Olhem para nós!

“Tum, tum, tum…”, bate o coração da criança do medo, da incerteza, da fome, do abandono. Ela chora, silencia, rói as unhas, dorme mal, não tem concentração, seu olhar é distante. É uma vida incipiente com a esperança e os sonhos ameaçados pelo cotidiano, pois é um ser indefeso, inexperiente, mas que deseja viver, ter uma casa, um lar, um pai, uma mãe, irmãos, família, amigos, escola, brinquedos, entretenimento, férias, etc.

Esse é o exemplo de muitas crianças excluídas apenas por serem crianças, por não terem o valor que lhes deveria ser atribuído, nesta sociedade má e perversa que agride e mata o sonho das nossas crianças. Pais, mães, ladrões da inocência desencaminham crianças, dia após dia, com a violência, estupros, e, usando-as como objetos utilitários, nos becos, nas ruas, nas praças, a fim que de estas lhes tragam o sustento para suas casas.

Homens maus pervertem nossas crianças induzindo-as a ingressarem no crime por serem menor, assim como traficantes impiedosos e gananciosos iniciam nossas crianças ao uso das drogas e na distribuição da mesma, para obterem lucros fabulosos, não se importando na mácula brutal que acomete a vida, as mentes e os corações dessas crianças, que vivem “em situação de risco”, o tempo todo, sem a proteção de quem quer que seja e sem perspectiva de um futuro, pois têm uma média de vida baixíssima.

“Olhem para nós!“ Esta é a expressão das crianças hoje em muitos lares, nas ruas, nas praças, nas gangs, à beira da estrada, vendendo seu corpo, na prostituição. “Olhem para nós!” Somos vítimas desta sociedade corrupta que baniu Deus do seu coração; que chama o mal de bem; que, gerada pela ganância, esmaga, mata e nos destrói, por sermos pequenos e indefesos.

Existe também outro coração que bate e bate muito forte com senso de amor, cuidado e justiça: Deus, o justo juiz não está dormindo. Jesus pronunciou estas palavras: “Mas se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho e se afogar nas profundezas do mar”. (Mateus 18.6). Isto é, ao malfeitor, que arranca com violência a inocência da criança e a introduz no crime, na violência, na prostituição, é melhor cometer suicídio, porque está fazendo um mal intento contra alguém especial e que é símbolo do Reino dos céus, como Jesus ainda pronunciou: “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, me recebe” (Mateus 18.5). E novamente disse: ”Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornam como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus” (Mateus 18.3).

Atenção pais, mães, igrejas, sociedade, governo: nossas crianças estão dizendo: “Olhem Para Nós”. Cuidem de nós; mostre-nos o caminho; deem-nos um futuro. E Deus está dizendo: “Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste” (Mateus 18.10).

Que o Senhor nos abençoe!

Texto de Gerson Salustre.