Forte como uma mulher

Poderia começar este ensaio com inúmeras frases clichês do tipo: “o dia hoje é delas, mas quem ganha o presente somos nós” ou talvez aquele clássico que serve pra várias datas especiais: “todo dia é dia das mulheres”.  Eu realmente poderia, mas acredito que as mulheres merecem mais do que os velhos clichês arrastados e monótonos que não contemplam o sentido e o real significado da mulher, com a intenção mais visceral e honesta que tal palavra nos remete.

“São frágeis”, eles dizem, “subjetivas demais…”, “demasiadamente sentimentais’.

Já passou da hora de caminharmos só na parte rasa deste oceano chamado feminino e mergulharmos um pouco mais fundo pra percebermos que não existe essa história de valorização do sexo frágil, o que deve existir é o reconhecimento da dignidade humana que as mulheres receberam sem fazer força ao serem feitas a imagem e semelhança da Trindade.

O que não quer dizer muito no mundo lógico regido pelos machos de plantão, mas que foi gritado pelas atitudes do próprio Cristo enquanto esteve entre nós. Enquanto num ato sexual promíscuo homem e mulher pecavam e apenas elas eram condenadas, ele se interpôs para preservar uma vida da discriminação. Enquanto todos os homens saiam a fazer suas atividades normais do dia a dia e elas tinham de esperar o tempo certo pra sair de casa, ele esperou num poço pra, a partir de uma conversa, restaurar uma vida e dali salvar muitas famílias, desconsiderando a perda de sua reputação. Enquanto todos os homens só tratavam de temas importantes com outros homens para que suas histórias tivessem validade adiante, ele decidiu aparecer a duas mulheres, depois do maior acontecimento da história, acontecimento este que dá sentido a tudo o que vivemos.

Precisamos de mais argumento?

Elas “provocam” o milagre todos os dias no multiplicar a comida para os filhos que têm de conviver com a ausência de um pai que não foi homem o suficiente pra ser forte como uma mulher. Elas trabalham em jornada dupla porque eles as sobrecarregam com seus conceitos ultrapassados. Elas, em sua maioria, são subjetivas sim, colocam suas cabeças no mundo do céu, eles que tentam colocar o céu na cabeça e acabam enlouquecendo em sua objetividade. Elas são como o sol, não são contidas em contornos geométricos, elas iluminam e aquecem o mundo com toda a sua “de-formidade” transcendental, eles são óbvios, formatados, redondos como a lua, iluminando com uma luz emprestada e fria, são verdadeiros lunáticos.

O que seria da existência não fosse a perfeição do “humano” concebido apenas na criação da mulher?

A maior homenagem que poderia considerar em fazer é GRITAR através destas palavras, clamando que sejam desmistificados os abismos que existem entre as diferenças de gênero, sem, contudo, deixar de reconhecer as peculiaridades contidas no fato do ser homem e na beleza de ser mulher.

Que elas tenham a possibilidade do mundo que quiserem, mas que não escolham replicar o pior do que o homem já foi na história.

Oro pra que Deus as conduza em ser, de fato, uma luz que dissipa a escuridão dos nossos dias, sem que sejam apenas o outro lado da mesma moeda, reagindo com ódio ao machismo déspota que insiste em persistir através do século XXI.

E nós homens, olhemos pra elas como quem contempla o diferente que deve ser respeitado justamente por não ser igual em forma, mas em direitos e reconhecimento!

Mulheres continuem sendo fortes. Fortes como mulheres são.

No amor.

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