Quem matou 19?


matouNoite de 13 de agosto de 2015. Talvez um dia qualquer para nós, mas infelizmente não para as famílias de 19 pessoas de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, onde aconteceram 10 ataques com 19 mortos e 7 feridos em apenas 2h25min. Em pelo menos um dos ataques, com as vítimas enfileiradas, os criminosos perguntavam se tinham antecedentes criminais e, depois, sumariamente executavam as pessoas que respondiam “sim”. Dos 19 mortos, apenas 6 tinham passagem pela polícia.

Uma pergunta fica para ser respondida: Somente os que já haviam sido presos deveriam morrer nesta chacina? Caso a resposta seja “sim” ou ainda pior, se for: “santo eles não eram, alguma coisa devem ter feito”, creio que seja assustadoramente necessário rever algumas questões sobre a razão de termos sido chamados à vida.

Nosso pequeno mundo está sofrendo por falta de vocação. Não de pessoas dotadas de talento e que sabem que são boas em determinados aspectos profissionais e artísticos, mas daqueles que antes de qualquer coisa, são humanos, que tem impulsos humanos, reações humanas e que priorizem o ser humano.

Contudo, respondo a pergunta acima afirmando categoricamente: nenhum dos 19 deveria ter morrido. Mesmo que todos estivessem condenados e foragidos. Todos tem o direito de serem julgados por seus atos. Precisamos fazer cair a máxima popular de que “bandido bom é bandido morto”, pois ninguém, absolutamente, ninguém é “matável”.

A humanidade está perdendo o senso do absurdo. As justificativas para as maiores monstruosidades dos nossos dias estão na ponta da língua daqueles que conseguem ver lógica no meio da loucura e tudo em nome do egoísmo, da não-violação de sua redoma encastelada. É gente que prefere não salvar pra não correr o risco do salvo os matar futuramente.

É como se o médico perguntasse se o paciente é bandido ou cidadão de bem antes de socorrê-lo, porque vai que o “assassino” é curado e continua a matar. Faz sentido pra você? Deixar morrer é a melhor solução para conter o avanço do mal no mundo? Creio que seja exatamente o contrário, este pensamento só é possível porque o mal já consumiu o “mundo” (I João 5.19), mesmo aqueles que julgam ser “bons”.

No trecho da carta de João, citada logo acima, o autor começa dizendo: “Estamos cientes de que somos de Deus…”, mas parece que essa afirmação não tem ressonância no quadro que está diante de nós. Cadê o nosso reflexo de amor? Onde estão as flores ao invés das armas? No fundo, estamos varrendo a sujeira para baixo do tapete ao invés de tratar com a verdade doa em quem doer.

Jesus, nosso maior exemplo, “não usurpou ser igual a Deus” (Filipenses 2.6), ao contrário de nós, teomaníacos, que somos ligeiros em sentenciar seres humanos e os executar com nossas próprias mãos tendo como base uma razão justiceira.

Se realmente somos de Deus vamos tomar a nossa cruz, seguir os seus passos e fazer parte daqueles que levantam a voz dos que ninguém ouve.

matou2“QUEM MATOU 19? Quantos estão fazendo essa pergunta? Poucos. Sabemos, contudo, quem a está fazendo. Quem são eles? Todos os que amam ao próximo como a si mesmos, todos os que sabem o significado de se viver num Estado democrático de direito, todos os que não consideram como matável nenhum ser humano, todos os que estendem ao pobre o conceito de direitos humanos, todos os que receiam que as grandes cidades brasileiras entrem em processo de mexicanização e todos os que odeiam a injustiça”. (Antônio Carlos Costa)

Termino esse breve post sugerindo uma canção cheia de significado sobre a pessoa de Jesus e suas escolhas por amor de Santiago Benavides

Quem matou 19? Talvez alguém como você!
Deus tenha misericórdia de nós! Maranata!
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