Senhor, me ajuda a ter compaixão

Esses últimos dias tenho lido repetidamente o livro de Marcos, um livro que possui um ritmo acelerado, que fala sobre a vida de Jesus em apenas 16 capítulos, mas suficiente para olharmos o quanto fluía compaixão na vida do mestre.

Olhando para o exemplo dEle, é que me questiono a cerca da minha compaixão, dos meus atos de amor e bondade pelo próximo. Será que de fato eu amo o meu próximo?

Como cristãos, entendemos que nós temos três atitudes para tomar durante toda nossa vida: amar a Deus, amar o próximo como a si mesmo e anunciar as boas novas de Jesus. Mas até que ponto estou amando o próximo de verdade? Até que ponto os meus atos de compaixão tem sido verdadeiros? Tem sido única e exclusivamente pensando no bem do outro?

Carlos Drummond de Andrade, no livro O avesso das coisas, falou sobre caridade da seguinte forma:

“A caridade seria perfeita, se não causasse satisfação a quem a pratica”.

Essa frase do Drummond me fez pensar o quanto pensamos em nós mesmos antes de praticar o bem. Quantas vezes se vai doar sangue para receber uma folga do trabalho? Quantas ongs são abertas com o fim de arrecadar apoio e patrocínios, guardando no bolso mais do que é investido? Quantas vezes nos envolvemos em ações de solidariedade para fazermos selfies, postarmos nas redes, ganharmos likes e parabéns por ser bonzinhos?

Quantas vezes fazemos o bem pelo próximo simplesmente porque somos cristãos e devemos fazer o bem pelo próximo?

Nessas últimas semanas estive em uma conferência de empreendedorismo social em Recife (VOX), e lá conheci um cara chamado Albenes Sousa. Ele não é evangélico, porém o seu amor pelo próximo é muito maior do que o meu, que tenho Jesus como exemplo diariamente. O Albenes mora em Brasília, e todos os dias ele levanta às 5h para treinar meninos carentes no atletismo, os tirando da droga e os transformando em maratonistas. Às 7h30 ele vai para o seu trabalho, e depois do expediente volta para treinar os meninos. Pelas suas mãos já passaram grande atletas do nosso país. Albenes faz isso há 35 anos, com recurso próprio.

Em Mateus, capítulo 25, Jesus explica aos discípulos como será o dia da sua vinda. Lá ele diz que teve fome e não o deram de comer, teve sede e não o deram de beber, não abrigaram o estrangeiro, não vestiram o necessitado, não visitaram o doente e o prisioneiro. As pessoas questionam: Quando foi que deixamos de fazer isso por ti? E no verso 45 ele diz: “Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.”

Eu entendo que Cristo está dizendo que se soubéssemos que era Ele naquela situação, faríamos algo, por temor a Ele, e não por amor às pessoas. E isso é que eu venho me questionando: até que ponto tenho feito o bem simplesmente por compaixão às pessoas? Assim como o Albenes?

Se você se enxerga fazendo isso, assim como eu me enxerguei, não deixe de fazer, pois apesar das nossas intenções, o mundo precisa de pessoas boas agindo, mas te convido a melhorar essa postura, a agir de uma maneira diferente, agir da forma como o mestre agiu.

No livro de Marcos, capítulo 6, lendo sobre a multiplicação dos pães e peixes, consegui perceber o amor de Jesus pelas pessoas. Na ocasião Jesus chama seus discípulos para ir a um lugar deserto e descansar um pouco, pois os dias tinham sido corridos, porém a multidão descobriu para onde eles estavam indo, e chegaram primeiro. Jesus mesmo precisando parar para descansar e comer, abre mão desse direito por amor ao próximo. No verso 35 Marcos relata:

“Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas.”

Surgiram várias dúvidas em meu coração sobre as minhas intenções, mas ao mesmo tempo eu entendo que se depender de mim não consigo ser tão bom, que dependo do amor de Jesus para conseguir agir da forma que Ele deseja que eu aja. Percebi que fazer o bem não é apenas dar algo material. Fazer o bem pode começar com atitudes simples, como ajudar alguém a atravessar a rua, desejar um bom dia, dar um abraço, estender a mão para um necessitado, enfim, todos os dias somos confrontados a agir como Jesus.

Então, antes mesmo de fazer uma grande revolução, que poderia ser tornar um simples fogo de palha, resolvi simplesmente orar. Tenho orado para que Jesus derrame esse amor sobre mim, que Ele abra os meus olhos para enxergar o invisível, que o Espírito Santo me incomode ao cruzar por alguém que necessita de atenção.

Um amigo meu disse assim pra mim: Você tem certeza do que você quer pedir a Deus? Eu disse: Sim, eu tenho, por que? Ele disse: Pois se prepara, porque eu garanto que essa oração Ele vai te responder, e você vai enxergar o invisível.

Que assim, seja. Amém!