A vergonha sempre foram as fadas

Eu nunca consegui acreditar no evangelho das fadas. É, esse evangelho que a gente encontra sem procurar muito por aí.

Eu não sabia, ansiava por alguma outra coisa sólida, que me transformasse, tirasse de dentro do monstro que eu sou um ser humano, alguém redimido, que pudesse achegar-se a Deus.

O evangelho das fadas é diferente, ele até faz “cosquinha”, pesa na consciência, apedreja o pecador. Mas não é de graça que ele fala. Pensei em algumas coisas que o evangelho das fadas defende, e resolvi escrever pra você, sabendo que corro o sério risco de não agradar a maioria, mas vamos lá.

1 – O evangelho das fadas prioriza o castelo, o evangelho de Cristo as pessoas.
O evangelho das fadas tem uma forte tendência de olhar para às suas cátedras e suas torres de marfim e reconhecê-las como sinal claro da benção de Deus. Engraçado, para mim, Cristo tinha nos enviado sem casa para dormir, sem ouro para comprar nada, sem capa reserva para o frio.

2 – O evangelho das fadas forma monarquias, impérios, figuras especiais.
O evangelho de Cristo forma comunidade. É, sabe aquela parada de um cara, que tem em seu nome uma grande denominação, com um monte de templos gigantes, que considera as ovelhas como SUAS, e não consegue admitir para si que elas pertencem a Cristo e o Bom Pastor às conduz para onde bem entende? Então, esse cara é que prega as fadas. Eles que constroem templos padrão Salomão, não sabem como é o evangelho real. Precisavam de um tempinho com Jesus. O mestre não se importava com isso aí. Ele estava mais interessado em que seus discípulos servissem um ao outro, tivessem as mesmas condições, ninguém padecendo por nada, mas vendo a provisão e cuidado do Pai diariamente.

3 – O evangelho das fadas te propõe um príncipe / princesa que chegará com o tempo.
O de Cristo te propõe discernimento e sabedoria para não escolher mal seu companheiro para vida. Então, sabe aquele sonho infantil, de cavalo branco, música de fundo, sol se pondo e vocês no final do arco-íris? Então, agora esse sonho é gospel, e não mais apenas seu. Segundo as fadas, Deus promete isso para todos, e que sua vida conjugal vai ser feliz para sempre. O evangelho de Cristo propõe sabedoria e perseverança no relacionamento que é uma troca, mas, o Senhor que insiste nas pessoas, se transformou no Mago que garante que algo melhor está por vir.

4 – O evangelho das fadas promove o conhecimento de quem o anuncia.
O evangelho de Cristo promove o conhecimento de Jesus. Ah, como as fadas promovem a si mesmas. Como estes são conhecidos, são tidos como loucos por isso ou aquilo. Como falam de si, suas aventuras, seus testemunhos. Viram ídolos. Fadas! O evangelho de Cristo tem espaço para a glória de apenas uma pessoa, Jesus. Deixe as fadas das profecias de louvor e adoração e os gnomos loucos de pedra para alcançar graça de andar com o carpinteiro que falava ao coração, não como um histérico, mas como alguém cheio de graça e de verdade.

5 – O evangelho das fadas se preocupa com os resultados, os números.
O evangelho de Cristo em promover novo nascimento. As fadas gostam dos métodos, são fissuradas nos nomes de “visões de igreja”. Fundaram o discipulado ‘X’, o modelo de igreja em ‘Z’, amam os ministérios das garantias numéricas. Cristo nunca quis isso. Parou uma viagem para conversar com um corrupto que estava em cima de uma árvore, jantou com Ele, e viu (fez) a salvação chegar àquele lar.

