E o voto evangélico vai para…

Daqui a dois dias iremos às urnas para votar nas Eleições 2014. Do alto de meus vinte e cinco anos de idade, não me lembro de nenhuma eleição em que a escolha estivesse tão complicada de se fazer, pelo menos no âmbito presidencial, e no meu caso, estadual. Porém, ver como vi a alguns dias, verdadeiros nomes de referências no meio cristão declararem abertamente o voto, me faz ter alguma ponta de esperança de que o voto dos chamados evangélicos não seja apenas um voto de cajado influenciado pelo pastor, mas sim um voto inteligente, baseado em propostas e que visem o bem-estar e o acesso a direitos humanos fundamentais para todos, independente de classe social, cor ou credo.

Nosso voto não deve ser decidido apenas porque pastor tal falou em quem vai votar. Diga-se de passagem, pastor não vota, quem vota é o cidadão, então, o pastor que declara seu voto deve sempre ser desvinculada de sua função eclesiástica. É por isso que, na minha escolha, parti de três princípios interessantes e que quero compartilhar a fim de que possa, de alguma maneira, colaborar para a escolha de alguém. Não digo qual é a minha escolha, nem os motivos, mas apenas pontos balizadores. Espero que ajude e que ninguém grite por aí para quem é que vai o “voto evangélico”.

  1. Vote em candidatos que defendam a família

Como cristãos acredito veementemente que devemos votar em candidatos que defendam a família. No entanto, penso que “defender a família” está muito longe de ser traduzido em barrar o casamento gay ou algo parecido. Entendo que a população homoafetiva é, talvez, uma minoria, que deve ter seus direitos respeitados e, quando não prejudicial a sociedade, cedidos. Para mim, defender a família significa distribuir justamente a renda, a fim de que os pais de família não tenham problemas em prover os recursos para a satisfação de direitos humanos fundamentais de seus familiares, como: saúde, alimentação, habitação, educação, cultura, entre outras áreas. Famílias que são privadas desses direitos são alvos potenciais de problemas como: alcoolismo, drogas, violência e etc.

  1. Vote em candidatos que não beneficiam sua crença/religião

Imagine-se, como cristão, chegando em casa após um dia de trabalho e ao ligar a televisão se deparar com um programa islã em quase todos os canais. Ou ver seus filhos saírem para a escola com os livros estudantis e entre eles, o Alcorão.  Ou ainda, chegar ao seu trabalho e junto com seus colegas, serem obrigados a fazer uma oração para Alá abençoar o dia. Não seria nada satisfatório! Mas muitos cristãos evangélicos desejam que assim sejam em nosso país com pessoas de outras confissões religiosas.  Devemos votar em candidatos que assumam um real compromisso com a laicidade do Estado, com o direito a crença e também a descrença. Um candidato que beneficie apenas o interesse do grupo evangélico não se difere em nada de um candidato que defende os interesses de banqueiros, latifundiários ou empresários corruptos.

  1. Vote em candidato dos quais você já leu o programa de governo

Nós cristãos sempre gostamos de dizer por aí que para se ter “intimidade com Deus” devemos ler a Bíblia e orar, para estar conectado com Ele. Pois bem, no entanto, nesse momento em que temos que escolher um candidato para nos representar, a maioria de nós nem sequer sabe da existência ou não do programa de governo de seus candidatos. Isso é o básico para se conhecer o candidato: ler o plano de governo, pois é lá onde estará descrita a maneira que, em tese, ele governará o país, se eleito. Você já parou para saber, por exemplo, o que o seu candidato pensa sobre aborto, agronegócio, bolsa família, cotas raciais e etc? Você sabe se o pensamento dele alinha-se com o seu? Não desperdice seu voto, escolhendo o candidato sem antes ler seu plano de governo.

O que se conclui?

Devemos votar sabendo que essa não é a nossa pátria, mas cientes de que a gestão dessa terra foi outorgada por Deus a nós (Salmo 115:16). Que ninguém ganhe o nosso voto apenas por se declarar cristão. Que nenhum de nós vote apenas influenciado por seu líder religioso. Que saibamos que nenhum candidato é um Messias e nem que as coisas vão mudar, mas sim de que devemos ser coerentes com a Bíblia, e que a justiça deve ser manifesta a fim de que os direitos de todos sejam, de fato, concedidos. Que Deus seja glorificado também através do nosso voto!