pois, afinal, quando a graça é grande, o crente desconfia.

A desconfiança é tanta, que vemos os cristãos se martirizarem e serem manipulados a fazerem todo esforço que puderem para conquistar a vida eterna.

São pessoas que no fundo não querem fazer o bem, mas o fazem porque acham que assim podem ir para o céu. Que cumprem as regras bem direitinho, devolvem os dez por cento do seu salário, não faltam um culto dominical e leem a bíblia regularmente, porque assim acreditam que poderão conquistar a salvação. Infelizmente muitos desses que agem de tal forma, se cansam de fazer o papel de bom e, por não entender a graça de Deus, sentem-se sobrecarregados com a missão que lhes é imposta e desistem.

Conceber a graça de Deus não é fácil, pois essa lógica não faz parte da nossa vida, por isso é que Deus nos convida a trocar a lógica pela fé, e simplesmente aceitar o que foi dado, sem questionamentos, apenas com agradecimentos.

Mas se é assim, então não preciso mais fazer o bem como estava tentando fazer? Ou então nem preciso mais dedicar tanto tempo para Deus, como estava tentando dedicar? Estou livre pra fazer o que eu bem entender?

Se você faz ou já fez esse tipo de pergunta, saiba que não é a única pessoa, pois eu já fiz várias vezes essa pergunta.

Quer saber a resposta? Talvez você nem precise, porque se Cristo habita em você verdadeiramente, esses questionamentos vem e vão, pois a vontade dEle prevalecerá na sua vida.

E a vontade de Cristo é que você faça exatamente o que tentava fazer para conquistar a salvação, sendo que, ao invés de fazer por condição, você fará por consequência.

Os atos de bondade daquele que serve a Cristo são consequência por servi-lO, pois não há como estar em Cristo, conectado na videira (João 15), sem dar os frutos que Ele deseja que demos.

O texto escrito pelo apóstolo Paulo, em Romanos 3.21-31, na versão da bíblia “A Mensagem”, é perfeito para explicar isso que estou dizendo:

“Por pura graça generosa, ele decidiu acertar nossa situação com ele. Um presente do céu! Ele nos retirou da confusão em que estávamos e nos restaurou, para fazer de nós o que ele sempre quis que fôssemos. E ele o fez por meio de Jesus Cristo… O que aprendemos é o seguinte: Deus não reage ao que nós fazemos, nós é que reagimos ao que Deus faz.

Mas ao mudar o nosso foco do que nós fazemos para o que Deus faz, não anulamos a rigorosa guarda das regras e leis que Deus estabeleceu? De modo algum! Quando adotamos o estilo de vida condizente com essa reconciliação, nós a confirmamos.”

Depois das dúvidas eu entendi que não posso comprar minha salvação com obras, pois foi dada de graça. Eu entendi também que não posso chutar o pau da barraca, pois o Espírito Santo que habita em mim, me leva a fazer jus ao presente que me foi dado.

Eu percebi que, mesmo sabendo de tal graça, ainda sinto vontade de fazer o que é mal e peco constantemente, mas o mesmo Espírito me conscientiza do pecado e me leva ao arrependimento.

Eu entendi que existem coisas que não carecem de explicações, eu só preciso depositar um pouco de fé e acreditar no que me foi concedido.

Eu aprendi que quando a graça divina é grande, não devo desconfiar.

Concluo esse texto citando uma parte da letra “Sobre a Graça” de Paulo César Baruk.

“Não importa o que eu faça, não importa o que eu diga
Seu amor por mim não falha, sua graça é maior que a vida
Pela graça eu salvo sou, pela graça me libertou
Eu jamais fui merecedor, mas pela graça, pela graça”

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2.8-9

https://youtu.be/-ChRa-MmdOk