Textão sobre política pra quem não gosta de política

Ex-presidentes-Collor-Sarney-FHC-Dilma-Lula+Futuramente-Dilma-fyadub

Não ia falar sobre isso, mas na verdade eu sempre quis falar sobre isso. Sempre quis escrever um textão sobre política, onde todos fossem compartilhar, concordar comigo e colaborar de forma respeitosa pelo crescimento de uma compreensão política de diálogo, tolerância e não violência.

E não, esse não é mais um textão sobre política de imposição onde, ao terminá-lo, você não vai me convidar para um café, um almoço, um jantar ou simplesmente conversar comigo sobre isso até que a gente entre num consenso e dobre os joelhos em busca de amor e empatia, eu em direção a sua vida e você em direção a minha. Que Deus nos conceda isso, pela maravilhosa graça que sempre nos é ofertada.

Não quero escrever sobre convicções pessoais que não fazem pessoas refletirem, mas se dividirem em pessoas que concordarão e me amarão por expressar publicamente uma opinião similar as opiniões dela, destemendo as opiniões contrárias ameaçadoras que as vezes escondem os intelectuais virtuais de expressar publicamente sua opinião. E o segundo grupo que me odiará e dirá que minha preocupação deveria ser anunciar a Santa Palavra de Deus, e não conversar sobre realidades a minha volta, alegando também que aqui é um veículo para se falar sobre Jesus e não para articular uma opinião política.

É um textão sobre política que para ser bem sincero, é apenas ideológico, sem senso nenhum de possibilidade real, exclusivamente utópico, porque o ser humano é mal e corrupto e a gente não consegue viver em prol dos outros, mesmo que os outros sejam os outros mais próximos. Gosto de uma forma de política que não vejo faz tempo, de gente que ama gente e não de gente que ama poder, mas confesso que é quase impossível encontrar pessoas desse comportamento em qualquer bandeira representada hoje no nosso cenário político.

E por último é um texto sobre política porque se trata de uma resposta à alguém que amo bastante, que me confrontou, me aconselhou e me disse, acredito que motivado pelo amor da nossa amizade, que o caminho que estava trilhando poderia fazer com que pessoas não me respeitassem ou não estabelecessem relações comigo devido algumas postagens que fiz em meu Facebook. E para ser sincero, gosto de gente. A solidão me agoniza, não pelo fato de não suportar ficar sozinho, mas por reconhecer que em relacionamentos sinceros com pessoas eu sou abençoado e abençoador, num olhar profundo e sincero acolho e sou acolhido, respeito e sou respeitado, amo e sou amado.

Uma das experiências mais intensas de se viver o ministério, é a possibilidade de ouvir uma pessoa, não ser profissional em aconselhamento (um terapeuta), mas se emocionar com ela e por ela, assumir-se limitado e propor-se exclusivamente a aproveitar aquele tempo de emoção à flor da pele, de sofrimento compartilhado, de alma derramada e coração aberto para buscar a Deus junto dela. E sinceramente, era esse tipo de coração que esperava de alguém que exerça qualquer tipo de influência social, em qualquer grupo ou instância social.

Há alguns dias fiz algumas postagens de páginas de humor de grupos de teologia como calvinismo da zueira, Ariovaldo pimpão, entre outras. Também, por ter em maior parte de amigos na minha página do Facebook de evangélicos, compartilhei alguns vídeos de páginas de ideologia de esquerda como: quebrando o tabu, carta capital, entre outras. Também compartilhei imagens de outras páginas de direita como Bolsanaro Mil Grau, Bolsonaro Opressor 2.0, e por aí vai.

Por quê?

Porque cristãos evangélicos do Brasil são preguiçosos. Nós crentes não lemos nem a bíblia que afirmamos ser a Palavra de Deus, quanto mais textos de qualidade sobre política, história, filosofia e sociologia. E quando o fazemos, costumamos ler somente os textos que concordamos ou da opinião da qual gostamos e admiramos. Assim, um bando de gente que é de direita e mete a boca em Marx, sendo que só o conhece dos blogs de adolescentes de direita que o acessa e chama de fábula, ilusão e etc.

char_charge_latuff915

Da mesma forma, os cristãos que se dizem de esquerda, por outro lado, não se dão o trabalho de ler os links, os textos, as informações, os livros e muito menos de pensar e raciocinar e avaliar de verdade fatos que precisam ser ponderados e que existe gente apontando isso há um bom tempo. E apontam a direita como gente que não sofreu na vida, não sabe o que é assistência social, coxinha, fascista e por aí vai.

perola-tolete-640x556

E o que isso significa?

Absolutamente nada. Só é um diagnóstico de intolerância. Me exclua de suas redes sociais se você apoia esse cara, ou aquele. Isso significa que a igreja evangélica do Brasil aprendeu muito pouco sobre Jesus de Nazaré. Alguém que por incrível que pareça, por mais inadequado ou promíscuo, ou essas coisas que crente gosta de rotular, não conseguia impedir-se de estar perto dela, não conseguia excluí-la, mas incluía. Ou a gente assume que Jesus de Nazaré nos quer incluindo e não excluindo pessoas, ou nós estamos falando de um Jesus que você o inventou por conveniência ideológica.

