O diabo joga em casa

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Há um luto enorme no mundo. A França se transformou em uma capital mundial da solidariedade, principalmente a digital. O terror tomou conta das ruas de Paris, e logo o mundo comoveu-se pelas vítimas do fundamentalismo religioso doentio.

Alguns minutos depois da cidade sangrar, o Estado Islâmico orgulhou-se de assumir a autoria deste terror todo. Creio que não é coincidência o terrorismo islã ocorrer nas mesmas décadas do intervencionismo da cultura ocidental na região. (Vale lembrarmos que, meses antes, a ISIS disse que havia infiltrado dezenas de terroristas na Europa por meio dos refugiados sírios.) Bem, ai você já sabe. É dada a largada para a jornada de opiniões esquisitas sobre imigração, islamismo, terrorismo e imperialismo nas redes sociais.

Se você ligou algum meio de comunicação, com certeza percebeu o quanto isso gera um desconforto no mundo ocidental. Não quero esgotar o assunto com mais um texto procurando o real culpado desse caso. No entanto, algumas coisas  precisamos considerar.

Primeiro, ficamos preocupados com o que aconteceu, lamentamos as mortes, e nos assustamos porque isso com certeza refletirá de maneira global. Não vim falar sobre o que provavelmente vocês já leram. Não quero aqui fazer você acreditar que os ocidentais são vítimas e que os muçulmanos são completamente malvados. Nem vice-versa. O ser humano na sua essência natural é que é o problema. Considerar isso,  mantém o debate mais são.

Segundo, não podemos ignorar que o cenário pós-moderno favorece demais a maldade de um mundo completamente alienado à Deus. Você pode dizer que é justamente ao contrário a lógica. O ser humano comete essas atrocidades porque está encharcado da religião. O que não é mentira, mas não podemos culpar Deus pelo extremismo. As grandes guerras acontecem justamente porque os seres humanos são potencialmente perigosos quando interpretam Deus de maneira errada. Este é o ponto que deveríamos discutir.

Terceiro, diante da pior face do ser humano, podemos também ver o testemunho de Deus. Frente ao completo caos, a sensação de insegurança, o medo e o terror que se espalhavam em um velocidade assustadora, outras centenas de pessoas mobilizaram-se para cuidar, acolher, e resgatar vítimas diretas e indiretas da crueldade.

Deus esta(va) em Paris

Me perguntam: Onde está Deus nas desgraças?  Oras, Deus está no meio da humanidade atuando por meio da sua criatura. Fiquei sabendo, por exemplo, que houve uma mobilização na internet para aqueles que não tinham casa ou que encontravam-se distantes delas, utilizando a hashtag #PorteOuverte (Porta Aberta) no Twitter. Muitos moradores abriram suas residências para garantir abrigo para que todos os afetados pudessem passar a interminável noite.

O próprio Facebook disponibilizou a opção de fazer um check-in “estou à salvo”, para tranquilizar parentes e amigos das vítimas. Sei de gente que doou seus créditos para chamadas internacionais no Skype às vitimas e parentes. Portanto, Deus era o bombeiro, Deus era o policial, Deus era o cidadão que passava por ali e decidiu ajudar, Deus era o taxista que resolveu fazer corridas gratuitas para levar os feridos ao hospital, Deus é aqueles que arregaçam as mangas e resolvem ajudar. O que seria isso senão Deus?

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Quais as razões?

O diabo joga em casa, mas há uma esperança

Sim, o diabo jogou em casa. Este mundo é o campo predileto dele, pois aqui ele obtém o controle do coração de alguns homens e isso é suficiente.  Ele encheu as ruas de sangue, terror, pânico e escuridão. Uma cena que jamais será esquecida pelo mundo. E provavelmente não será a última vez. No entanto, o mal não triunfará para sempre. A esperança está no amanhecer, ainda que tudo continue doloroso, podemos ter a certeza de que os filhos de Deus continuarão lutando para reerguer o esperançoso anseio pela Vida plena.

No meio de uma potencialidade de maldades o diabo é o imperador deste tempo, mas a nossa esperança está no fato de que ele pode nos arrancar tudo, menos quem somos em Jesus Cristo. Os terroristas jamais vencerão, porque ninguém pode arrancar de nós aquilo que o Senhor nos ensinou a ser. Ainda que a maldade nos assombre, Deus é quem nos lança para suas asas. Oramos pela França, mas oramos também para que o Senhor seja o alvo de todas as nações.