Vamos continuar aquele papo sobre homossexualidade?

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Há poucos meses escrevi aqui no MVC um texto endereçado para meninos e meninas que sentiram ou sentem desejos por pessoas do mesmo sexo. A repercussão foi considerável, mas a demanda que surgiu foi assustadora. Recebemos centenas e centenas de e-mail, e mesmo distribuindo-os entre os colunistas, ainda não demos conta de dar retorno para todos.

Confesso que é engraçado, estranho e ao mesmo tempo perigoso escrever sobre um sentimento ou uma sensação que nunca experimentei. Talvez alguém até argumentaria que não posso escrever sobre algo que não conheço. No entanto, muito antes de estar tocando num assunto sobre homoafetividade, estou falando sobre Deus, amor, graça, acolhida e obediência.

Muitas pessoas elogiam o MVC por tocar em assuntos considerados tabus e isso com uma abordagem e palavras que transbordam graça e amor. Isso gera em nós uma alegria imensa, mas também um profundo senso de responsabilidade que explico abaixo.

O ambiente nada acolhedor das igrejas evangélicas

Aprendemos a entender a prática homossexual como um pecado diante de Deus, que criou o ser humano e presenteou este com o prazer sexual para ser desfrutado entre homem e mulher, tão somente. Não tem como fugir dessa verdade bíblica e ficar aqui fundamentando isso com versículos e passagens bíblicas seria chover no molhado.

Não é novidade pra ninguém que o ambiente das igrejas evangélicas é, via de regra, bastante hostil para os homossexuais, sejam assumidos ou não.  Por isso, os que querem combater esse tipo de comportamento não acolhedor da igreja, usam o argumento que temos que receber essas pessoas com amor e graça, pois além de termos muitos pecados, recebemos pessoas que cometem pecados horrendos sem condenar. Vejam só: não é porque Romanos 1 diz que ganância, inveja, fofoca, falta de amor pela família, entre outros, também são pecados que a prática homossexual deixa de ser. Todos que cometem esses e outros pecados devem atender uma convocação ao arrependimento. Se eu não tenho amor pela família e você pratica sexo com pessoas do mesmo sexo, por favor me alerte e me convoque ao arrependimento e vou fazer o mesmo contigo. É verdade que nenhum pecado é pior que o outro assim como é verdade que ambos os pecados carecem da graça e da misericórdia de Deus. Não é momento para achar culpados, mas para conciliar partes.

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É pensando nisso que é necessário uma mudança de postura por parte principalmente dos líderes. Como alguém que atua liderando jovens e adolescentes, entendo que isso é extremamente urgente. Claro, não se trata de um chamado para relativizar ou negociar princípios bíblicos, mas sim para baixar a guarda, admitir um tanto de ignorância em vários aspectos, a fim de abrir o diálogo leve em busca de soluções plausíveis para problemas de seres humanos e de irmãos em Cristo.  Reitero que esse não é um chamado para relativizar, mas para assim como o Mestre direcionar o primeiro olhar não para o pecado, mas sim para o sofrimento do outro.

Por isso faço um apelo a você que tem a incumbência de liderar pessoas.  Faça isso com um coração amoroso e acima de tudo misericordioso,  daquele que tem a capacidade de colocar o coração no sofrimento do outro.  Trata -se de um comportamento adequado para qualquer relacionamento entre duas pessoas que conhecem a Cristo,  mas aqui chamo a atenção principalmente daqueles que estão na posição de liderança, para  que ao lidar com qualquer pessoa (e aqui em especial com homoafetivos) tenha a profunda consciência de que se está pisando em solo sagrado, ser humano criado a imagem e semelhança de Deus.

ps 1: Vamos juntos?

ps 2: Essa conversa continua!