Tia, eu tenho medo de Jesus!

Uma vez minha esposa estava ensinando na sala infantil de nossa igreja, quando uma criança disse à ela que tinha medo de Jesus. Esse medo tinha uma explicação, pois a mesma havia visto um ensaio de uma peça sobre a Páscoa e estava assustada com as marcas do sofrimento de Cristo.

Assim como aquela criança, existem várias outras pessoas – de diferentes idades – que têm medo de Jesus. Muitos têm medo que ele volte e que não estejam preparados para subir aos céus; têm medo de serem castigados pelos seus erros; têm medo de se aproximarem dEle e deixar tudo o que gostam de lado.

Isso acontece porque existe uma forma de se pregar o evangelho que espanta, é o evangelho do medo, no qual, por qualquer motivo, você pode perder sua salvação e ir para o fogo do inferno.

Esse evangelho escraviza as pessoas e não as deixam sentir o gostinho do amor de Deus, pois estão sempre preocupadas em seguir regras e costumes para não serem castigadas pelo Criador.

O medo do inferno é muito maior que o desejo de ir para o céu. Devido a isso, o medo de Jesus aumenta, pois nunca se sentem preparadas, porque não conseguem enxergar a salvação que lhes foi garantida.

O apóstolo Paulo nos fala em 1 Coríntios, capítulo 2, sobre as coisas que Deus tem nos dado gratuitamente, mas infelizmente muitas pessoas não entendem, pois só é possível entender através do Espírito Santo. Quando leio Paulo citando as sagradas escrituras e afirmando no versículo 9 – “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” – eu entendo que uma parte do povo cristão vive uma pseudo-conversão (convertidos à religião), ou vive como o povo de Corinto, citado por Paulo no capítulo 3 – sem maturidade, acostumados com leite e não conseguem se alimentar de uma comida mais forte.

Quando aceitamos Cristo como Senhor e Salvador, é dado a nós o intérprete da palavra de Deus, recebemos instantaneamente o Espírito Santo em nossas vidas e é o Espírito que nos ajuda a compreender o que vem de Deus quando estudamos a Sua palavra.

Os convertidos à religião, ou os bebês na fé não compreendem, pois vivem à mercê de um sacerdote para interpretar o que a Bíblia diz, e é dessa forma que surgem os absurdos da religião.

O cristão não pode ter medo do mundo, não pode viver em uma bolha, em um mundo particular onde só pode ter amizades com crentes, ouvir música de crente e achar que só porque é feito por crente vale. Quando Cristo orou por nós, foi muito direto ao dizer: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno.” Jo 17:15

A igreja de Jesus não pode viver em uma bolha consumindo um produto chamado religião, deixando de cumprir o verdadeiro chamado ao qual fomos vocacionados. Precisamos salgar a terra, ter contato com a carne insossa, ser luz que está acima da mesa. Devemos proclamar Jesus tocando nas pessoas, amando e abraçando. Precisamos avançar sobre o inferno ao ponto das suas portas não prevalecerem e escancararem para a nossa entrada. (Mt 16:18)

Não seremos identificados como santos pelo o que vestimos, comemos ou bebemos, mas pela nossa forma de amar, pela nossa coragem e fé ao enfrentar as dificuldades, por nossa influência sobre o mundo, por nossa capacidade de perdoar a quem nos ofendeu e por nossa sensibilidade ao sentir a dor do outro, é assim que eu acredito, e agindo assim conseguiremos deixar de lado o medo de Jesus e sentir a alegria de estar com Ele e representá-lo.

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