Natal. O contra-senso absurdo!

A manjedoura era o começo do recomeço,
a renovação do selo que ligava Terra-Céu.

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Isaías 9:6.

O sinal do nascimento daquele que viria como filho do homem é, no mínimo, um tanto esquisito. É totalmente estranha a ideia de um ser Todo-Poderoso, enviado pelo Altíssimo que tenha que se submeter a um nascimento simplório de um vilarejo pequeno. Como é possível que o Rei dos reis nascesse no seio de uma família carente, descendente de um povo escravizado e ter como berço um viveiro de curral? Essa é a loucura que os judeus não admitiam.

Não seria possível que Jesus, tendo vindo dos céus, tivesse uma entrada umpouco mais triunfal e merecida nesta terra? Dessa vez não, o Salvador divino tinha carne, tinha umbigo e estava plenamente vivo entre os reis e povos. Vestia a carnalidade que não o pertencia. Deus agora era uma criança.

A vinda discreta do menino, filho do carpinteiro, incomodou aos Reis, pois eles sentiram-se ameaçados diante de um reinado absoluto que viria, comprometendo assim, seus tronos soberbos. Enquanto os reis exibiam sua consagração e exigia suas honras, Deus se esvazia e demonstra que a humildade é a maior manifestação de Sua glória.

Adão e Eva sendo feitos adulto, desejaram ser como Deus. Não tiveram umbigo, e por isso não se reconheceram como espelho de Deus, mas quiseram ser o próprio Deus. Jesus foi gerado criança, passou pela adolescência e tornou-se homem. Ele era o Deus-homem representado na pequeneza de um bebê, era amor de Deus estampado. Assim como Adão, seus descendentes quiseram se sentir deuses de si próprio, e se envaidecem, cortando simbolicamente o cordão umbilical ligado ao Pai, mas aquele menino diferente enrolado em trapos, trazia consigo uma autoridade, uma autonomia, algo que estabelecia um senhoril baseado no amor.

Uma criança pobre é a marca da grandiosidade de Deus. Assim veio Cristo, o menino, para que tivéssemos entre nós, os passos do Divino. A manjedoura era o começo do recomeço, a renovação do selo que ligava Terra-Céu.

O menino tinha discurso de gente grande, e veio com a proposta que mudaria a vida de toda humanidade. A sua vinda não teria sentido se nos planos do seu Pai não constasse o nascimento sem que fosse possivel disponibilizar a nova oportunidade a TODOS.

Não achamos o sentido do Natal porque ele não tem sentido a mente, mas tem um propósito a vida aos sujeitos a Graça que o menino anunciava. O propósito é Cristo nascer, o menino que não tinha medo de ser Deus, pois era o próprio. O símbolo do Natal é o choque entre a humildade que caracterizava Jesus e a grandeza do poder de Deus  mandando seu Filho até nós. Um contra senso sem tamanho, um atentado a falha razão humana!

Murillo Leal é jornalista e escreve também no blog Crerpensando.
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