6 – O evangelho das fadas se preocupa com as manifestações superespirituais, os efeitos pirotécnicos.
O evangelho de Cristo está preocupado em promover arrependimento. Você já deve ter visto um show das fadas. Elas gostam das purpurinas, dos holofotes, de atos proféticos, de gritarias e danças que nada tem a ver com as de Davi. As fadas gostam de fazer coisas para simbolizar o poder de Deus. O evangelho de Cristo é o próprio poder de Deus para transformação, não anunciação extravagante de que o reino chegou. O evangelho produz arrependimento, mudança, transformação e não explosão de fogos de artifício.

7 – O evangelho das fadas está querendo lucrar. O evangelho de Cristo está querendo repartir.
O evangelho das fadas está querendo justificar o acúmulo de bens pela bênção de Deus. A sua condição financeira é tida como seu estado espiritual. As fadas gostam dessas coisas, atribuir significados não bíblicos. O evangelho de Cristo até vê a prosperidade como benção, mas é algo dado por Deus para que os pobres não fiquem sem comer. Deus conta com os ricos para abençoar os pobres, e não para que fiquem mais ricos.

8 – O evangelho das fadas promete que depois de Cristo seus problemas se findaram.
O evangelho de Cristo propõe que você terá problemas maiores por amor do nome dele. As fadas propõe que Deus é poderoso para te livrar de qualquer cilada do maligno. Não quero dizer que Deus não é poderoso para isso, mas Deus é tão poderoso que você conseguirá suportar cada um desses problemas na força e dependência do Seu Espírito. Ele te guiará em situações que se não fossem por Sua força, você certamente não aguentaria. Vai por mim, vem bastante perseguição por aí, e nem tanta promoção como as fadas prometem.

9 – O evangelho das fadas falam de coisas de outro mundo.
O evangelho de Cristo fala de um Reino aqui e agora, que se consome ali e além. O evangelho das fadas fala de criaturas para todos os lados. É um vulto que é demônio por aqui, é um tropeço no pé do Satanás ali, é anjo entregando mensagem ao pregador na hora do culto acolá. As fadas gostam dessas coisas. Elas ainda remetem a si a prerrogativa da fé, são tão espirituais que somente elas podem ver isso. O reino de Deus não quer saber de que mundo a coisa é. O reino de Deus te vê debaixo do sangue de Jesus, e sendo assim, alguém só te toca, se o Senhor permitir. O evangelho quer mesmo que você se preocupe com o que Deus te ensina, com o que Ele te orienta, e Ele trará a resposta final. Tudo pode passar, mas as palavras do carpinteiro humilhado permanecerão.

10 – O evangelho das fadas te faz especial.
O evangelho de Cristo te mostra quão maltrapilho você é. As fadas apregoam a paternidade do rei. Defendem os direito de primogenitura. Defendem as bênçãos que Deus já liberou sobre sua vida. As fadas declaram e tomam posse. Enquanto o evangelho de Cristo nos faz agradecer pela misericórdia, por estarmos vivos, por não sermos consumidos, por não sermos levados em consideração pelas nossas atitudes, mas sermos vistos debaixo do sangue do cordeiro. O evangelho de Cristo desnuda nosso mau caráter e mostra a grandeza e o poder do amor e perdão de Deus.

As fadas produzem os evangélicos. O evangelho de Cristo produz gente que faz parte do reino de Deus. Normalmente, gente que foi gerada pelo evangelho de Jesus não se denomina nada, fala pouco, mostram com a vida que receberam do Ressurreto.

Poderia me delongar, mas eu aprendi de que lado eu quero ficar. Talvez tenha tropeçado pelas fadas por aí, mas elas me fizeram ver a grandeza do evangelho do meu Senhor, que me acolhe, me transforma, trata meu caráter e me envia à pessoas carentes de amor. É isso que o evangelho faz: gente que não sabe ser gente sendo transformada em gente como gente sempre deveria ser.

Esse é o texto que encerra a nossa meditação em Romanos 1.16.

Espero ter te abençoado. Que o Senhor continue a nos ministrar o evangelho.

Em amor.