Seria incoerência um cristão sem uma boa reputação?

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Cristão não tem reputação, e a opinião dos outros não lhe importam muita coisa. Pelo menos, é assim que deveria ser. Essa é uma verdade que a gente não costuma ouvir, ou aprender nos nossos cultos, nas nossas reuniões e nas nossas celebrações comunitárias. O famoso e popular testemunho que as denominações históricas da religião cristã evangélica brasileira defendem, está sempre ligado ao aspecto moral, sua capacidade de viver de forma reta, íntegra, honesta e com todos as outras características que nós estamos cansados de atribuir àqueles que consideramos crentes sérios, para representar sua vida diante de Deus, e representar Deus diante das pessoas.

Mas e como era a reputação de Jesus?

Isso é o mais engraçado. Pois, para Jesus de Nazaré, e talvez eu esteja errado nisso, é contra essa história de testemunho, no sentido de julgar e avaliar a conduta de pessoas para que elas se tornem seus representantes na terra. Aliás, o próprio Jesus de Nazaré, era chamado de mentiroso, endemoninhado, glutão, beberrão, gente que não tem nada de bom e nada a oferecer. Aí está a nossa incoerência, em mais uma vez, olhar para aspectos visíveis, mensuráveis e de padrão extritamente comportamental para realizar uma avaliação a respeito da conduta como cristão, a fé, e a possibilidade ou não de pessoas serem dignas ou merecedoras de uma relação com Deus, ou se elas deveriam ser afastadas e privadas da vida comunitária.

Não são poucos, pelo menos os que eu conheço, os casos, em que pessoas viveram aspectos que, talvez não sejam os mais adequados para suas histórias, e foram comparadas com a pior espécie de pessoas que na opinião dos sacerdotes evangélicos, não tem condição de estar no meio da comunidade daqueles que creem.

Abrir espaço para se viver como bem entende, não é, nem de perto o que pretendo com esse texto. Quero, na verdade, parar para pensar como como nós, aqueles que cremos no evangelho de Jesus, e vivemos uma vida comunitária na igreja local, somos tão preocupados com situações toscas, opiniões pessoais e de pessoas que pouco, ou nada se importam conosco e até mesmo com a opinião de gente que a gente também não faz muita questão de se relacionar, a respeito da nossa vida.  

E como entender essa história de testemunho?

Do ponto de vista cristão, o “famoso testemunho” que citei acima, é algo que os outros validam ou chancelam para nós, o confirmando pública, ou secretamente. E não é de forma nenhuma, algo ruim, as pessoas reconhecerem na sua vida, uma grande transformação, ou aspectos morais positivos. Contudo, o cristianismo não acaba aqui. Aliás, para Jesus de Nazaré, esse tipo de conveniência social, admiração pública, e concordância popular, não foi muito comum em sua vida e principalmente em seu ministério. Então, penso que, Jesus, não queira ou espere de você algo diferente do que Ele teve.

A pergunta a se fazer é: e você quer, de fato, uma identificação tão profunda com Jesus de Nazaré?

Se Jesus de Nazaré, aquele que nós, que nos convertemos e nascemos de novo, dizemos depositar a nossa fé, ou seja, entregar o controle total das nossas vidas, reconhecendo-o como nosso Senhor e salvador. Se Ele é chamado de endemoniado, glutão, beberrão, filho do diabo, e tantos outros adjetivos pejorativos, o que é que você espera por ser um discípulo de Cristo?!

Temo estar vivendo uma fé dentro da comunidade local que espera o apresso social; que espera o bater nos ombros de gente que aparenta ter sucesso e vida tranquila, mas tem o caráter duvidoso; que espera ser lembrado e citado como grandes homem e gente de influência; que espera ter a sua opinião respeitada, citada e popularizada em meios de comunicação; que espera ser lembrado em solenidades, nem que seja para uma palavra de oração. Temo estar vivendo uma fé, evangélica, num sentido que ressoa negativo ao nosso coração já há algum tempo, e isso não me levar ao cerne do evangelho, que é a cruz do nosso Senhor.

Temo e reconheço. Que muitas das vezes, troco a mensagem da cruz por uma lembrança, abraço, aperto de mão e reconhecimento, que no fundo, deveria conseguir abrir mão e não consigo. Muitas vezes, troco a cruz de Cristo pela conveniência e amizade com gente que não quer se relacionar com Cristo, e negocio verdades que Deus tem ministrado a minha vida para manter relacionamentos superficiais que no fundo só me proporcionam uma popularidade falsa e política, temendo o escárnio, a desaprovação e o sofrimento do Senhor.

Assim, me incluo na necessidade de arrependimento, e pedido de perdão ao carpinteiro. Que o Nazareno, rico em misericórdia nos continue a ministrar, principalmente a sinceridade no nosso coração, gerando em nossas vidas a vida dEle, o Cristo.

Não gosto de encerrar meus textos com perguntas, mas encerro com uma série de perguntas para que pensemos, repensemos e se for necessário nos arrependamos a despeito de nossas convicções de fé fé.

Será que cremos no Jesus de Nazaré que foi crucificado há 2000 anos, ou inventamos uma divindade que te tornou tão bom que viver, como Ele nos convida a viver, é algo pesado demais para nós. E quando comparado com os conceitos e assuntos atuais, pesando bem, consideramos os conceitos sociais mais interessantes para nossa vida?

Será que cremos no Jesus de Nazaré que o evangelho apresenta, que se propõe a não ter nada além do Reino de Deus, ou já compreendemos que essa realidade não é literal e podemos confiar também em outras coisas a mais além do Senhor?

Será que Jesus de Nazaré pagou o preço dos nossos pecados para que agora a gente viva como a gente quer, ou será que Jesus de Nazaré nos comprou para Si, para vivermos como Ele quer que a gente viva?

Será que Jesus de Nazaré é mesmo o nosso Senhor ou será que se trata, apenas de uma história bonitinha de ensinamento filosófico embutido, como diversas fábulas orientais e agora apenas se tornou conveniente assumir essa “fé” para a sociedade atual?

Espero que a gente pare de se preocupar com reputação. O filho de Deus veio ao mundo, esvaziando-se de sua glória, de Seu poder, aderindo a forma de homem, servindo o mundo e o amando; sendo humilhado, transpassado e ultrajado. E nós, que cremos no Senhor, não temos o direito de querer coisas diferentes dEle. Que o Senhor expanda a nossa consciência para que a gente veja quem Jesus era, e que a vida como Jesus viveu era a vida de verdade.

Assim, que nos seja possível, à exemplo de Jesus, amar a humanidade, indistintamente; servir as pessoas, tantas quantas nos for possível; e ensinar ao mundo a única resposta cristã ao sofrimento provocado pelos outros, o perdão.

Que Deus te abençoe.

Em amor e pelo amor.