Entrevista – Banda Simonami

Simonami é mais uma daquelas bandas que a gente escuta incansavelmente com direito a repetir sem enjoar. Formada em abril de 2010, por Jean Machado (Guitarra, vocais, composição), Alexandre Spiacci (Guitarra, vocais, composição), Luís Fernando Diogo (Cacarecos percussivos, composição), Fernanda Maleski  (Escaleta) e as irmãs Lay Soares (Vocais, composição) e Lio Soares (Vocais, composição), a banda já tem trabalhos gravados: “EP” (2011) e “Então Morramos” (2013). Confira aí, a entrevista!

SIMONAMI Ah, nome de banda sempre é meio bizarro, né? heheh Simonami podia ser um termo em tupi pra ‘índio que toca flauta na rua’, podia ser uma referência ao sigmund freud num anagrama manco, mas significa tão somente ‘Sim, meu amigo’, numa fusão de espanhol e francês. a gente aproveitou o trocadilho que dava pra fazer com o nome de um amigo nosso, o Simon, que botou a maior pilha pra gente virar banda um tempo atrás, aí dá pra ser ‘Simon amigo’ também. 🙂

MVC – Sabemos que o público de vocês é bem variado. Fica difícil dizer como é o estilo de música de vocês. Que tipo de música o Simonami faz?

SIMONAMI – Ai, cara. Nem sei se dentro da tchurma q a gente transita tem essas etiquetas mais… A gente já se chamou de folk favela, de lo-fi por causa do estilo das gravações, de indie (de independente)… hoje a gente se enfia naquela categoria em que cabe um mundo inteiro de variedades, chamada post-rock.

MVC – Alguns de vocês tem origem como músicos de dentro da igreja. Cantando em cultos e tal.. Há uma distância entre o som de vocês e as músicas cristãs que estamos acostumados a ouvir na igreja. Essa coisa de não cantar músicas com o evangeliquês tradicional nas letras de vocês é uma opção ou realmente vocês acreditam que é possível falar de Deus sem precisar ter a palavra “Jesus” na letra das músicas, por exemplo?

SIMONAMI – A gente não quer falar de Deus. A gente faz música autoral. Parece equivocado, estranho, herético que crentes em Jesus Cristo não queiram falar de Deus, mas compreendendo o evangelho como estilo de vida, fica esquisito fabricar mantras.

frase1A gente existe, insiste no caráter da boa canção e fala sobre envelhecimento, morte, dor, sofrimentos, conflitos que todo mundo enfrenta, nada de novo. Talvez a novidade esteja em enxergar como Deus se manifesta onipotente e complexo nesses temas. O evangelho se perpetua no caráter e a canção só precisa ser genuína. Se a gente vive Cristo ela vai refleti-lo sem que haja o movimento “querer falar de”, tá ligado? É intrínseco. Não é pra parecer pretensioso nem arrogante. É pra ser simples.

MVC – Como vocês classificam a música cristã hoje?

SIMONAMI – Não sei se a gente tem cacife pra classificar no sentido de apontar qualidade porque existem muitas perspectivas. A virtuosidade dos nomes na categoria gospel é inquestionável. Esse pessoal novo – Leonardo Gonçalves, Daniela Araújo, Arianne, Os Arrais – esse pessoal tá fazendo história na categoria.

Tem uma turma que também produz música e também é cristã que em maior ou menor escala não se preocupa tanto com o discurso gospel – Marcos Almeida, Lorena Chaves, Crombie, Mahmundi. Esse pessoal a gente classifica: FERAS! ahhahahahaha Aí tem a canção de cabresto. Versão de fulano, tradução de ciclano, cópia de beltrano, forró gospel, vanerão gospel, funk gospel, baboseira gospel etc. Aquela que não tem riqueza em lugar nenhum, nem harmônica, nem melódica, nem ideologicamente. E é o que tá abarrotando o mercado. Aí acho que dá pra classificar como sacanagem.

MVC – O que vocês costumam ouvir no tempo livre? O que inspira o Simonami? Quais são as referências de vocês musicalmente? O que vocês indicam de bandas cristãs interessantes?

SIMONAMI – Vamos começar do fim da pergunta pra apontar pras nossas escolhas musicais, hehe
Se a gente tiver a chance de dar um conselho pra quem tá lendo é: NÃO OUÇAM MÚSICA CRISTÃ! (se música cristã for sinônimo de gospel) O legal é procurar músicas que apontam pra natureza de Deus e pras humanidades da gente. Porque não existe nenhuma maneira da gente conseguir alcançar a intenção com que a canção foi composta e classifica lá como secular ou cristã. É impossível julgar, gente. Teríamos que ter a habilidade do Cristo de sondar corações. Mas a gente tem o intelecto pra mensurar o que parece com o discurso do Reino.

Um exemplo: sabemos que de Deus nada se exige feito quem manda em serviçal, então uma canção que entoa barganhas com Ele, que reclama direitos de chefia como se Ele fosse nosso vassalo NÃO PODE SER CRISTÃ mesmo que tenha sido gravada por um cantor gospel e esteja na ala de canções gospel na loja. Vamos escolher por conteúdo, ouvir cada uma e selecionar o que colabora pra construir no coração da gente o Reino e apontar pra nossas humanidades, enfim.