A sua discussão no facebook não fará outros mudarem de opinião, as respostas atravessadas que vocês trocam não farão ninguém mudar de lado. Até porque, com sinceridade, nem você e nem os outros abrem os links que fazem tanta questão de compartilhar nas redes sociais, também não desejam compreender os argumentos contrários, isso quando os lemos até o final num comentário. Então pare de comentar. O grande motivo de eu compartilhar as imagens era ver até que ponto chega a intolerância política de quem está perto de mim, ou até mesmo ignorância dos que se dizem próximos mas beiraram o ódio por postagens claramente humorísticas.

E o que eu tenho a dizer sobre a política?

Também nada. A política não é um assunto que eu me sinto confortável a comentar, e do jeito que as coisas andam, é mais seguro não fazer isso para não apanhar na rua. E afirmo isso biblicamente.

O livro de Daniel, capítulo 2, traz uma situação bem interessante para se pensar nesse momento de intolerância política. Daniel interpretou uma visão muito engraçada do rei Nabucodonosor: uma estátua com uma parte de ouro, outra de prata, outra de bronze, outra de ferro, outra de pedras e barro. E isso funcionava como uma hierarquia ou sucessão de reinos. Essa estátua é destruída por uma pedra lançada não por mãos humanas, ou seja, uma referência a mão de Deus, a intervenção divina. Essa mesma pedra, em Atos 4, é chamada por Pedro de Jesus Cristo, pedra de esquina.

Então, ao meu ver, vetero e neotestariamente falando, política de verdade não é uma situação para se depositar esperança, mas apenas discutir e envolver-se. E tem uma grande diferença.

Se nós fossemos capazes de considerar Jesus de Nazaré maior que uma bandeira política; se nós fossemos capazes de amar os que pensam diferente ao invés de repelir e excluir, a esperança de unidade de Reino poderia vir sim, por um viés político, seria um caminho diferente e bem interessante para todos.

deus cabo eleitoral hermes fernandes

Mas como o nosso amor é bem egoísta, só age com interesse próprio e vai tudo completamente ao contrário do que Paulo descreve aos coríntios, no décimo terceiro capítulo da primeira carta, e a gente não consegue nem amar gente da própria comunidade que pensa diferente de nós; imagina gente que a gente não conhece e só vê em postagem de facebook.

Mas nós podemos discutir e nos envolver. Sim, se você realmente acredita que essa visão política tem íntima ligação com Jesus de Nazaré na forma que Ele age, na forma que Ele viveu, numa forma que sinalize o Reino de Deus com a maior densidade possível aqui, sabendo que só se consumará ali e além, vá em frente.

Agora, se existe alguma incoerência, não existe problema nenhum em você se arrepender, perdoar a si mesmo, os inimigos e indisposições que criou por um engano nas redes sociais e na vida real, e viver com a única preocupação de ser sinal do Reino. Somos peregrinos, não residentes desta terra. Mas, enquanto estamos nela, cuidemos dela em resposta ao amor do Senhor (Genêsis 1:26).

E o que eu sugiro a você?

Vote em quem dobra os joelhos. Não, isso não é confissão religiosa, e não, meu voto não é evangélico. Política não se faz por cabresto de pastor ou orientação de comunidade religiosa. Quem dobra os joelhos, é quem está disposto e aberto ao diálogo, que caminha com humildade, que fala com gente, convive com gente, pensa em maiorias, mas também nas minorias, que chora com quem chora pela crise econômica, mas também chora com quem chora pelo encarceramento da família, pelo salário mínimo não ser o suficiente para pagar as contas e etc. Vote por quem tem coração com o povo, quem queira indistintamente ver pessoas tendo realidades transformadas, sem seleção, mas com indistinção, com inclusão. Isso para mim era Jesus, e por isso queriam colocá-lo como (João 6).

Vote em quem se levanta contra a injustiça. Indistintamente, até mesmo, e talvez, prioritariamente contra pessoas que sejam corruptas perto de você. Próxima à traição de Judas, a dureza de Jesus de Nazaré para com ele, foi intensa, leia os evangelhos, neles, Judas é chamado de filho do diabo (João 13). Honestidade é característica de alguém que merece seu voto. Ficha limpa, e justiça nas sujeiras das fichas de quem quer representar o povo.

Vote em quem cuida de interesses variados. Sem preferidos ou cara de nação. A nação é plural e o governante tem de saber lidar com isso. Sem empresários mandando no governo. Sem empregados mandando no governo. Um governo que age com equidade. Cetro de equidade é o governo do Senhor (Salmo 45).

Sem comunismo, mas com comunhão. Sem egocentrismo meritocrata, mas com coração restaurado e dons disponíveis para serviço de Cristo na Terra. Sem bandeira política, canhota ou destra, a nossa bandeira é Cristo, e Ele é o centro das nossas vidas.

Sinaliza teu reino em nosso meio. É a minha oração. Em nome de Jesus.

Em amor e pelo amor.