Deus de fraldas

Entre a manjedoura e a Cruz, tinha somente
um lindo interesse de reconciliação.

Uma das imagens mais chocantes da minha vida é pensar que o Deus do universo, Criador de tudo e todos, se sujeitou a descer como um frágil bebê, filho de gente simples. O rei das alturas agora era um morador de uma maloca no meio do nada, sem direitos a chá de bebê, berço e nem sequer um parto digno.

Um pequeno neném era tudo o que Deus tinha para enviar? Era aquela “cara de joelho” que resolveria todo o paradoxo existencial humano? Existe uma certa loucura nessa história que somente os malucos, pela dada fé, podem crer.

Um Deus de fraldas não me parece a figura mais forte que se tinha. Um Deus de fraldas não era nada convencional, não era o que se ouvia falar até então. Um Deus de fraldas parecia uma boa história para boi dormir. Um Deus de fraldas é no mínimo, um “gugu-dadá” sem respeito e reverência. Um Deus de fraldas era a maior vulnerabilidade encontrada entre os filhos de Adão e os céus.

Um Deus que além de babão, era preso a carcaça humana, limitado as necessidades de fome, sede e frio? Como assim um Deus que tudo fez depender do seio de uma mulher para se alimentar? Isso era tudo que Deus tinha para revelar seu amor?

A loucura da manjedoura nos colocou num lugar comum. A loucura dos passos de um jegue nos colocou no caminho eterno. A loucura de um homem e uma mulher nos fez ser homem e mulher como tem de ser. A loucura de um Deus que se resumiu em um serzinho “borrador de calças”, causou em nós o maior efeito de amor que poderia existir. Aquele menino não era qualquer um.

O Deus que se fez menino é o Deus que não tem nenhum problema com seu ego. É um Deus que se derrama, que se funde com sua criatura. É um Deus que busca incansavelmente a sua feitura, que restaura e valoriza seu invento. Que busca por meio do Menino, salvar todos os outros a sua imagem.

Entre a manjedoura e a Cruz, tinha somente um lindo interesse de reconciliação. Essa era a novidade para este mundo perdido. Era esse o absurdo! O menino era a maior e a melhor loucura que já existiu. A única solução para tudo!

Toda vez que lembro desse menino e do que ele fez, me coloco a pensar emocionado que se não fosse Ele, e não seria nada. Que nesse natal possamos entender que o Senhor era esse menino. Fraco porém forte, inocente porém sábio, e frágil porém uma fortaleza. Amém.

Murillo Leal é jornalista e escreve também no blog Crerpensando.
Contato: mumaleal@gmail.com
Facebook: www.facebook.com/lealmurillo
Links: http://about.me/lealmurillo