Artistas que tem colaborado com a gente nesse sentido estão em toda parte. Vamos elencar alguns aqui: Siba, Cidadão Instigado, Mahmundi, Cartola, Alcest, Peter Broderick, Sufjan Stevens, My Brygthest Diamond, Jónsi, Cícero, Daugther, Rodrigo Amarante, Silva, Originais do Samba, Elis Regina e chega, né? hehehehe

MVC – Vocês já tiveram a experiência de tocar com pessoas e bandas bem conhecidas como Marcos Almeida, vocalista do Palavrantiga, a Banda mais bonita da cidade, e tocar em festivais importantes.. bem como tocarão nos próximos meses agora no Rock no Vale. Conte mais como é que tá sendo essas aventuras.

SIMONAMI – A gente é peixe pequeno nadando em mar aberto. Tá tudo muito louco! Quem inseriu a gente nesse lugar foram as pessoas que apertaram play no soundcloud, que baixaram a guarda pra gente entrar e multiplicaram a gente no boca a boca, sabe? Aí é maravilhoso porque são poucas pessoas em muuuuitos lugares diferentes – que culminam num ‘médio’ de pessoas’ – ouvindo e compartilhando e abraçando e cantando, mas não tem como a gente mensurar a proporção que a coisa toma quando tudo acontece igual revistinha da avon, passando de mão em mão.

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A melhor parte é abraçar e ver cara a cara o pessoal que a gente amaaaaaava ouvir em casa e jamais pensou conhecer ao vivo, tipo a turma do Crombie, com quem a gente teve o privilégio de dividir palco em dezembro do ano passado. A gente suspira até hoje…

MVC – Claro que as bandas só começam com um objetivo. Qual é o de vocês?

SIMONAMI – Crescer. Fazer da banda nosso único labutar, nosso negócio, nosso case de sucesso sem precisar perder a legitimidade ou precisar deixar de ser fiel ao que a gente crê.

Tocar melhor, cantar melhor, pensar maior, provocar aquela sensação esquisita que a gente sente depois de ter escutado um álbum perturbador.

MVC – A trajetória da maioria das bandas boas é começar no cenário alternativo, até ganhar uma notoriedade e finalmente assinar com uma grande gravadora. Vocês esperam esse caminho para o Simonami?

SIMONAMI – Cara, a gente fica mais é olhando pros caras tipo o Emicida com o Laboratório Fantasma, o Bon Iver com o Jagjagwar e nossos olhinhos brilham! Nossa ambição tá morando hoje mais em ser filha de um selo independente forte do que em ser abocanhada por uma grande gravadora, mas pode ser parte do processo até a gente chegar nesse lugar quentinho que a gente quer…

MVC – Ainda nesse sentido, muitas bandas entram em grandes gravadoras e os caras tentam botar muito bedelho nas músicas, na forma que devem compor, se vestir e etc. Em todos os mercados parecem ocorrer isso. Como é que vocês enxergam essa realidade?

SIMONAMI – Olhando pros caras que estão crescendo dentro do nosso estilo são pegos pelas gravadoras quando já estão prontos, estabilizados, com público leal e grandioso. Tipo Palavrantiga. A Som Livre só tevo o trabalho de endossar uma proposta, um jeito, um discurso, um tchananã que já existia nos meninos.

Se a gente tivesse em outra cena, tipo a do pop ou do pagode, talvez rolasse essa “cirurgia”, mas no nosso caso além de demorar muito até uma gravadora querer a gente – temos ainda muito feijão com arroz pra comer no que diz respeito á movimentar público -, ela só vai aparecer quando a gente já estiver redondinho, pronto, caracterizado e tal, aí é só correr pro abraço!

MVC – Esta última pergunta é simples. Vocês acham que dá para ser um cristão relevante no meio da arte? Que mensagem deixariam para aqueles que pensam em um projeto que seja autoral e que queiram contribuir para uma vida cristã relevante?

SIMONAMI – Talvez um bom começo seja parar de se encarar como um ET no meio de tudo, tipo isso de inventar subcategorias: tem o pagode e tem o pagode gospel, tem o pop e o pop gospel… Deus é artista por excelência, ele inventou o conceito. Não é uma cena em que a gente tá entrando agora, sabe?
Pra ser cristão relevante Jesus aponta pra um método eficaz: caráter e proatividade.
O que aponta a presença de Cristo na vida de alguém é a maneira como essa pessoa se comporta, enxerga a vida, se relaciona com Ele. E não estamos falando de legalismo. É sobre sinceridade, franqueza, humildade, compaixão.

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Se ele não fizer, tá fazendo qualquer coisa menos arte. Estudar é vital! A gente apaaaanha pra aprimorar o pouco que sabe. Já tem gente negligente suficiente no mundo. Tem muita gente querendo ser famosa, cantar clichê vazio pra ter curtida no facebook, pra cantar no faustão, pra alimentar o ego, ganhar elogio. Isso aí mata a música. Mata a gente.

Vocês podem achar mais deles  no link:

Site
http://www.simonami.com.br/
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Twitter
@sim0nami
Soundcloud
https://soundcloud.com/simonami
Spotify
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