Teologia improvável de Vanessa da Mata

Sem perder a esperança e seguindo marginal pela trilha dos improváveis agentes do evangelho, continuo caminhando com a cabeça virada para o lado, buscando encontrar coerência naqueles institucionalizados “de dentro” que dizem fazer parte do Reino do amor e da justiça, que confessam viver por uma causa maior do que as suas próprias vidas, mas que encontram todas as justificativas de que precisam para amparar suas heresias, sistematizando ao extremo as escrituras. Por tudo isso e mais um pouco, confesso, está difícil ser cristão e andar de baixo do teto da religião.

Enquanto tento me desvencilhar dos autonominados “apóstolos”, dos profetas e profetizas que trabalham mais como videntes do que como voz de Deus para o seu tempo, dos mercenários do mercado gospel que dizem crer em um deus, mas se esquecem de deixar claro que esse não é outro senão o dinheiro, daqueles que exaltam o seu conhecimento acadêmico e esquecem-se de lavar os pés descalços, encontro lampejos do caráter da Trindade em lugares onde jamais esperei encontrar e sou grato a Deus por isso.

Recentemente me deparei com esse esboço que exponho um pouco mais abaixo da obra inclusiva de Jesus e de todo o movimento divino em nossa direção.

Pode ser que você não acredite que exista uma graça comum que bata nos lombos de todos os que foram presenteados com o dom da vida, mesmo aqueles que ainda não confessaram explicitamente sua fé em Jesus Cristo, mas é assim e apenas assim que consigo entender como alguém é capaz de amar sem ter a consciência de quem É o verdadeiro amor.

Sei que a canção não foi escrita com a tensão que replico por aqui, mas é inegável que Deus tem os seus meios de se fazer entender e ouvir, inclusive por contextos locais que ganham sentido milhares de anos depois, como é o caso dos Salmos ou de todo o profetismo hebraico.

Deixando as explicações de lado, vamos à canção e segue minha sugestão: aperte o “play” enquanto faz essa leitura, quem sabe algo novo não é revelado no meio de toda essa simbologia.

Achei você no meu jardim entristecido / Coração partido / Bichinho arredio / Peguei você pra mim / Como a um bandido / Cheio de vícios / E fiz assim, fiz assim: / Reguei com tanta paciência / Podei as dores, as mágoas, doenças / Que nem as folhas secas vão embora / Eu trabalhei / Fiz tudo, todo o meu destino / Eu dividi, ensinei de pouquinho / Gostar de si, ter esperança e persistência sempre / A minha herança pra você é uma flor / Um sino, uma canção, um sonho / Nenhuma arma ou uma pedra eu deixarei / A minha herança pra você é o amor / Capaz de fazê-lo tranquilo, pleno / Reconhecendo no mundo o que há em si / E hoje nos lembramos sem nenhuma tristeza / Dos foras que a vida nos deu / Ela com certeza / Estava juntando você e eu / Achei você no meu jardim” (Minha herança: uma flor – Vanessa da Mata)

Wow! Que incrível!

A vontade de Deus já estava definida antes da fundação do mundo (I Pedro 1). Engana-se feio quem pensa que a obra da cruz era um plano alternativo para ser utilizado caso alguma coisa desse errado, alguma espécie de “plano B”. Muito pelo contrário, o antídoto já estava à disposição bem antes do veneno; o perdão já era conhecido muito antes da culpa, e a salvação já estava presente muito antes do juízo porque era necessário ou nada existiria. Tudo isso foi possível no Filho.

A canção fala de um cuidado extremo e de uma realidade necessária para que o ferido e o cuidador estabeleçam uma relação de amor. Todo esse movimento parte de apenas um lugar, daquele que “vai até”, do que se “inclina para”, do que espera no caminho, do Pai, desde o jardim (Éden), onde a dor foi concebida, até a “tranquilidade” da plenitude com a herança do Amor.

Tem gente tentando “curar-se” sozinho, mas não entendem que isso é algo impossível. Todo aquele que desiste da trilha solitária e para de se bater no meio das suas impossibilidades encontra abrigo seguro nos cuidados de um Ser totalmente pleno.

Enquanto um bando de gente segue encabrestada sendo papagaio dos exploradores da fé, a vida vai seguindo o seu curso e Cristo arrebanhando os que ouvem a Sua voz.
Termino este breve texto afirmando com plena convicção, amparado pela Palavra e cantando a canção da Vanessa, que: Jesus não veio apenas me ajudar a ser uma pessoa melhor, dando bons exemplos de como devo andar e agir. Ele veio resolver toda a questão do Pecado, assumindo o meu lugar na Cruz, morrendo a minha morte, ressuscitando ao terceiro dia, deixando, pela Sua misericórdia, de conduzir-me para onde eu merecia, dando-me graciosamente tudo o que eu preciso pelo precioso Sangue de Jesus.

Quer nascer pra Vida? Morra pra você mesmo. Quer ser definitivamente “curado”? Necessário é nascer de novo. Entre viver e morrer, escolha sempre viver.

Daqui para Lá, que o Pai nos pegue todos os dias no caminho.

Amém.