Quando o pecado vencer

Quantas pessoas você conhece que estão distantes de uma comunhão mais íntima com Deus por sentirem-se sujas e excluídas em razão de terem cometido certos pecados e não estarem conseguindo vivenciar algumas experiências da caminhada cristã? Certamente, algumas destas pessoas podem estar sofrendo muito, pois, gostariam de estar mais próximas da comunhão da igreja, trabalhando mais ativamente pelo Reino, mas, devido a estes tropeços acabaram se afastando de Deus, pensando não serem mais dignas de estar na presença dEle. E se essa pessoa for você? E se é você que hoje se sente na lona, excluído, indigno de participar da mesa do Senhor e estar mais próximo dEle? O que fazer?

Pois bem, essa forma de pensar, que soma débitos e créditos não está de acordo com o que encontramos na Escritura Sagrada. No Reino de Deus o “toma lá dá cá” não funciona, por mais que façamos, por mais santos que venhamos a ser, por mais irrepreensíveis que sejam nossas obras, elas nunca serão suficientes para nos justificar diante do Pai e fazer com que Ele nos aceite em sua presença. É preciso que tenhamos de forma muito clara em nossas mentes que não são nossos feitos que garantem nosso relacionamento com Deus, para isso, nos seria necessário viver uma vida toda sem pecado, da maternidade ao túmulo, do nascimento ao último suspiro. O problema é que nenhum de nós nunca conseguiu viver uma vida toda sem pecado. Nossa relação com Deus, hoje, só é possível porque alguém pagou essa conta, alguém viveu essa vida toda sem pecado em nosso lugar e nos deu, de graça, a dádiva de poder chamar a Deus de Pai.

A ideia de que é necessário estar “bem com Deus” antes de poder aproximar-se dEle ou relacionar-se com Ele é um grande engano. Deus não nos ama porque temos algo a oferecer, Deus nos ama simplesmente porque decidiu nos amar. Ele sabe muito melhor do que qualquer pessoa e até do que nós mesmos, o quão limitados somos e o quão triste nós ainda O deixaremos por causa de nossos pecados, porém, misteriosamente, Seu imensurável amor por nós permanece inabalável.

Existe uma perigosa inversão ocorrendo atualmente. Muitos têm entendido que primeiro eu devo ser santo, para que isso me torne apto a estar mais próximo de Deus, no entanto, a ordem das coisas é exatamente a oposta. Primeiro eu devo me aproximar de Deus, seja como for, rasgado, quebrado, sujo ou mal-cheiroso, depois devo crer e confessar a Jesus – é bom frisar que crer e confessar a Jesus tratam-se de práticas constantes da vida cristã que têm implicações muito mais profundas do que temos aprendido dentro de algumas igrejas atualmente – a partir daí, a vida de Jesus em minha vida começa a me transformar, começo a ser santo, ou seja, começo a me parecer cada vez mais com Jesus. Em suma, é a fé em Jesus que precede a santidade, e não o contrário.

Não é a força do nosso próprio braço que nos faz santos e aceitáveis perante Deus, é Jesus a única pessoa capaz de limpar nossos pecados e cobrir nossas vergonhas, foi Jesus que levou sobre si todas as nossas incapacidades e faltas, o justo castigo que era nosso por direito estava sobre Jesus na cruz do calvário, foi Jesus quem bebeu até a última gota do cálice da ira de Deus contra nós, era Ele, o Homem de Dores que lá estava, sangrando, desprezado, desfigurado, assassinado por nós, abandonado pelo Pai, conhecendo de perto o absurdo da agonia extrema como nenhum outro homem jamais vai conhecer, por isso, e apenas por isso, hoje podemos ter paz.

O pecado é algo horrível, porém, algo ainda mais horrível é permanecer afastado do único que pode te libertar do pecado. Eu sei que por vezes é complicado, nosso senso de justiça própria nos impede de buscar a Deus depois de cometermos uma falta sem que antes busquemos pagar por esta falta, mas esse é o entrave, isso é o que diferencia a fé cristã de todas as outras crenças, seja bem-vindo ao reino da graça de Deus! Nada depende de você, não há o que fazer, não há o que pagar, tudo foi feito na cruz, tudo foi pago na cruz! Você não é mais ou menos digno quando peca ou deixa de pecar, ou sua dignidade diante de Deus está toda em Cristo Jesus ou você estará completamente perdido confiando em suas próprias obras atribuindo a elas a sua redenção. Obras são consequências, não a causa do nosso encontro com Cristo.

Diante dessa realidade, nos momentos da sua vida quando você estiver caído, na lona, envergonhado por conta do pecado, não se esconda, não se afaste, não rompa relações com Deus pensando que alguma falha sua tem o poder de te afastar dEle e anular o que Jesus fez na cruz por você. Não! Nada, nunca poderá te afastar do amor de Deus! A cruz é suficiente! A dívida foi paga!

Quando o pecado vencer e a vergonha bater à porta, esteja você do jeito que estiver, onde estiver, tenha você feito o que for, se lance aos pés do Salvador, clame por Ele, peça perdão, tenha humildade no coração, não viva a vida com Jesus arrastando fardos que já não são mais seus e que não vão te levar a lugar algum, entregue tudo a Ele, confie profundamente nEle. Todos os dias são dias de reconciliação, todos os dias são dias de perdão, inclusive hoje, inclusive agora. Se há algo que precisa ser reparado, algo que precisa ser consertado, procure nesse momento um lugar reservado, ajoelhe-se diante de Deus, peça perdão com sinceridade e sinta imediatamente o amor restaurador do Deus-Pai, que entregou seu único Filho por amor a você, lhe dizendo graciosamente: eu te perdoo, vamos começar de novo?

Que Deus nos alcance!